29 de março de 2007

Coruja - Márcia Derraik e Simplício Neto


Bezerra da Silva é a voz do morro. Ele é a voz de quem vive e faz o morro. Ele é a voz dos favelados. É a voz dos pobres. Gente que vive na pobreza, mas é digna. E, sobretudo, feliz. Vivem com malandragem. E malandragem não é bandidagem. Bandido é “bicho solto”. Já dizia o próprio Bezerra, em parceria com N. Dias, “malandro demais vira bicho”. O bicho solto acha que é malandro. Para os malandros, ele é um mané, um otário.

Estas crônicas do morro que Bezerra canta são de autoria dos personagens que habitam a colina. Gente que trabalha e rala para conseguir colocar o pão na mesa de casa. Mas sempre faz seu sambinha, seu churrasquinho e dá suas risadas... Eles são anônimos. Mesmo quando seus sambas são verdadeiros clássicos. Quem conhece Popular P., Adezonilton e Moacyr Bombeiro? São os compositores do famoso “vou apertar mas não vou acender agora”. Todos falam “o samba do Bezerra”... Bezerra é a voz deles.
Muitos chamam o samba que Bezerra canta de “sambambido”. Ele repugnava este termo. Ele dizia ser malandro, não bandido, bicho solto. Ele cantava as coisas do morro. Mas não aquele morro bonito, de alvoradas e passaradas, cheio de amor. Ele cantava a realidade mais dura mesmo. “Eu não posso cantar o amor quando eu nunca tive. Sou realista. Canto a realidade.”

Este documentário de Márcia Derraik e Simplício Neto é sobre estes compositores anônimos. Cronistas do morro. Produtos do morro.
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Um comentário:

thales disse...

SHOW DE BOLA

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O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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