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21 de agosto de 2007

Eu gosto de samba cadenciado! parte II

E quem disse que é preconceito não tocar sambas do Cacique de Ramos nas rodas? Preconceito? A palavra correta é “opção”. Preconceito seria se deixassem de tocar estes sambas sem ao menos conhecê-los. Mas eu (falo por mim e pelos sambistas que me acompanham nos pagodes da vida) conheço os sambas de lá. Em geral, não gosto. Fizemos a opção de cantar sambas de outros compositores. Afinal, que culpa tenho eu se gosto mais de cantar Nelson Cavaquinho do que Jorge Aragão? Que culpa eu tenho se prefiro a Dona Ivone à Leci Brandão? Gosto dos sambas da dupla Bide e Marçal. Já da dupla Arlindo Cruz e Sombrinha não nutro muita simpatia.

Já tomei muita bordoada por causa das minhas “opções”. Vou deixar claro algumas coisas. Não tenho preconceito com a turma do Cacique. Tanto é que quando escuto um samba de lá e gosto, eu canto junto. Devem ter uns cinco sambas de lá que eu gosto. E quando cantam nas rodas, eu solto a voz junto. Estão me compreendendo? Não nutro simpatia pelo samba caciqueano. Isso não significa que, quando escuto um samba bom proveniente de lá, eu não goste. Isso sim seria preconceito. Outro dia mesmo estava eu cantando um samba consagrado na voz de Roberto Ribeiro (Ainda resta um pouco de esperança) quando alguém me falou:: “Aí André, cantando Jorge Aragão, hein? Quem diria...” Eu respondi que se fosse bom, eu cantaria mesmo.

Diversos fatores fazem com que eu tenha esta antipatia pelo “pagode” (que originalmente significava “reunião de sambistas para fazer samba”). A aceleração desenfreada, a pieguice dos sambas românticos... Não me satisfazem em nada.

Gosto de samba cadenciado da linhagem dos grandes mestres. E isso é apenas uma opção minha. Para minha sorte, não estou sozinho. Valeu Paulinho Timor, Paulinha Sanches, Edu Batata, Mestre Cebola, Miró Parma, Marcelão Romero, Inimigos do Batente, Samba Rahro e todos que fizeram com que eu aprendesse a gostar de samba em sua mais legítima expressão. Valeu!!!

17 de fevereiro de 2009

Eu gosto de samba cadenciado - Retração final

Retratação é algo pouco usual no jornalismo brasileiro e mundial. É fundamental quando se publica uma notícia errada, mal apurada, mas poucos dão a cara a bater. Preferem deixar que o tempo passe e apague as marcas do passado. Em textos opinativos, é mais raro ainda alguém voltar atrás. E é justamente isso que farei agora.

Ao longo do ano de 2007, escrevi aqui neste blog a infame série de textos chamada “Eu gosto de samba cadenciado”. Não que eu tenha deixado de lado minha predileção por sambas dolentes, da linhagem mais tradicional. Mas acredito que a maneira de tomar esse partido não foi adequada.

Ao criar uma barreira entre os sambas chamados “de raiz” (não gosto desse termo, samba é samba) e o “caciqueano” (também chamado de pagode), em nada eu contribuía. Falar bem de samba e hastear essa bandeira não implica em menosprezar e criticar o pagode.

Lendo os textos que escrevi no passado, eu confesso: não os escreveria hoje. Por quê? Uma coisa é falar que eu prefiro o andamento da linha de samba mais tradicional, outra coisa bem diferente é cair matando em cima daqueles que preferem escutar uma música diferente da que eu ouço.

Estes textos estão lá, para todos lerem, não irei apagá-los, pois refletem o que eu pensava na época. Era menino, me faltava maturidade e não tive o cuidado adequado com as palavras escritas. Hoje vejo que não há a necessidade de ficar separando, dividindo, controlando... Esse processo é altamente nocivo.

O que eu pretendo dizer nesse texto de retratação é que continuo firme nos meus propósitos. O Couro do Cabrito já tem mais de dois anos de luta e sigo manifestando minhas posições, minhas críticas, meus devaneios. Os blogs de apoio (Prato e Faca e Coisa da Antiga) seguem levando samba para aqueles que gostam. Quem acessa e baixa está feliz com a linha que eu sigo. De algum tempo pra cá, conheci um monte de sambista gente boa que vêm me cumprimentar pelo trabalho (um trabalho social, voluntário e que me dá muita satisfação em fazer). Para isso, não preciso ficar esculachando o pagode. Não devo fazer isso e não mais farei. Nunca mais.

Não tem nada a ver ficar querendo criar discussões a respeito de que linha é melhor ou pior. Cada um gosta do que quiser e canta na roda o que quiser. Eu tenho minhas preferências e as divulgo, as valorizo. Sem mais essa de querer ficar atacando o que não me diz respeito. Chega de guerra, de disputa, de enfrentamento. Deixemos as belas poesias e melodias nos alegrar. Venham elas de onde for, destinadas a quem for.

8 de outubro de 2007

Eu gosto de samba cadenciado! parte IV

Purista, conservador, retrógrado, tradicionalista, xiita, talebamba, guerrilheiro do samba... É assim que o pessoal do pagode me chama nas discussões da Tribuna Samba-Choro. Isso porque eu sou um defensor ferrenho do samba (não gosto da denominação “de raiz”).

Minha luta pela valorização do samba tradicional se dá porque eu acho necessário abrir os olhos dos sambistas para a sua história. O samba é muito antigo e tem um monte de sambista bom que caiu (ou está em vias de cair) no esquecimento. Paulo da Portela cantou “O meu nome já caiu no esquecimento/ o meu nome não interessa mais a ninguém”. Seu nome ainda está presente, mas o mesmo não acontece com Brancura, Djalma Mafra, Baiaco, Zé Cachacinha e outros bambas.

Por que eu não falo da turma do Cacique? A mídia já os colocou em evidência, a massa já os abraçou e canta seus sambas (ou pagodes). Eles não precisam de mim.

Meu purismo, de fato, existe. Gosto de sambas que me emocionam, que me tocam. E não tenho culpa alguma se o formato e a estrutura rítmica dos sambas “caciqueanos” não me agradam. Já falei e vou repetir: isso não impede de eu gostar de alguns sambas desta turma tocados sem este “apavoro”, sem a “quebradeira rítmica”, que tanto os caracteriza. Tem samba deste pessoal que é bom, isto é inegável. Minha implicância com eles é que estes bons sambas se transformam numa barulheira com tantos pandeiros de nylon, tantans, banjos e repiques de mão.

O samba é democrático e existem muitas pessoas que não compartilham a mesma opinião que eu. Ainda bem. Só quero deixar claro que minha luta é para evitar que tantos talentos caiam no ostracismo. Ultimamente, eu e o meu parceiro de samba Iuri Bigode temos descoberto lindos sambas da antiga através do Instituto Moreira Salles (do qual falarei com mais calma num futuro próximo). Nessa busca, descobrimos nomes como Djalma Mafra, Paulo Soledade, Príncipe Pretinho, Milton de Oliveira, entre muitos outros. Sambistas de mão cheia!!

Como é bom cantar “Chorou Madureira, chorou Irajá, Salgueiro, Mangueira, Favela, Portela, Estácio de Sá....” na roda de samba. Um samba dos anos 40 de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira consagrado na voz de Aracy de Almeida, que faz a poeira levantar. Saudosismo? Sim. Purismo? Sim.

Não me abalo com as críticas e vou continuar nesta minha missão. Estou entrincheirado nesta batalha e sei que vou levar muito chumbo. Mas não desistirei nunca desta luta. O samba faz muito por mim eu preciso fazer um pouco por ele.


Ilustração: "Roda de samba" - Di Cavalcanti

8 de janeiro de 2007

Eu gosto de samba cadenciado!!!!


Muitos não entendem esta minha posição. Já discuti muito sobre os sambistas do Cacique de Ramos. Eu, particularmente, não gosto. Acho o samba muito acelerado. Mesmo os sambas com certa qualidade, ficam ruins com aquela velocidade.

Sábado, fui numa roda de samba de uns amigos meus. Samba cadenciado, com violão de 7 cordas predominando na harmonia e o ritmo bem sincronizado, mais lento. Até aí tudo bem. Aí, chegou um cara e assumiu o microfone. Ele praticamente só mandou sambas do Fundo de Quintal. Numa roda onde só se manda Candeia, Mauro Duarte, Cartola, Paulinho da Viola, Wilson Moreira... Eu não curti.

Mas, fiquei sozinho, praticamente. Porque apesar dos músicos só tocarem brasas, o público do bar é um público que conhece mais os “pagodes” caciqueanos do que os sambas de terreiro da Portela, Mangueira, Império... Então, quando o cara puxou o samba “...é o Cacique de Ramos....”, a galera foi ao delírio. Nesta hora, eu saí para tomar um ar.

A cantora que acompanhava esta roda é a grande Paulinha Sanches, uma das melhores cantoras de samba de São Paulo. Ela ficou na dela, só esperando a vez dela de mandar sambas “de verdade”. Na primeira oportunidade, cantou Luiz Grande... Depois João Nogueira, Cartola, Paulinho da Viola, Jorge Costa, Geraldo Filme... Aí eu (e os poucos sambistas de fato que estavam no recinto) voltei a cantar. Os “pagodeiros” sentaram e deixaram a pista pra quem realmente é do samba.

Como tudo nesta sociedade de consumo, as coisas boas estão nas beiradas. Se você seguir a linha que a mídia te impõe, você só vai consumir merda. Se você não buscar os sambistas bons, você vai acabar escutando Fundo de Quintal, Almir Guineto, Jorge Aragão... Mas se você quiser, basta querer, você pode conhecer as maravilhas do mundo do samba. E esta busca, se tornará uma busca eterna. Pois o samba bom nunca morreu e nem nunca vai morrer.

foto: Walter Firmo

23 de agosto de 2007

Eu gosto de samba cadenciado! parte III

Agradecendo aos bambas.

Cartola, Candeia, Wilson Moreira, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Noel Rosa, Paulo da Portela, Antenor Gargalhada, Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Mano Décio da Viola, Dorival Caymmi, Walter Rosa, Silas de Oliveira, Dona Ivone Lara, Padeirinho, Carlos Cachaça, José Ramos, Nei Lopes, Monarco, Argemiro, Jair do Cavaquinho, Zuzuca, Zagaia, Baianinho, Elton Medeiros, Clementina de Jesus, Guilherme de Brito, Sinval Silva, Assis Valente, Ary Barroso, Bucy Moreira, Raul Marques, Mestre Fuleiro, Mestre Marçal, Xangô, Tantinho, Babaú, Alberto Lonato, João da Gente, Anescarzinho do Salgueiro, Zé Kéti, Noel Rosa de Oliveira, Geraldo da Pedra, Adoniran Barbosa, Geraldo Filme, Germano Mathias, Henricão, Jorge Costa, Toninho Batuqueiro, Zeca da Casa Verde, Talismã, Batatinha, Riachão, Ederaldo Gentil, Beth Carvalho, Caco Velho, Ataulfo Alves, Roberto Ribeiro, João Nogueira, Paulo César Pinheiro, Casquinha, Velha da Portela, Luiz Grande, Geraldo Babão, Martinho da Vila, Zinco, Manacéa, Mijinha, Aniceto da Portela, Aniceto do Império, Hermínio Bello de Carvalho, Clara Nunes, Mauro Duarte, Walter Alfaiate, Aparecida, Ismael Silva, Bide, Marçal, Haroldo Lobo, Milton de Oliveira, Djalma Mafra, Carmen Miranda, Lamartine Babo, Francisco Santana, Alvarenga, Alvaiade, Avarese, Brancura, Baiaco, Nilton Bastos, Jorge Veiga, Bezerra da Silva, Moreira da Silva, Picolino, Ary Guarda, Carlinhos Bem-te-vi, Manula, Délcio Carvalho, Donga, Pixinguinha, Cabana, Campolino, Cristina Buarque, Baianinho, Roque do Plá, Edson Menezes, Anézio, Joãozinho da Pecadora, Paulo Vanzolini, Vassourinha, Ventura, Rufino, Alcides, Armando Santos, Heitor dos Prazeres, Zé da Zilda...

E tantos outros que, por hora, não me lembrei. Também pudera... Estou sempre conhecendo coisa nova. Afinal, o samba é uma busca eterna...
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O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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