17 de fevereiro de 2009

Eu gosto de samba cadenciado - Retração final

Retratação é algo pouco usual no jornalismo brasileiro e mundial. É fundamental quando se publica uma notícia errada, mal apurada, mas poucos dão a cara a bater. Preferem deixar que o tempo passe e apague as marcas do passado. Em textos opinativos, é mais raro ainda alguém voltar atrás. E é justamente isso que farei agora.

Ao longo do ano de 2007, escrevi aqui neste blog a infame série de textos chamada “Eu gosto de samba cadenciado”. Não que eu tenha deixado de lado minha predileção por sambas dolentes, da linhagem mais tradicional. Mas acredito que a maneira de tomar esse partido não foi adequada.

Ao criar uma barreira entre os sambas chamados “de raiz” (não gosto desse termo, samba é samba) e o “caciqueano” (também chamado de pagode), em nada eu contribuía. Falar bem de samba e hastear essa bandeira não implica em menosprezar e criticar o pagode.

Lendo os textos que escrevi no passado, eu confesso: não os escreveria hoje. Por quê? Uma coisa é falar que eu prefiro o andamento da linha de samba mais tradicional, outra coisa bem diferente é cair matando em cima daqueles que preferem escutar uma música diferente da que eu ouço.

Estes textos estão lá, para todos lerem, não irei apagá-los, pois refletem o que eu pensava na época. Era menino, me faltava maturidade e não tive o cuidado adequado com as palavras escritas. Hoje vejo que não há a necessidade de ficar separando, dividindo, controlando... Esse processo é altamente nocivo.

O que eu pretendo dizer nesse texto de retratação é que continuo firme nos meus propósitos. O Couro do Cabrito já tem mais de dois anos de luta e sigo manifestando minhas posições, minhas críticas, meus devaneios. Os blogs de apoio (Prato e Faca e Coisa da Antiga) seguem levando samba para aqueles que gostam. Quem acessa e baixa está feliz com a linha que eu sigo. De algum tempo pra cá, conheci um monte de sambista gente boa que vêm me cumprimentar pelo trabalho (um trabalho social, voluntário e que me dá muita satisfação em fazer). Para isso, não preciso ficar esculachando o pagode. Não devo fazer isso e não mais farei. Nunca mais.

Não tem nada a ver ficar querendo criar discussões a respeito de que linha é melhor ou pior. Cada um gosta do que quiser e canta na roda o que quiser. Eu tenho minhas preferências e as divulgo, as valorizo. Sem mais essa de querer ficar atacando o que não me diz respeito. Chega de guerra, de disputa, de enfrentamento. Deixemos as belas poesias e melodias nos alegrar. Venham elas de onde for, destinadas a quem for.

3 comentários:

Leonardo Marques disse...

É isso aí, André. Parabéns.

Também sigo defendendo o samba que me traz algum benefício além do cultural; fui por diversas vezes chamado de xiita pela excentricidade nessa defesa. Agora abstraio e guardo para mim os comentários que normalmente fazia às outras 'vertentes'.

É isso.

Léo B2 - Itaquera.

Praça XI disse...

É isso aí, malandro. Só é bom tomar cuidado pois existe uma diferença entre respeito e hipocrisia. Respeito é bom e quem é bom gosta. Hipocrisia, meu compadre... só hipócrita mermo. Então vamos respeitar, mas sem baixar a (velha) guarda.

Na paz.

Bruno Ribeiro disse...

Boa! Humildade para reconhecer um "erro" é para poucos. Coisa de chefe!

Até porque, malandro, há muito "samba cadenciado" ruim, como há muito "pagode" bem feito.

O samba é uma entidade tão forte que ele mesmo se incumbe de eliminar os enganadores, apagando seus nomes da história.

Abraços!

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