29 de abril de 2013

Morte é paz

"Quando eu for, eu vou sem pena. Pena vai ter quem ficar", já cantava o poeta paulistano. E foi assim. Ficamos, nós, com pena, pesar, lamentação em sua despedida. Choramos a partida daquele que cantou, em muitos sambas, uma toada e uma capoeira, crônicas da vida, da sociedade e dos amores. Crônicas de uma cidade de São Paulo, com suas rondas, praças e voltas por cima.

Paulo Vanzolini - sambista de primeira grandeza, nome icônico da música popular brasileira, autor de clássicos imortais de nosso cancioneiro - foi sem pena, aos 89 anos, às 23h35 deste domingo, 28 de abril, vitimado por uma pneumonia, que o levou à internação na UTI do Hospital Israelita Albert Einstein, no dia 25.

Depois de ter escrito o nome em letras douradas, garrafais, na história do samba e da zoologia (era considerado um dos maiores especialistas em répteis do mundo, tendo sido diretor do Museu de Zoologia da USP, por mais de 30 anos), o mestre se foi. "Sem saber o que o dia de amanhã nos traz, sem querer relembrar o que ficou pra trás". Foi tranquilo.  "Morte é paz".

É tempo de relembrar suas canções, admirar suas melodias e versos e de aprender mais sobre o Brasil, ouvindo suas crônicas sociais emolduradas por acordes que brotaram de sua mente fértil. Composições imortais, como será a presença deste gênio no imaginário coletivo de tantos brasileiros. 

Quando eu for, eu vou sem pena (Paulo Vanzolini) - Chico Buarque (2002)
Morte é paz (Paulo Vanzolini) - Cristina Buarque (2002)

25 de abril de 2013

Um ser de luz (João Nogueira - Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Há 30 anos, no dia 2 de abril de 1983, uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos morria tragicamente. Clara Nunes, em plena forma, no auge do sucesso, nos deixava de forma dolorosa: um choque anafilático sofrido na mesa de cirurgia, quando retirava varizes das pernas, interrompeu sua trajetória iluminada. Não mais ouviríamos o canto do Sabiá, não mais sentiríamos a energia e a força da Mineira Guerreira. Uma perda irreparável.

Seu falecimento causou transtorno em todos os brasileiros. Pouco tempo depois, uma belíssima homenagem foi composta para ela. Os autores: Paulo César Pinheiro, João Nogueira e Mauro Duarte.

No livro "João Nogueira - Discobiografia", de Luiz Fernando Vianna, o autor conta como se deu a criação deste belo samba, "Um ser de luz":

"A homenagem foi no calor da hora, pouco depois da morte. Alcione leu em O Globo a expressão 'um ser de luz', cunhada pelo colunista Artut da Távola para se referir a Clara, e comentou com João. Após a missa ecumênica realizada na Portela, várias pessoas foram comer em Jacarepaguá, e Mauro Duarte mostrou um início de samba dedicado à cantora. Faltava o letrista preferido dos dois para concluir o trabalho. Mas que condições Paulo César Pinheiro, marido de Clara, teria para escrever? Ele até ficou ofendido com a sugestão. Sucumbiu, porém, diante de um argumento de João:

'Se não fizer, vão fazer uma cambada de samba ruim e você vai ter que aturar. Ninguém vai se atrever a arriscar um samba depois do teu.'

Convencido, Paulinho escreveu a letra, e a canção foi batizada de 'Um ser de luz. João ligou para Alcione:

'Faz um macarrão pra mim que eu vou te mostrar um samba.

Comeram cantando e chorando. Alcione gravou, e a música fez um enorme sucesso. João só daria a sua versão 11 anos depois."

Um ser de luz (João Nogueira - Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)

Um dia
Um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar

Sua voz então a se espalhar
Corria chão
Cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela se foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
E a gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz sua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia


Um ser de luz (João Nogueira - Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro) - Alcione (1983) Um ser de luz (João Nogueira - Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro) - João Nogueira (1994)

17 de abril de 2013

Homenagem a Clara Nunes, no Nota de Rodapé

Hoje, no Nota de Rodapé, um texto meu - com uma belíssima ilustração do artista visual gaúcho Kelvin Koubik - sobre os 30 anos da morte de Clara Nunes. Confira!



26 de março de 2013

Luz, câmera: Germano Mathias em ação!

Em 1959, o sambista paulistano Germano Mathias ainda estava iniciando a carreira. Tinha seus tenros 25 anos de idade, mas já se destacava com sua ginga malandreada de cantar o samba sincopado, batucando na lata de graxa.

Fosse nas rodas de engraxate na Praça da Sé, em São Paulo, ou nas rodas de malandro de Madureira, no Rio de Janeiro, Germano imprimia seu estilo, que atravessou décadas e é preservado por ele até os dias atuais, a despeito de sua idade avançada (completa 79 anos em junho).

A juventude foi embora e, hoje, é só lembrança de um tempo que passou. Porém, graças a registros cinematográficos daquele longínquo ano de 1959, podemos ver o sambista em plena forma. 

Naquele ano, Germano Mathias participou de dois filmes, "O Preço da Vitória", dirigido por Osvaldo Sampaio (Ubayara Filmes), e  "Quem Roubou Meu Samba", dirigido por José Carlos Burle (Cinelândia Filmes e Cinedistri). Na primeira produção, interpreta o samba "Figurão", parceria com Doca. Já no segundo filme, canta um samba que viria a ser um de seus maiores clássicos, "Lata de graxa" (Mário Vieira e Geraldo Blota). 

Vale a pena conferir!



12 de março de 2013

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Quando dois geniais compositores se juntam em uma parceria, o resultado só pode ser a criação de uma pérola. Wilson Batista e Ataulfo Alves, dois dos maiores nomes do samba, compuseram várias, entre elas, os clássicos absolutos do carnaval - e da música popular brasileira - Oh, Seu Oscar e O Bonde de São Januário.

Porém, é nos sambas "lado B" da dupla que fui buscar esta belíssima composição. Não sei dar adeus foi gravado pela primeira vez em 1939, por Déo, e permanceu sem receber uma regravação até 2011, quando Marcos Sacramento registrou a composição no CD-tributo O samba carioca de Wilson Baptista, um projeto de Rodrigo Alzuguir.

Uma joia rara, que merece o pedestal dado aos grandes sucessos da dupla.

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves)


Eu não sei dar adeus a ninguém
Sem meu pranto cair
Eu não sei iludir o meu coração
Com sorriso em vão
Eu tentei me conter
Mas quando ela
Disse adeus eu chorei

Falo alto até grito: “eu chorei!”
Pois de fato eu acho até bonito
Chorar por seu bem querer
Num verso de um poeta consagrado
Eu li muito bem:
“Chorar por seu amor
Não envergonha ninguém”
Pois eu chorei
Porque muito amei

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves) - Déo (1939)
Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves) - Marcos Sacramento (2011)



Samba dedicado a Maria Pinheiro, meu amor, que tanto gosta dos sambas do Ataulfo e, especialmente, desta composição.

26 de fevereiro de 2013

Cartola, por Carlos Namba

Em 1977, a Editora Abril lançou a série de LPs "Nova História da Música Popular Brasileira", trazendo ricos fascículos, com textos, ilustrações e fotografias de grandes nomes de nosso cancioneiro.

O projeto ampliava e revia os discos lançados sete anos antes pela série "História da MPB" e tinha como propósito destacar a vida e a obra dos principais baluartes - compositores e intérpretes - da rica produção musical desenvolvida no Brasil desde os primeiros anos do século XX.

O projeto contou com um time de primeira, que incluía nomes como Tárik de Souza (consultoria de texto) e Elifas Andreato (consultoria de arte), além de fotografias originais, produzidas com exclusividade para cada fascículo.

A edição dedicada a Cartola trouxe um belo ensaio fotográfico, registrado pelas lentes de Carlos Namba (Abril Press), que vale a pena ser reproduzido aqui:





25 de fevereiro de 2013

Onze sambas e uma capoeira, 46 anos depois


Relembrar e reverenciar um clássico, lançado há 46 anos. O palco do Sesc Belenzinho reuniu, no último fim de semana, o sambista Paulo Vanzolini, sob a companhia de Cristina Buarque, Cláudia Moreno, Ana Bernardo e Carlinhos Vergueiro, para cantar onze sambas e uma capoeira. O espetáculo, que integrou o Projeto Álbum, dedicado à revivescência de discos que marcaram época na história da Música Popular Brasileira, foi uma grande exaltação ao samba vanzolineano - criado em São Paulo, mas genuinamente brasileiro - e cumpriu bem o propósito de exaltar o LP lançado há 46 anos.

"Onze Sambas e Uma Capoeira" foi o primeiro álbum dedicado exclusivamente a Paulo Vanzolini, nome de destaque na música brasileira. Produzido pelo publicitário Marcus Pereira e pelo músico Luis Carlos Paraná, contou com arranjos de Toquinho e Portinho e registrou interpretações dos irmãos Chico e Cristina Buarque - ambos em início de carreira. Também participaram do disco Mauricy Moura, Adauto Santos e Cláudia Moreno, além do próprio Luis Carlos Paraná.

Vanzolini, que completará 89 anos em abril, estava feliz com o espetáculo-tributo, assistido pela reportagem do Couro do Cabrito no sábado, 23 de fevereiro. Sentado em uma mesa de bar, criteriosamente arranjada sobre o palco, com um copo de cerveja à sua frente, observava tudo e cantarolava as suas canções.

O espetáculo contou com arranjos de Ítalo Peron, violonista, e trouxe ao palco os músicos Pratinha (flauta), Adriano Busko (percussão), André Tinoco (trombone) e Maycon Mesquita (trompete). Peron foi feliz nos arranjos, que destacavam os instrumentos de sopro. Seu violão firme e constante, sem arroubos de solos, baixarias e bordões, por outro lado, permitia que os intérpretes pudessem explorar ao máximo suas potencialidades técnicas. Já a percussão (pandeiro, surdo, agogôs, e bateria, tudo junto) não chegou a comprometer, ainda que o autor destas linhas considere que, em um espetáculo de samba, o ideal é que cada instrumento de percussão seja tocado por um músico diferente, garantindo, assim, mais ritmo, molho e balanço.

Subiram ao palco, na ordem, Cristina Buarque, Ana Bernardo, Carlinhos Vergueiro e Cláudia Moreno. À medida que cantavam, sentavam ao lado de Vanzolini, e, em um clima de bar, serviam-se de cerveja, água e conhaque. Cristina Buarque e Ana Bernardo não dispensaram o cigarrinho no camarim. Quando foram cantar Volta por cima, todos juntos, Ana Bernardo não voltou ao palco. Vanzolini, seu marido, aproveitou para cutucar: “Está fumando...”. Mas e se ela não voltar? – perguntaram os outros convidados. “Paciência”, respondeu o sambista, quase nonagenário.

A única composição interpretada pelo homenageado da noite foi a Capoeira do Arnaldo, que, segundo o compositor, foi criada em apenas um dia, em resposta a um amigo, Arnaldo Horta, que afirmou que até Carybé - pintor ítalo-argentino, mas baiano de corpo e alma - compunha mais capoeiras que ele. Com a idade avançada, sem a mesma divisão para cantar dos tempos idos, Vanzolini cantou em um ritmo mais apressado, o que não comprometeu sua interpretação.

Carlinhos Vergueiro esbanjou categoria, cantado os sambas com grande bossa e uma divisão que o afirma como um grande intérprete no meio do samba. Cristina Buarque também estava muito à vontade (ela só participa de espetáculos que realmente gosta), bem como Ana Bernardo e Cláudia Moreno (esta, não brilhou nem tampouco comprometeu). Cabe destaque para o roadie, que além de deixar tudo nos conformes, enchia os copos (principalmente o da Cristina) de cerveja dos sambistas.

Findadas as doze canções do disco (onze sambas e uma capoeira), todas clássicas – Samba erudito, Amor de trapo e farrapo, Chorava no meio da rua, Juízo final, Ronda, Napoleão, Capoeira do Arnaldo, Praça Clóvis, Morte e paz, Leilão e Volta por cima -, houve, ainda, tempo para dois sambas que não integram o disco clássico: Tempo e espaço (interpretado por Ana Bernardo e aplaudido por Vanzolini), e Toada do Luís (por Carlinhos Vergueiro).

Gênio de nosso cancioneiro, um dos maiores sambistas de todos os tempos, compositor de samba que rompe as fronteiras do regionalismo – é mais que paulista, é um sambista brasileiro -, Vanzolini merece todas as homenagens. A ele, as flores em vida. 

Avaliação: **** (ótimo)

21 de fevereiro de 2013

Sesc Belenzinho promove espetáculo em homenagem ao clássico "Onze Sambas e Uma Capoeira"

O ano era 1966 e havia um bar, na cidade de São Paulo, que reunia jornalistas, artistas e intelectuais. Os frequentadores buscavam ouvir música popular brasileira de qualidade, algo cada vez mais difícil em tempos de iê iê iê e da invasão da música estrangeira no Brasil. O nome deste bar era Jogral, fundado por dois amigos, o músico Luis Carlos Paraná e o publicitário Marcus Pereira e, entre os boêmios que por lá faziam ronda, estava o biólogo Paulo Vanzolini.

No Jogral, formou-se um núcleo de músicos de alto valor. Marcus Pereira viu ali, então, a oportunidade de produzir um LP (a ser distribuído aos clientes de sua agência de publicidade) registrando estes nomes e exaltando, em seu primeiro lançamento, as canções do biólogo que frequentava aquele reduto boêmio. Eram onze sambas e uma capoeira de Paulo Vanzolini.

O disco, que depois entraria para a história da música popular brasileira, contava com a participação de Chico Buarque, Mauricy Moura, Cristina Buarque, Adauto Santos, Cláudia Moreno e do coprodutor e sócio de Marcus Pereira, Luis Carlos Paraná. Lançado em 1967, “Onze Sambas e Uma Capoeira” foi o embrião para a gênese, seis anos depois, do selo Marcus Pereira Discos. Em 1975, o já clássico álbum foi relançado, já que a edição original havia sido de baixa tiragem e distribuído apenas aos clientes da agência de publicidade de Marcus Pereira.

Recentemente trazido de volta às lojas pela EMI (herdeira do catálogo da Marcus Pereira Discos), o disco é de audição obrigatória àqueles que buscam conhecer melhor a obra de Paulo Vanzolini, um dos maiores sambistas de todos os tempos. 

Nos próximos dias 23 e 24, dentro do “Projeto Álbum", que visa a celebração de discos históricos da música popular brasileira, o Sesc Belenzinho promove a apresentação de Paulo Vanzolini, com a presença de Cristina Buarque, Cláudia Moreno, Carlinhos Vergueiro e Ana Bernardo.

Cristina Buarque e Cláudia Moreno participaram do álbum e, 46 anos depois, voltam a interpretar os sambas de Vanzolini. Já Ana Bernardo e Carlinhos Vergueiro apresentarão as faixas gravadas pelos já falecidos Mauricy, Paraná e Adauto. Paulo Vanzolini ainda contará histórias do disco e reunirá todos os convidados para cantar a “Capoeira do Arnaldo”.

Entre os clássicos sambas de Paulo Vanzolini registrados neste álbum - o primeiro a ser lançado com suas composições - estão “Samba erudito”, “Amor de trapo e farrapo”, “Chorava no meio da rua”, “Ronda”, “Praça Clóvis” e “Volta por cima”.

Ítalo Peron, no violão e nos arranjos; Pratinha, na flauta e no bandolim; Maycon Mesquita, no trompete; André Tinoco, no trombone e Adriano Busko, na percussão, formam o conjunto que acompanhará Paulo Vanzolini no espetáculo. 

Serviço:

Projeto Álbum: Paulo Vanzolini - Onze Sambas e Uma Capoeira
Local: Sesc Belenzinho
Endereço: 
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho – São Paulo/SP
Data: 23 e 24 de fevereiro (sábado e domingo)
Horário: 21h (sábado) e 18h (domingo)

Valor: de 8 a 36 reais

Confira Cristina Buarque cantando "Chorava no meio da rua", na gravação original, de 1967:

18 de fevereiro de 2013

Vatapá (Dorival Caymmi)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Samba amaxixado, samba estaciano. Samba de breque, samba sincopado. Samba de terreiro, samba de quadra, samba-enredo. Samba-canção. Samba rural, samba de roda, samba de bumbo. Samba-receita. Samba-receita?

Foi Dorival Caymmi quem inventou essa nova modalidade de samba. Um samba-receita ensina a preparar um prato e ainda ajuda a mexer, para não embolar a iguaria. É, também, a melhor forma de aprender a cozinhar, já que a receita não sai da cabeça, com o buliçoso andamento que só o compositor baiano sabia encaixar nos sambas. 

Vatapá foi gravado, originalmente, pelos Anjos do Inferno, em 1942. Caymmi registraria sua versão em 1957, no LP Eu vou pra Maracangalha. Outros artistas, como Manezinho Araújo, Noite Ilustrada, Gal Costa e João Bosco também gravariam o samba-receita. 

Aprenda com Caymmi como preparar este prato delicioso, umas das riquezas gastronômicas da Bahia.


Ingredientes:

- Fubá
- Dendê
- Nega baiana que saiba mexer
- Castanha de caju
- Pimenta malagueta
Amendoim
- Camarão
- Coco ralado
- Sal
- Gengibre
- Cebola

Custo total:

- Dez mil réis

Modo de preparo:

Quem quiser vatapá, ô
Que procure fazer
Primeiro o fubá
Depois o dendê
Procure uma nega baiana, ô
Que saiba mexer
Que saiba mexer
Que saiba mexer

Bota castanha de caju
Um bocadinho mais
Pimenta malagueta
Um bocadinho mais
Amendoim, camarão, rala um coco
Na hora de machucar
Sal com gengibre e cebola, Iaiá
Na hora de temperar

Não para de mexer, ô
Que é pra não embolar
Panela no fogo
Não deixa queimar
Com qualquer dez mil réis e uma nega ô
Se faz um vatapá
Se faz um vatapá
Que bom vatapá

Vatapá (Dorival Caymmi) - Anjos do Inferno (1942)
Vatapá (Dorival Caymmi) - Dorival Caymmi (1957)

4 de fevereiro de 2013

Pega o Lenço e Vai 2013


"São Pedro colaborou!", pensaram todos, quando sobre a manhã do dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá, se abateu um luminoso Sol. Era dia de desfile do Bloco de Samba Pega o Lenço e Vai. A celebração era justa: durante toda a semana, bem como nos ensaios e no desfile do ano anterior, choveu. Parecia uma resposta da natureza ao samba "Pobre bem-te-vi" (... o céu chorou pois não pode suportar / o lamento angustiante que um pobre pássaro fez soar...), de Tuco e Lo Ré, que contagiou os integrantes da agremiação no primeiro ano de desfile, em 2011.

A comemoração, no entanto, foi precipitada. À medida que as horas avançavam, as nuvens negras se aproximavam. O céu queria chorar, pois não poderia suportar o cantar feliz que aquele bloco se faria soar. Quando, finalmente, os sambistas se postaram à rua, no primeiro rufar de tamborim, caiu a primeira gota. O céu já estava completamente escuro.

Mesmo assim, o "esquenta" começou. O samba era Saudade dela, composição feita há mais de 40 anos por João do Violão, compositor de mão cheia, autor - ao lado de Luiz Antônio - de um dos maiores clássicos da música brasileira, Eu bebo sim. Tendo feito a composição, originalmente um maxixe, há tanto tempo, é natural que a emoção de vê-la ser entoada por um Bloco de Samba uníssono tenha sido tão grande. 

Enquanto se esquentava o Bloco, repetindo, por vezes e mais vezes, Saudade dela, o céu, finalmente chorou. E chorou pra valer. Abriu o berreiro. Não podemos chamar de tempestade tal precipitação. Era dilúvio mesmo. A solução foi migrar para dentro do Centro Cultural Dona Leonor, sede do Bloco e do Projeto Samba de Terreiro de Mauá, e esperar o aguaceiro passar. 

Como o dilúvio demorou a passar - a calçada virou rio e muita água entrou para dentro do antigo Bar do Buiú - o jeito foi continuar esquentando o coro, o couro e as cordas, cantando os sambas dos anos anteriores. 

Quando, finalmente, a chuva cessou, os foliões (que neste caso fazem mais que folia, pois o Bloco visa fortalecer a memória social brasileira - são, portanto, também, militantes) novamente se organizaram para descer a Rua San Juan. Após novamente ser entoado o antigo maxixe ("Era saudade dela, perdi um amor e ganhei uma saudade / outro amor seria a solução pra minha dor..."), o contingente começou a descer a ladeira.

Na sequência veio o samba enredo, composto pela trinca Edinho, Léo e Danilão, que também fizeram as homenagens a João Candido e Luiza Mahin, figuras de destaque da negritude brasileira, nos anos anteriores. É importante ressaltar que um dos principais intuitos do Pega o Lenço e Vai é fortalecer a Lei 10.693/2003, que garante o ensino da história do negro nas escolas. Como a lei custa a pegar, o Bloco faz sua parte, evocando o valor daqueles que a historiografia "oficial" prefere minimizar.

Eis o samba:


Luiz Gama, o trovador da liberdade (Danilão / Leonardo / Edinho)

Nascia na Bahia de São Salvador
O grande Getulino trovador
No comércio da ilegalidade foi vendido como escravo
Aos dez anos de idade, não desistiu e lutou
Lutou, lutou
Contra a monarquia do escravizador
E pelo escravo Jacinto foi inspirado a fazer seu maior feito
E então foi coroado como rábula nos tribunais
Quinhentos negros ou mais por ele foram libertados

Eis aqui, o nosso Orfeu de carapinha
Luiz Gama, o grande Getulino libertador

O samba estava na rua, as melodias eram emanadas pelo asfalto, contagiando curiosos, que saiam à janela, se penduravam nas varandas e deixavam o comércio por um instante para beber desta rica vertente da música brasileira, marginalizada, há décadas, pela indústria cultural. Seguiram-se os sambas: Velhos professores (Saci e Edinho), Lágrimas (Fernando Paiva e Tuco), Lua cruel (Lo Ré) e Por que choras? (Careca, Edinho e Marcelo Baseado)

Uma tradição firmada pelo Bloco no primeiro Carnaval manda que, todo ano, um samba curto seja cantado, para os versadores mandarem o recado. Como nos outros carnavais, o samba foi de Careca:

Sai da minha frente (Careca) 


Pode chegar com a sua bateria
Eu sou valente
Meu pessoal é de antigamente
Vai atropelar
Sai da minha frente!

Foi com os improvisos dos partideiros presentes que findou-se mais um desfile do Bloco de Samba Pega o Lenço e Vai!, encerrando mais um ciclo, iniciado em outubro de 2012, quando foi definido que o tema do Carnaval deste ano seria Luiz Gama. 

Agora, é preciso manter a chama acesa, o estandarte levantado. Para isso, é necessário que o Bloco fique em atividade durante todo o ano. Será neste 2013 que se iniciarão os encontros do chamado "meio de ano"? Uma Ala de Compositores de talento já existe, vontade de cantar os sambas novos e seguir compondo também não faltam. Debates a respeito desta proposta já foram realizados.

Confira abaixo a proposta do Bloco, o enredo deste ano e as letras dos sambas:



30 de janeiro de 2013

Plínio Marcos e Os Pagodeiros da Pauliceia

Hoje, na coluna "Batucando", do site Nota de Rodapé, uma homenagem a Plínio Marcos, sambista da pesada da Pauliceia. Confira!

Ilustração de Kelvin Koubik.

29 de janeiro de 2013

Um artigo de Mano Décio da Viola

Dados dos carnavais antigos na "Praça Onze de Junho", por Mano Décio da Viola (publicado no encarte do disco "História das Escolas de Samba, volume 8", em 1976)


24 de janeiro de 2013

Tristeza (A tristeza me persegue) (Heitor dos Prazeres - João da Gente)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

"A tristeza me persegue
Ora, vejam que martírios meus 
Muito embora na orgia 
Eu não tenho alegria"

Os versos de Heitor dos Prazeres contagiavam os sambistas de Oswaldo Cruz. Era um legítimo samba de terreiro, curto, contagiante, feito de apenas uma parte. A segunda, os versadores, hábeis na arte da improvisação, e dotados de voz possante, é que davam o recado. Havia um que era especialmente bom: João da Gente. 

Heitor dos Prazeres era sambista que tinha trânsito no asfalto e no morro - no caso da Portela, roça, mesmo, já que na primeira metade do século passado, a urbanização ainda não havia chegado às regiões afastadas de Oswaldo Cruz. Foi levado para a agremiação azul e branca pelas mãos de Paulo da Portela e, bamba que era, emplacou grandes sambas naquele terreiro. Como também era personagem de destaque do cenário do samba "da cidade", gravava muito, levando, eventualmente, alguns sucessos de sua Escola para a cera dos 78 rotações por minuto. 

O samba "Tristeza (A tristeza me persegue)" foi gravado em 1930, por Januário de Oliveira, em uma época em que os registros ainda tinham grande influência do maxixe - logo suplantado pelo ritmo desenvolvido no Estácio de Sá, que persiste até os dias de hoje. 

Este ritmo quente já se faz presente, com tamborins afiados, na gravação de Roberto Paiva, de 1944. Esta versão, no entanto, traz como parceiro de Heitor dos Prazeres, ao invés de João da Gente - que criou os versos registrados na gravação original -, o compositor Herivelto Martins. 

Heitor modificou a primeira parte e Herivelto criou uma nova segunda. O samba ficou assim:

A tristeza me persegue
Aumentando os sofrimentos meus
Vai-se a noite e vem o dia
E eu não tenho alegria (eu, não)

Deve haver um responsável
Pela minha solidão
Sempre existe algum culpado
E a tristeza é de um coração

Quando Paulinho da Viola reuniu a Velha Guarda da Portela e concebeu o disco "Portela Passado de Glória", João da Gente regravou o samba, com a primeira parte original e outros versos de improviso. Depois a música seria gravada, ainda, duas vezes: por Zeca Pagodinho, em 1998, e por Nilton Paes, em 2003.

Escute, abaixo, as três primeiras gravações da música.

Tristeza (A tristeza me persegue) (Heitor dos Prazeres - João da Gente) canta Januário de Oliveira - 1930
A tristeza (Heitor dos Prazeres - Herivelto Martins) canta Roberto Paiva - 1944
Tristeza (A tristeza me persegue) (Heitor dos Prazeres - João da Gente) canta João da Gente - 1970

 

10 de janeiro de 2013

Os sons dos negros no Brasil (José Ramos Tinhorão)


Quando Joaquim Callado compôs “Flor Amorosa”, por volta de 1870, e o classificou como choro, nasceu a música popular brasileira. Muito se estudou sobre os anos que se seguiram, muito se escreveu sobre os gêneros populares que surgiram a partir daí, mas pouco se pesquisou sobre o que antecedeu o nascimento da nossa música popular. Os documentos e estudos anteriores a esta data são escassos e a raiz negra da música brasileira era vista com extremo preconceito por parte da elite branca “civilizada” – cabe destacar que, quando Joaquim Callado criou a melodia brejeira do seminal choro, vivíamos, ainda, sob a égide da escravidão.

Disposto a destrinchar as raízes negras de nossa música, no entanto, o pesquisador e musicólogo José Ramos Tinhorão foi atrás da parca documentação existente entre os séculos XVI e XIX sobre as influências africanas na gênese de nossos ritmos populares e analisou o surgimento e desenvolvimento dos autos, folguedos e cantos de trabalho dos negros no Brasil.

Valendo-se de relatos de viajantes, cartas de missionários, manuscritos, poemas satíricos e até mesmo refazendo traduções mal-feitas e descobrindo novos significados em documentos que passaram batidos pela historiografia tradicional, o autor cumpriu, com louvor, tal propósito. Fruto desse minucioso trabalho de pesquisa, o livro “Os sons dos negros no Brasil – Cantos, danças, folguedos e origens” é obra indispensável para quem deseja conhecer melhor as origens de nossa cultura popular.

O livro é divido em quatro partes. Na primeira delas, o autor traça, com detalhada riqueza de informações, fruto de pesquisas em documentos do século XVI, o início da presença negra no Brasil – antes mesmo da determinação, por parte da Coroa Portuguesa, do uso ostensivo de escravos africanos em nossa terra, os fidalgos que por aqui desembarcavam já se valiam do uso de negros para trabalhos domésticos.

À época da conquista portuguesa das terras brasileiras, já era numeroso o contingente de cativos a serem explorados no país europeu, pioneiros na triste prática da escravidão, em larga escala, de habitantes do continente negro. As cartas destes lusitanos que por aqui chegavam, relatos da incipiente dominação promovida no Brasil, são as principais fontes de pesquisa do atento pesquisador.

A segunda parte, “Músicas,danças e cantos de negros”, trata do surgimento da música negra profana, dessacralizada, surgida daquilo que se chamava, genericamente, de batuques. As músicas religiosas trazidas pelos negros da Mãe África, aos poucos vão perdendo o caráter sagrado e, do caos sonoro que se caracterizava em sua origem, vão ganhando canto e dança, gerando novas estruturas rítmicas e melódicas, que logo caem no gosto das classes populares – às vezes, alcançando, até, os salões.

É interessante notar que o fado e a fofa, música e dança nacionais portuguesas, respectivamente, tiveram origem no Brasil, mas se estabeleceram e se desenvolveram no país europeu, desaparecendo por completo por aqui. O fado é brasileiro. Por aqui, no entanto, foi concebido como dança, e, ao ganhar canto e estruturas melódicas e rítmicas na Metrópole, tornou-se música popular. Já o lundu também atravessou o continente, mas não chegou a cativar os lusos como cativou os brasileiros – por aqui, também se transformou de dança para música, o lundu-canção.

O samba primitivo, assim como outros cantos e danças originadas do batuque africano, tinha como peculiaridade o uso da umbigada (semba, em quimbundo). Cultivado em áreas rurais, deu origem ao partido alto e à batucada, no Rio de Janeiro. Cultivado paralelamente ao tango brasileiro - o tanguinho - e ao maxixe, na então Capital Federal, ganhou sua roupagem definitiva com os negros do Estácio de Sá bem depois, já na década de 1930.

Cabe ressaltar que diversos ritmos e festejos espalhados pelo Brasil eram chamados de samba, já que o uso da umbigada era comum a estas manifestações culturais. Explica Tinhorão: “A paganização definitiva dos antigos batuques africanos, afinal transformados desde fins do século XVIII em simples diversão de escravos, crioulos, mulatos e gente das baixas camadas, não apenas permitiu o aproveitamento de um de seus momentos coreográficos, sob o nome de lundu, mas acabou conferindo ao próprio batuque o nome de samba, quando o elemento angolano da umbigada veio neles prevalecer”.

Segundo o autor, ao detalhar o legado da musicalidade negra à música popular brasileira do século XX, “os negros, mestiços e brancos das classes mais baixas continuaram herdeiros do batuque, cultivando até hoje a batucada, o bate-baú, o lundu, o coco, o caxambu, o jongo, o tambor de crioula, e todas as modalidades surgida no calor dos sambas. Inclusive o próprio samba e o velho partido alto, ainda tão populares e tão cheios de sabor que a própria indústria de massa não hesitaria em revivê-los comercialmente na década de 1980 sob o nome de pagode.” Cabe destacar que o livro foi publicado em 1988, época em que o chamado "samba de raiz" agonizava nos meios radiofônicos e fonográficos.

“Autos e folguedos negros” e “Os cantos de trabalho dos negros da cidade e dos campos” completam a análise sobre as origens da musicalidade negra em nosso país pelo musicólogo marxista. Ao analisar as congadas, José Ramos Tinhorão volta à África e analisa como o Reino do Congo legou um folguedo a Portugal e, depois, ao Brasil. De acordo com o musicólogo, do primitivo auto de coroação dos reis de Congo surgiram vários outros folguedos, como os maracatus do Recife, os afoxés da Bahia, as taieiras de Sergipe, os cambindas da Paraíba e os moçambiques do Centro-Sul.

Finalmente, o livro aborda os cantos de trabalho, praticados ainda no continente negro e trazidos para o Novo Mundo pelos negros escravizados. Alguns deles chegaram aos dias atuais graças ao brilhante disco “O Canto dos Escravos”, de Geraldo Filme, Clementina de Jesus e Tia Doca. O trabalho foi lançado no início dos anos 80, mas o autor não chega a citá-lo no livro - Tinhorão apresenta, no entanto, alguns cantos recolhidos por Aires da Mata em "O Negro e o garimpo em Minas Gerais", que foram registrados no disco lançado pela Eldorado em 1982. 

“Os sons dos negros no Brasil – Cantos, danças, folguedos e origens” é mais uma brilhante contribuição de José Ramos Tinhorão para a memória sociocultural do Brasil. Ao vasculhar documentos e destrinchar os caminhos sonoros percorridos pelos negros no Brasil Antigo, o autor dá subsídios para futuras pesquisas musicais, que, certamente, abarcarão, com mais riqueza, este período da “pré-história” da música popular brasileira.

Os sons dos negros no Brasil – Cantos, danças, folguedos e origens
José Ramos Tinhorão
Editora: 34
Ano: 2008 (1ª edição: 1988)
Preço: 39 reais

4 de janeiro de 2013

O samba carioca de Wilson Baptista

Dando início às homenagens ao centenário de Wilson Batista, celebrado neste ano de 2013, reproduzo aqui uma resenha sobre o disco "O Samba Carioca de Wilson Baptista", publicada em julho de 2011 na revista Carta Capital. Segue o texto na íntegra, sem cortes.

Garimpo, em tempo

Wilson Batista, autor de clássicos do carnaval (do samba e da MPB) como “Emília”, “Bonde São Januário” e “Oh, Seu Oscar”, teve o primeiro samba gravado, “Por favor vai embora”, há 79 anos. Desde então, dezenas de intérpretes de várias gerações registraram suas canções. Mas faltava um trabalho de “garimpo” em sua obra à altura de sua importância para a música brasileira.

O Samba Carioca de Wilson Baptista, esmerado projeto de pesquisa de Rodrigo Alzaguir, homenageia o sambista com um álbum-tributo (duplo), trazendo composições inéditas (nove), registros caseiros raros (dois) e um musical (na íntegra). São crônicas, que retratam o Rio Antigo, o samba, a malandragem, o trabalho e as mulheres. Um resumo da biografia do artista.

O álbum é dividido em duas partes. O Disco Um é a “Reserva Especial”, que traz uma seleção de músicas raras, inéditas ou jamais regravadas. Participam das gravações: Cristina Buarque, Elza Soares, Wilson das Neves, Samba de Fato, Nina Becker, Rosa Passos, Marcos Sacramento, Tantinho da Mangueira, Teresa Cristina, Céu, Mart'nália, Zélia Duncan, Cláudia Ventura, Rodrigo Alzuguir e Roberto Silva (que conviveu com Wilson Batista e agora, nonagenário, regrava alguns sambas). Destaques para “Não sei dar adeus” (gravada em 1939), parceria com Ataulfo Alves, interpretada por Marcos Sacramento e a marcha-rancho inédita “Nelson Cavaquinho”, por Teresa Cristina.

O segundo disco é o “Espetáculo”. Trata-se da trilha sonora do espetáculo “O samba carioca de Wilson Baptista”, encenado e cantado por Rodrigo Alzuguir e Cláudia Ventura em uma aplaudida temporada nos teatros do Rio. O musical traz passagens da vida de Wilson Batista, seus principais personagens (como Etelvina, Emília, Seu Oscar e Chico Brito), a famosa polêmica com Noel e vários sucessos. 

O Samba Carioca de Wilson Baptista é um disco que foge do óbvio. Ao resgatar a obra, ilumina a biografia do sambista. Resgatando o passado, ilumina o presente, preparando terreno para as futuras gerações de sambistas.


Ano Herivelto Martins

Em 2012, o genial compositor Herivelto Martins completaria 100 anos. Atentos a relevância do fato, sambistas de Belo Horizonte e Ouro Preto realizaram uma belíssima homenagem a este baluarte da música popular brasileira.

Em outubro, escrevi um texto para o site Nota de Rodapé sobre a celebração, que dignificou o nome deste sambista, colocando o nome Brasil 41, definitivamente e com destaque, no mapa do samba brasileiro.



3 de agosto de 2012

Todo amor (Carlos Cachaça - Cartola)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Há 110 anos, nascia um dos maiores gênios da música popular brasileira, um ás dos versos e das melodias, Carlos Moreira de Castro, o Carlos Cachaça.

Parceiro de Cartola em clássicos como Tempos Idos, Quem me vê sorrindo e Alvorada, o poeta de Mangueira legou para a cultura brasileiras pérolas de inestimável valor. Todo amor foi registrado no único álbum do sambista, lançado em 1976, quando o compositor tinha 74 anos de idade. A parceria, também, é com o Divino.

Todo amor (Carlos Cachaça - Cartola)

Todo amor, no princípio tem sabor
Tem perfume, tem odor
Que embriaga o coração 
Mas depois é uma taça incolor
Que só contem amargor,
Dissabor e maldição 

Todo amor principia com beijos e risos
E no princípio forma um paraíso
E depois com o tempo um dos dois vem a se arrepender
Um amor para gozar e outro para sofrer

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O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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