21 de janeiro de 2010

Ô Seu Barbosa!

Adoniran 100

Em 2010, celebramos o centenário do maior nome do samba paulista de todos os tempos, João Rubinato, popularmente conhecido como Adoniran Barbosa. Para honrar e dignificar ainda mais seu já consagrado nome, diversas homenagens serão rendidas a ele. O Couro do Cabrito, compartilhando desse mesmo espírito de louvação, designou o ano de 2010 como o “Ano Adoniran Barbosa”. E nesta primeira postagem do ano a respeito desse grande mestre, o destaque é para duas séries de shows que acontecerão em São Paulo nos próximos dias.

A partir de hoje (dia 21) até a próxima quarta-feira (27), teremos apresentações diárias na Casa de Francisca. Maurício Pereira abre a programação, seguido por Wandi Doratiotto e Danilo Morais na noite de sexta. No sábado, o cantor Passoca, que tem um disco gravado só com inéditas de Adoniran, é a estrela da noite.

Paulo Vanzolini, outro monstro sagrado do samba de São Paulo, terá a honra de se apresentar duas vezes, no domingo (24)e na segunda (25), aniversário da cidade de São Paulo. Na terça, Roberto Seresteiro, uma das boas revelações da noite paulistana, canta alguns sambas do mestre Adoniran acompanhado de ótimos instrumentistas como Lucas Arantes (cavaco), João Camareiro (violão e cordas) e Alfredo Castro, o popular Alfredão (percussão).

Por fim, fechando esta valorosa série de shows,teremos apresentação de Kiko Dinucci, excelente artista (tanto no campo da música como nas artes gráficas) e admirador incansável da obra de Adoniran. Os ingressos variam de 19 a 53 reais.

A outra série de apresentações se dará no SESC Vila Mariana, onde será lançado o CD em homenagem aos 100 anos do sambista. Maria Alcina, Cristina Buarque, Virgínia Rosa, Verônica Ferriani, Patty Ascher, Oswaldinho da Cuíca e Márcia Castro subirão ao palco nos dias 23, 24 e 25 de janeiro. Os ingressos mais baratos serão comercializados a R$ 7,50 e os mais caros a 30 reais.

Casa de Francisca: Rua José Maria Lisboa 190, Jardim Paulista - São Paulo/SP
SESC Vila Mariana: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana - São Paulo/SP

18 de janeiro de 2010

Belas notícias dum Brasil

Eduardo Gudin sabe bem como se transmitem boas notícias. Boas “Notícias dum Brasil” que é rico, garboso, pujante e modelo de beleza e requinte. Este Brasil musical que ele ajuda a moldar tão bem só tem a ganhar com ele. Sim, porque, como bom garimpeiro de talentos musicais, ele sabe reconhecer o ouro, lapidar e apresentar, como ninguém, esses talentos.

No último sábado, Gudin esteve presente no teatro do Sesc Pompéia. Ao seu lado, seus amigos. Talentos garimpados por ele. Boas notícias reportadas por ele. Três gerações de intérpretes, nomes consagrados e outros que certamente ainda despontarão no cenário: Mônica Salmaso, Renato Braz, Márcia Lopes, Luís Bastos, Fabiana Cozza, Maria Martha, Edson Montenegro, Luciana Alves, Marilise Rossatto, Selma Boragian, Ilana Volcov, Karina Ninni e Maurício Sant’ana fizeram do teatro do Sesc Pompéia um grande e inesquecível evento.

Gudin cantou os sambas que gosta de cantar com seus amigos. Cantou seus clássicos. Cantou sambas inéditos. Os belos arranjos foram emoldurados pelas interpretações impecáveis de Milton Mori (cavaco/ bandolim) e Teco Cardoso (sopro). A batucada, fina e sem atropelos, ficou por conta de Oswaldo Reis, Raphael Moreira, Ewerton de Almeida e Jorginho Cebion, sendo que este último acompanha Gudin, na boemia e na música, há décadas.

Na platéia estavam alguns de seus grandes amigos como Paulo Vanzolini e Fernando Faro, diretor artístico do show. Dona Inah, que recentemente gravou um disco só com sambas de Gudin, também marcou presença na confraternização, que emocionou a todos os presentes.

Satisfeitos com as notícias dum Brasil que Gudin nos presenteia, esperamos, ansiosos, pelas boas novas.

Avaliação: **** (ótimo)

15 de janeiro de 2010

Eduardo Gudin e Notícias Dum Brasil se apresentam no Teatro do SESC Pompéia


Compositor de grande talento e um dos maiores expoentes do samba de São Paulo, Eduardo Gudin abre o ano de 2010 comemorando 15 anos do surgimento de seu grupo, o Notícias Dum Brasil. Para celebrar tal data, o artista se apresentará ao lado de seu conjunto no Teatro do Sesc Pompéia neste final de semana (dias 16 e 17). O evento contará com a participação de intérpretes que integraram as primeiras formações do Notícias Dum Brasil como Fabiana Cozza, Mônica Salmaso, Renato Braz, Luciana Alves, Márcia Lopes, Luís Bastos, Maria Martha, Edson Montenegro, Luciana Alves, Marilise Rossatto e Selma Boragian.


Juntamente com o grupo, Gudin gravou três discos: “Eduardo Gudin & Notícias Dum Brasil” (1995), “Pra tirar o chapéu” (1998) e “Um jeito de fazer samba” (2006), sempre atingindo sucesso de crítica. Neste espetáculo, deve apresentar sambas registrados nesses álbuns, além de alguns clássicos de sua obra como “Velho ateu” (com Roberto Riberti) e “Longe de casa eu choro” (com Paulo Vanzolini).


Eduardo Gudin subirá ao palco acompanhado de Ilana Volcov, Karina Ninni, Maurício Sant’anna, Osvaldo Reis, Jorginho Cebion, Ewerton de Almeida e Raphael Moreira, sendo esta a atual formação do conjunto. Além deles, Teco Cardoso (sopros) e Milton Mori (cavaquinho e bandolim) completam o escrete. A direção fica por conta de Fernando Faro, amigo pessoal do músico e idealizador do programa ENSAIO, da TV Cultura. Os ingressos variam de 7 a 28 reais.

Homenagem a Ataulfo Alves

Dando continuidade às celebrações do centenário de Ataulfo Alves (1909 - 1969), o SESC Pinheiros apresentará, neste próximo final de semana, um espetáculo em homenagem ao grande compositor e cantor mineiro, autor de clássicos como "Ai que saudade de Amélia", "Leva meu samba" e ""Laranja Madura".

Quem irá se apresentar no palco do Teatro Paulo Autran será o filho do mestre, Ataulfo Alves Jr., juntamente com a cantora Milena. Zezé Motta, Maria Alcina (no sábado), Fafá de Belém e Amelinha (no domingo) serão as convidadas especiais.

Os ingressos variam de 3,50 a 15 reais.

8 de janeiro de 2010

Comunas do samba

São Paulo vê, já há alguns anos, surgir em seus bairros, subúrbios e cidades-satélites diversas agremiações de sambistas, ora chamadas de “comunidades”, ora chamadas de “projetos”, ora sem denominações formais, que têm como alicerces o profundo respeito e compromisso com o samba e a questão social, que o samba - da mesma maneira do que ocorria décadas atrás nas escolas de samba - pode proporcionar, servindo de instrumento de lazer e comunhão às comunidades locais, muitas vezes desprovida dos mais básicos recursos.

Atento a este movimento e mantendo a tradição de sempre valorizar o samba, o SESC Pompéia apresenta, a partir de hoje o “Comunas do Samba”, uma série de oito shows de diferentes “comunidades”, que se apresentarão com seus respectivos “padrinhos”. É uma vitória para os sambistas que desenvolvem, com louvor, atividades que honram e dignificam nosso samba.

Conversei com Marcos Villas Boas, do núcleo de música do SESC Pompéia, para saber mais sobre esta iniciativa:

De onde surgiu a ideia de realizar esta série de shows, reunindo os sambistas dessas diferentes comunidades com outros artistas mais consagrados do grande público?

Não foi uma criação e sim uma constatação de um movimento que está acontecendo aqui em São Paulo. Percebemos que existem trabalhos de grupos de alguns bairros que começam a promover rodas de samba e a comunidade acaba participando e se apropriando disso, transformando num evento social. É um movimento que estamos vivendo e a finalidade foi captar isso e transformar num evento.

Como foi o critério de seleção das comunidades?

Fizemos uma assessoria, falamos com a Jussara Sales, que está por dentro das comunidades e a chamamos para ajudar a compor isso. Ela pesquisou e fizemos um levantamento das comunidades. Das várias selecionadas, escutamos áudios, assistimos vídeos no youtube e também fomos lá conhecer. Por fim, selecionamos o que achamos mais representativo, de varias linhas e de vários cantos de São Paulo e até expandimos um pouco, passando por Campinas e Santos.

E como se deu a escolha dos artistas convidados a se apresentar junto a estes sambistas?
Cada comunidade convidou um “padrinho”, alguém que dê um aval de qualidade, importância, ao grupo.

Como espera a repercussão do evento?
A choperia do SESC Pompéia é um espaço diferenciado para assistir um show, dá pra dançar, é diferente do teatro. E já tem uma tradição, temos um público que sempre acompanha os shows. Então queremos apresentar a esse público o que está acontecendo, às vezes do lado da casa dele, e que muitas vezes a gente desconhece.

Esta iniciativa serve para dar um espaço cada vez maior para estes sambistas anônimos dos vários cantos de São Paulo?

O SESC tem uma tradição nisso... Por exemplo, vamos apresentar alguns shows de artistas gravados pela aquela série Memória do Samba Paulista (série de discos de samba paulista produzidos por T. Kaçula e Renato Dias). Então é uma forma de incentivar. Acho que é importante ressaltar que o SESC vai sempre além da questão puramente estética e musical, ele tem a ver com a questão da comunidade, da comunhão. Temos um trabalho de base, de ensino, de educação musical, de resgate do samba de raiz, trabalhos de alfabetização de adultos, etc. E é o trabalho social que sustenta estas comunidades. Não é só ir lá, tomar cerveja e sambar. Tem a festa, a celebração, que eu acho fundamental, mas tem uma coisa do dia-dia, do cotidiano da comunidade. Como a comunidade trabalha a questão da cidadania, a questão da saúde, da educação... Então muitos desses projetos têm um vínculo forte com essa questão social. Para o SESC é importante apoiar essas comunidades em função desses trabalhos de base que eles desenvolvem

SERVIÇO:
08/01 - Projeto Samba Autêntico e Virgínia Rosa
09/01 - Tias Baianas Paulistas e Dona Inah
15/01 - Samba da Laje e Serginho Meriti
16/01 - Pagode do Cafofo e Maurílio de Oliveira
22/01 - Roda de Samba Ouro Verde e Nelson Sargento
23/01 - Núcleo de Samba Cupinzeiro e Amélia Rabelo
29/01 - Kolombolo Diá Piratininga e Thobias da Vai-Vai
30/01 - Passado de Glória e Wilson Moreira

Os ingressos variam de 4 a 16 reais e as apresentações tem início às 21 horas. Mais informações no site do SESC SP.

4 de janeiro de 2010

Menino Deus (Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Belíssimo samba para abrir o ano, hein?

Menino Deus (Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)

Raiou, resplandeceu, iluminou
Na barra do dia o canto do galo ecoou
A flor se abriu, a gota de orvalho brilhou
Quando o amanhã surgiu dos dedos de nosso senhor
A paz amanheceu sobre o país
E o povo até pensou que já era feliz
Mas foi porque pra todo mundo pareceu
Que o menino Deus nasceu

A tristeza se abraçou com a felicidade
Entoando cantos de alegria e liberdade
Parecia um carnaval no meio da cidade
Que me deu vontade de cantar pro meu amor

30 de dezembro de 2009

Ataulfo Alves - Vida e Obra (Sérgio Cabral)

RESENHAS

Ataulfo Alves é um nome que não poderia deixar de ser lembrado neste ano de 2009. No seu centenário, foi Sérgio Cabral quem colocou o nome do mineiro da pequena Miraí em pauta novamente: lançou uma bela biografia que, assim como outras editadas no passado, mistura grande apuração jornalística, abundância de documentos e informações e vivência no meio do samba - este seu maior trunfo.

Ataulfo Alves - Vida e Obra, lançado este ano pela Lazuli Editora, tem uma leitura empolgante. Permeando a história do grande compositor e cantor que se estabeleceu no Rio de Janeiro em 1927, com tenros 18 anos, a biografia é bastante esclarecedora no que tange a atuação dos chamados "comprositores", por exemplo. Também podemos entender melhor como se dava a questão dos direitos autorais (ele foi um dos fundadores da União Brasileira dos Compositores), como eram as disputas entre diferentes sociedades autorais e como se travou as constantes batalhas dos sambistas para que estas de fato representassem seus associados.

Numa época em que compositores e intérpretes não se misturavam nos estúdios de gravação, Ataulfo quebrou um paradigma: ele mesmo, mediante grande moral que já possuía no início dos anos 40, passou a gravar os seus sambas, com suas indefectíveis "pastoras". Seus sucessos se sucediam a cada ano e ainda hoje não há quem não se lembre dos clássicos Ai, que saudade de Amélia, Atire a primeira pedra, Leva meu samba e Sei que é covardia, só pra citar os mais populares.

Sérgio Cabral, este exímio jornalista e biógrafo de sambistas, abre o livro contando a história do "samba da Amélia", que Mario Lago, parceiro na composição, não gostou à primeira ouvida. Moreira da Silva, Cyro Monteiro, Carlos Galhardo e Orlando Silva também não se empolgaram. Coube a ele, então, gravar. O samba venceu o concurso de Carnaval de 1942 (empatada com a também lendária Praça Onze, de Herivelto Martins e Grande Otelo) é sucesso até hoje. Cabe registrar que a Amélia de fato existiu, e possuía todos os atributos citados na letra - era mesmo "uma mulher de verdade".

A partir do segundo capítulo, ele segue uma ordem cronológica que conta toda a história do sambista, desde sua infância até a morte, em decorrência de um grave problema de úlcera, em 1968. Sergio Cabral se valeu de documentos importantes para traçar o desenvolvimento profissional de Ataulfo. Por exemplo: sendo este sambista, por muitos anos, contratado da Rádio Nacional e estando em posse do biógrafo sua carteira de trabalho, esta biografia traz em seus capítulos toda a evolução de seus rendimentos. Diferentemente da maioria dos sambistas de sua época, Ataulfo teve uma vida relativamente estável.

Com uma discografia tão vasta, era necessário um grande trabalho de pesquisa para que tudo fosse documentado na biografia. Cabral teve ajuda, para isso, do pesquisador Jairo Severiano. Analisando estes dados podemos ver que, nos anos 30 - antes, portanto, de começar a gravar seus próprios sambas - Ataulfo teve como intérpretes nomes do naipe de Almirante, Carlos Galhardo, Orlando Silva, Carmen e Aurora Miranda, Francisco Alves, Déo, Silvio Caldas, Odete Amaral, Cyro Monteiro, etc. Sendo gravado por nomes de peso como esses, gabaritou-se para gravar seus próprios sambas (e também alguns de outros autores como Bide, Cartola, Lupicínio Rodrigues, e até o sambista portelense Alvaiade), também com grande êxito.

Também cabe destaque o acervo iconográfico do livro que traz fotos, correspondências, reproduções de capas de revistas da época e de documentos do sambista.

Relembrando os fatos marcantes da vida e obra deste grande nome da música popular, Sérgio Cabral pôde confirmar: morreu o homem e ficou a fama.

Avaliação: *** (bom)

Ataulfo Alves - Vida e Obra
Autor: Sérgio Cabral
Editora: Lazuli
Ano: 2009
Preço sugerido: R$ 30,00

18 de dezembro de 2009

Gallotti no Clube Anhangüera

Hoje é dia de roda de samba quente no Bom Retiro: pra fechar o ano com chave de ouro, a bola da vez é Gallotti, sambista bom de roda e parceiro de longa data dos Inimigos do Batente. A temperatura promete ser elevada nesta noite de sexta-feira, menos pela meteorologia, mais pelas brasas que ele irá cantar. Todos para lá!!

Inimigos do Batente convidam Gallotti
Local: Clube Anhangüera
Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP
Data: 18/12
Horário: a partir de 22h
Ingressos: R$ 10,00
Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

15 de dezembro de 2009

Quem me ouvir cantar (Aniceto da Portela)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Sobre este samba não há muito que dizer: ele é o puro e singelo sentimento do sambista lírico e apaixonadamente poeta, que, naquele momento de encontro com a felicidade, na hora da luz da inspiração, descreveu com maestria, com melodias que desafiam e causam espanto aos acadêmicos, seus mais nobres e sinceros sentimentos. Temos apenas que escutar para sentir o que o samba verdadeiramente é.

Se não cabe explicação - e realmente não se explica um sentimento humano que é tão passional e, sobretudo, particular - cabe, por outro lado, o registro de que Aniceto José de Andrade, o Aniceto da Portela, é irmão de Mijinha e Manacéa, outros dois compositores de alta patente da ala de compositores histórica da agremiação alviceleste de Oswaldo Cruz. E vale, também, registrar que a primeira gravação desta grande brasa da historia se deu em 1978, com a grande e sempre louvável Clara Nunes, sendo esta interpretação, uma das maiores da carreira da mineira guerreira. Posteriormente, em 2004, Tia Surica registrou, sem o mesmo brilho mas com valor, a jóia rara de um dos maiores compositores de nosso samba.

Quem me ouvir cantar (Aniceto da Portela)

Quem me ouvir cantar
Quem me vir sorrindo assim
Desconhece a mágoa que está dentro de mim
Quando eu parar de cantar e sorrir
Meus olhos estarão chorando
Meu coração penando
Por aquela que tão longe
Vai caminhando
Sem olhar para trás
Não voltará jamais

Ela não deu esperança de voltar
Mas o meu coração não se cansa de clamar
Ela vai não volta mais
Ela não vai voltar para o meu lar


14 de dezembro de 2009

Paulo César Pinheiro e Fabiana Cozza no Bourbon Street

Hoje, no Bourbon Street, Paulo César Pinheiro se apresenta ao lado de Fabiana Cozza na "aula-show" Sala do Professor Buchanan's, que será transmitido ao vivo pela rádio Eldorado FM e pelo Território Eldorado na Internet. Daniel Daibem será o mestre de cerimônias. O compositor falará sua obra (vasta e rica, com mais de mil composições). Fabiana Cozza deverá cantar alguns de seus grandes clássicos.

SERVIÇO

Aula-show na Sala do Professor Buchanan's com Paulo César Pinheiro e Fabiana Cozza
Local: Bourbon Street
Endereço: R. dos Chanés, 127, Moema, São Paulo
Horário: Segunda-feira (14), às 20h
Informações: (11) 5095 6100
Preço: 45 reais

11 de dezembro de 2009

E hoje tem Cristina e Henrique Cazes cantando Noel

Hoje em Belo Horizonte: CRISTINA BUARQUE e HENRIQUE CAZES cantam e contam NOEL ROSA no show SEM TOSTÃO

Conservatório UFMG
Horário: 21 horas
ENTRADA FRANCA

Os ingressos serão distribuídos das 19 às 20 horas no dia do espetáculo.

Cristina Buarque e Terreiro Grande em BH

Depois de São Paulo e Rio de Janeiro, chegou a vez do Terreiro Grande e Cristina Buarque visitarem Belo Horizonte com o espetáculo em homenagem ao Candeia. A apresentação se dará no Conservatório da UFMG, no dia 12 de dezembro, às 21 horas.

Serviço:

Cristina Buarque e Terreiro Grande cantam Candeia
Local: Conservatório UFMG
Endereço: Av. Afonso Pena nº 1534 - Centro - Belo Horizonte
Contatos: (31) 3409 8300 / www.conservatorio.ufmg.br

3 de dezembro de 2009

O dia do samba

Assim como todo dia é Dia do Índio, apesar deles só terem, hoje, o dia 19 de abril, todo dia é dia do Samba. O dia 2 de dezembro apenas simboliza aquilo que vivemos profundamente e intensamente todos os dias, o nosso samba!

Ao contrário do que cantou certa vez Nelson Sargento, o samba não agoniza. Pelo contrário, ele florece, como flores selvagens em jardins e bosques, como portentosos lírios a beira de um rio que corre, perene e límpido, em meio a rica natureza.

Falar sobre samba, hoje, não é tentar explicar qual o papel dos sambistas na mídia, na sociedade e no universo musical oficialesco, e sim estar ciente que nessas rodas de samba que se espalham pelos bairros há um lirismo verdadeiro, que sambistas contemporâneos conseguem transmitir de maneira natural.

O samba sempre habitou nossas mentes e corações, mesmo quando tentaram sufocá-lo. Para existir, ele depende apenas de um coração que quer cantar seus ais, de uma inspiração que quer se reproduzir nas cordas de um pinho, de uma melodia agradável que o sambista assovia.

O samba caminha de maneira natural, e vem ganhando o espaço que era dele e que se perdeu. O samba, com sua riqueza singela, é capaz de fazer despertar na humanidade os sentimentos mais puros.

O dia 2 de dezembro é um dia para se exaltar o samba de maneira oficial. Mas de maneira oficiosa, fazemos de cada dia, o dia do samba.

1 de dezembro de 2009

Ismael, Cristina, Roberto Martins, Samba de Fato e outras cositas mas...

Em duas semanas, Cristina Buarque participou de dois shows-homenagens a valorosos sambistas do passado: Ismael Silva e Roberto Martins. No primeiro, realizado no Teatro Paulo Autran, no SESC Pinheiro, atuou ao lado de Barão do Pandeiro, Ná Ozzetti e Jards Macalé, numa bela apresentação que relembrou clássicos do sambista do Estácio de Sá. Já a segunda apresentação, o tributo ao centenário de Roberto Martins, foi disparado um dos melhores shows do ano, muito pelo magistral acompanhamento do excelente conjunto carioca Samba de Fato.

Cristina e o Samba de Fato (formado por Pedro Amorim, Pedro Miranda, Paulino Dias e Alfredo Del Penho) lançaram, recentemente, um disco em homenagem a Mauro Duarte. O repertório foi fruto de extensa pesquisa e resultou num trabalho belíssimo. Para o show em homenagem a Roberto Martins, também foi feito uma grande pesquisa de repertório, que, combinado aos belos arranjos e à sólida interpretação dos músicos, resultou num melhores shows de samba dos últimos anos. Após o show, Alfredo Del Penho ainda comentou comigo: "E os sambas que ficaram de fora também são excelentes. Foi difícil escolher o repertório".

Alfredo Del Penho é um violonista de mão cheia e canta muito bem. Pedro Amorim toca um bandolim de centro que só vendo e também tem um belo vozeirão. Pedro Miranda bate seu pandeiro com firmeza e Paulino Dias, como bem falou Del Penho, é um atleta. Isso porque ele toca surdo com uma mão e tamborim com a outra, depois toca caixa e surdo e por aí vai. Completando a esquadra, a Cristina Buarque, que só se junta a sambistas que entendem o samba como ela.

E o que falar do homenageado Roberto Martins, autor de clássicos como Pedreiro Waldemar (com Wilson Batista), Barulho no Morro e outras jóias? Brasa!!

Uma esquadra e tanto. Um homenageado e tanto. Um espetáculo e tanto
.

Avaliações:
São Ismael do Samba: *** (bom)
Homenagem a Roberto Martins: **** (ótimo)

27 de novembro de 2009

Tributo a Roberto Martins

Neste fim de semana (sábado e domingo): Cristina Buarque e Samba de Fato interpretam Roberto Martins no Teatro Fecap. É uma homenagem ao seu centenário. Ingressos a vinte reais.
Peso na balança!!!

Carlão do Peruche e Velha Guarda no Clube Anhangüera

Hoje tem samba explosivo no Clube Anhangüera com Carlão do Peruche e a Velha Guarda da escola. Imperdível.

19 de novembro de 2009

São Ismael do Samba


“Aí vem chegando Ismael. Vamos tirar o chapéu”

Ismael Silva, um dos grandes nomes do samba de todos os tempos, é uma personalidade a sempre ser exaltada. Ele foi um dos sambistas do bairro do Estácio de Sá que ajudaram a moldar o samba nesse formato mais próximo dos desfiles carnavalescos e mais distante do maxixe e das danças de salão. Em outras palavras, ele ajudou a levar o samba do salão para a rua.

Parceiro de Nilton Bastos e Noel Rosa, emplacou diversos sucessos nos anos 30. Na década de 60, após perecer alguns anos no ostracismo, voltou a dar as caras, juntamente com outros monstros sagrados do samba, na lendária casa de samba Zicartola. Alguns anos depois, morreu velho, pobre e sozinho, mas deixou um legado riquíssimo para as gerações posteriores.

Em homenagem a sua rica obra, o SESC Pinheiros apresenta, neste próximo final de semana, o espetáculo São Ismael do Samba. Cristina Buarque, Barão do Pandeiro, Ná Ozzeti e Jards Macalé estarão no palco do Teatro Paulo Autran para cantarem sambas clássicos da obra desse gênio da nossa música. O espetáculo foi concebido Heron Coelho.

Serviço:
São Ismael do Samba
Local: SESC Pinheiros (Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo - SP)
Data: 21e 22 de novembro. Sábado, às 21h e domingo, às 18h
Preço: de 5 a 20 reais
Contato: (11) 3095-9400

Seguem dois áudios interessantes sobre Ismael. O primeiro é um depoimento dele para o jornalista Sérgio Cabral (retirado do disco História das Escolas de Samba, de 75) e o segundo é um put-purri em homenagem a ele, com sua participação (do disco O Samba Pede Passagem, de 66).


12 de novembro de 2009

Ministro do Samba (Batatinha)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Hoje é aniversário de 67 anos do Paulinho da Viola. Em homenagem a esta grande figura humana, indubitavelmente um dos maiores gênios da música universal de todos os tempos, posto aqui a homenagem que o sambista baiano Batatinha fez para ele.

O samba foi gravado pela primeira vez pelo próprio autor no disco "Samba da Bahia", de 1973. Em 1998, foi regravado, mais uma vez pelo Batatinha, no disco "Diplomacia". As duas versões estão aqui presentes.

Ministro do Samba (Batatinha)

Eu que não tenho violão
Faço samba na mão
Juro por Deus que não minto
Quero na minha mensagem
Prestar uma homenagem
E dizer tudo o que sinto
Salve o Paulinho da Viola
Salve a turma da sua escola
Salve o samba em tempo de inspiração
O samba bem merecia
Ter Ministério algum dia
Então seria ministro
Paulo César Batista Faria


4 de novembro de 2009

Confraternização (Walter Rosa)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA
Quando escutei pela primeira vez essa série de sambas do Walter Rosa chamada "Confraternização", fiquei logo intrigado. Estava começando a mergulhar no universo do samba e me deparei com um compositor fora do comum. O disco em questão fazia parte da série "História das Escolas de Samba", mais uma das raridades que hoje podem ser baixadas gratuitamente na rede.

Os três sambas em que o compositor portelense vai enumerando nomes de valorosos e desconhecidos sambistas são incríveis. Walter Rosa consegue citar e rimar dezenas de nomes de gente do samba sobre melodias rebuscadas de maneira sublime. O primeiro dos sambas dessa série, inclusive, foi gravado pelo Terreiro Grande em seu disco ao vivo com a Cristina Buarque.

Após algum tempo, conforme eu ia aprendendo mais sobre a história do samba, comecei a notar algumas contradições nos sambas de Walter Rosa. Sim, porque ele anuncia nas gravações que os sambas são de 55, 57 e 59, respectivamente, mas alguns fatos citados no segundo e no terceiro samba aconteceram, certamente, na década de 60.

Ele cita, por exemplo, Paulinho da Viola e seu samba "Sei lá, Mangueira". Discorre sobre o samba-enredo "Chica da Silva", do Salgueiro. Aponta Martinho da Vila como um sambista que já está com "a bola branca". Tudo isso, entretanto, aconteceu nos anos 60.

Fiquei com essas dúvidas um bom tempo, mas relendo o que Sérgio Cabral escreveu sobre essa série de sambas, pude ver que, realmente, Walter Rosa se confundira ao falar o ano de composição dos sambas. Segue o texto do Sérgio Cabral:

Confraternização números 1, 2 e 3 (Walter Rosa) – Walter Rosa, grande compositor da Escola de Samba Portela, resolveu homenagear seus colegas compositores com um samba chamado Confraternização. O samba tornou-se imediatamente importante por registrar nomes de sambistas talentosos mas desconhecidos em sua maioria, pelo grande publico.

O samba Confraternização (feito em fins dos anos 50) foi muito cantado em rodas de samba mas jamais foi gravado. Em virtude da boa receptividade do samba, Walter Rosa decidiu compor o Confraternização nº 2. As referências ao samba Chica da Silva, cantado pelo Salgueiro em 1963, e Semente do Samba, gravado por Clementina em 1965 indicam que o samba foi feito bem depois do primeiro. O Confraternização nº 3 é do fim do anos 60, como se vê pela citação do Sei lá, Mangueira, lançado no festival da Record de 1968, e a Martinho da Vila, que só aí também começava a ter seu nome projetado nacionalmente, ficando “com a bola branca” como afirma Walter Rosa.

Em Confraternização nº 3, Walter fala que “muitos ficaram aborrecidos” e “levaram a cópia do original/ da confraternização nº 1/ ao conhecimento de um jornal”. É que compositor Mazinho, da Portela, fez uma resposta ao samba de Walter Rosa e a letra foi publicada num jornal. Mazinho não fora citado e se colocou até numa posição de humildade, dizendo-se um modesto compositor: “Mas quem sou eu para compor/ Como Ariosto Ventura/ Eu não teria perdido o amor/ De uma certa criatura”.

Walter Rosa nasceu no Rio (no Meier) no dia 5 de março de 1925 e antes de ingressar na Portela, em 1947, pertenceu às Escolas de Samba Filhos do Deserto, Recreio de Inhaúma e Academia de Engenho da Rainha.

Confraternização nº 1 (Walter Rosa)

Envio aqui musicalmente
Cartões de boas festas
A todos poetas e compositores
Espero que esses o encontrem
Contentes e gozando saúde
E feliz em seus amores
Zinco, lá dos Filhos do Deserto
Prefere sempre estar perto das florestas
Ouvindo os pássaros cantando
Cartola se afasta do morro
Mas não vai embora
A saudade lhe devora
De Carlos Moreira, Zagaia e Padeirinho
Com este último
Com quem conversei bastante
Sobre um assunto interessante
Do Nonô do Jacarezinho
Ariosto Ventura de tanto dizer
Vem morar comigo
Se andares direito te darei amor
Se errares te darei só castigo
Ilco, lá do Engenho da Rainha
Uma vez numa tendinha
Me chamou em particular
Walter Rosa, por Deus quero compor
Com você uma glosa
Que não relacione o amor
Silas, viga-mestra do Império Serrano
Lá do alto quando abre-se o pano
Aparece a cantar
És a luz da minha vida para ela
A Serrinha em peso abre a janela
Para ouvir o seu cantor
Candeia, Waldir, Picolino
Manacéia, Alvaiade, Avelino
Monarco e Chatim
Padrões de talento da Portela
Os seus valores não têm fim

Confraternização nº 2 (Walter Rosa)

Renovarei votos de estima
Aos poetas e compositores já citados
Chegou a vez daqueles que ainda
Não foram lembrados
Que vivem escondidos por aí
Com lindas melodias
Que o povo quer ouvir
Noel e Anescarzinho do Salgueiro
Quando lançaram no terreiro
Chica da Silva do cativeiro zombou
Cícero e Helio Cabral da Estação Primeira
Diz que a semente do samba
Quem possui é só Mangueira
Ramon Russo ao passar pelo Império
Foi um caso sério, com aquele tal de Timbó
Foi notório a presença de Osório
Diz o que quis no samba tango
Escreveu como ele só
Assim redigiu
Dançando me viu
E fingiu que não viu
Com aquele cavalheiro ela saiu
Valter Coringa só escreve o fino e bacana
Assim como o grande Cabana
Aidno, Catoni e Evancoé
Este que fez sua transferência
Pra Portela
Tal qual o Jair da Capela
Hoje com Jorge Bubu e Casquinha
Defendem Oswaldo Cruz
Aonde a música seduz


Confraternização nº 3 (Walter Rosa)

Parabenizaram-me
Muitos ficaram aborrecidos
Foi aquele zum zum zum
Dentre os que não foram incluídos
Levaram a cópia do original
Da Confraternização número 1
Ao conhecimento de um jornal
Garanto que não foi
Nenhum dos valores escondidos
Que existem por aí
Por exemplo: Everaldo que eu conheci
Na residência de Antonio Candeia
Para mim foi um dia feliz
Assim como vivem felizes
Carlinhos Sideral, Velha. Matias e Bidi
Enquanto possuírem o samba na veia
Defenderão a sua Imperatriz
Quem não se lembra do talento de Tolito
Geraldo Babão, Zuzuca e Darci
Que só faz samba bonito
Mantive um papo sadio com Aurinho da Ilha
Sobre Paulinho da Viola
E seu sucesso “Sei lá não sei”
Chegou Jorginho dizendo:
Gravei um LP que é só maravilha
Os autores são Pelado
Preto Rico e Leléo
Mostrou-se muito empolgado
Com Martinho de Vila Isabel
Que está com a bola branca
E promete ocupar o trono de Noel


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O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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