8 de janeiro de 2007

Eu gosto de samba cadenciado!!!!


Muitos não entendem esta minha posição. Já discuti muito sobre os sambistas do Cacique de Ramos. Eu, particularmente, não gosto. Acho o samba muito acelerado. Mesmo os sambas com certa qualidade, ficam ruins com aquela velocidade.

Sábado, fui numa roda de samba de uns amigos meus. Samba cadenciado, com violão de 7 cordas predominando na harmonia e o ritmo bem sincronizado, mais lento. Até aí tudo bem. Aí, chegou um cara e assumiu o microfone. Ele praticamente só mandou sambas do Fundo de Quintal. Numa roda onde só se manda Candeia, Mauro Duarte, Cartola, Paulinho da Viola, Wilson Moreira... Eu não curti.

Mas, fiquei sozinho, praticamente. Porque apesar dos músicos só tocarem brasas, o público do bar é um público que conhece mais os “pagodes” caciqueanos do que os sambas de terreiro da Portela, Mangueira, Império... Então, quando o cara puxou o samba “...é o Cacique de Ramos....”, a galera foi ao delírio. Nesta hora, eu saí para tomar um ar.

A cantora que acompanhava esta roda é a grande Paulinha Sanches, uma das melhores cantoras de samba de São Paulo. Ela ficou na dela, só esperando a vez dela de mandar sambas “de verdade”. Na primeira oportunidade, cantou Luiz Grande... Depois João Nogueira, Cartola, Paulinho da Viola, Jorge Costa, Geraldo Filme... Aí eu (e os poucos sambistas de fato que estavam no recinto) voltei a cantar. Os “pagodeiros” sentaram e deixaram a pista pra quem realmente é do samba.

Como tudo nesta sociedade de consumo, as coisas boas estão nas beiradas. Se você seguir a linha que a mídia te impõe, você só vai consumir merda. Se você não buscar os sambistas bons, você vai acabar escutando Fundo de Quintal, Almir Guineto, Jorge Aragão... Mas se você quiser, basta querer, você pode conhecer as maravilhas do mundo do samba. E esta busca, se tornará uma busca eterna. Pois o samba bom nunca morreu e nem nunca vai morrer.

foto: Walter Firmo

9 comentários:

Rui disse...

Olá amigo.
Adorei este seu texto.
So igualzinho a você, não gosto de nada que venha depois de Fundo de Quintal. Mas claro, a exceções, e não estou falando de Arlindo Cruz, somrbinha e outros, estou falando de nova safra, como Teresa Cristina, Fabaiana Cozza, e mais algumas pessoas.
Do resto pra mim é pagode.
Queria saber se posso publicar este texto no meu blog. abração.

Anônimo disse...

Concordo plenamente...
Muito bom seu texto.

Um abraço,
Daniel Moral

Anônimo disse...

André,
qual seu e-mail?
como entro em contato com você?
abraço,
Daniel
sambaraiz@sambaraiz.com.br

Anônimo disse...

André,

Gostaria de parabeniza-lo. Vi que em seu blog se faz muito pelo samba. Também sou um apaixonado. Em seu texto "Eu gosto de samba cadenciado" concordo com suas colocações quando diz que o samba fica mais bonito quando é mais cadenciado, concordo também com os grandes e indiscutíveis sambistas citados, mas quando o termo “samba de verdade” é usado, em minha opinião, você desmerece grandes nomes do samba de hoje e a importância da geração Cacique de Ramos para que muitos chegassem aos sambistas citados como grandes mestres. É claro que seu texto evidencia o seu conhecimento neste tema, e por isso meu respeito, mas acho importante analisarmos o samba como muito mais que um estilo musical, mesmo reconhecendo seu lado comercial.

Saudações,

Christiano Mulato
christiano@versaobrasileira.com.br

Alvarenga disse...

É um tema polêmico, de fato.

Dôga disse...

Também gostaria de utilizar este texto.
Se possível, entre em contato comigo.

dogasambaraiz@gmail.com

joaomvzn disse...

Desculpa, mas acho um tanto quanto ridículo essa nova geração de "sambistas" ficar metendo o pau no Cacique de Ramos e na turma que segurou a onda do samba nos anos 80.
Gosto é gosto. Eu também prefiro os sambas antigos, mas isso não quer dizer que eu ache o Fundo de Quintal ruim e nem tenho necessidade de falar isso de boca cheia.
Acho que isso não passa de uma necessidade pueril de se diferenciar da turminha adolescente classe média que se amarra nos sambas do Fundo e do Jorge Aragão.
Leve essa critica numa boa.
E outra coisa. É um saco ir numa roda de samba em que os integrantes querem parecer mais sambistas que outros e se negam a tocar um Zeca Pagodinho, por exemplo. Acho isso uma bobagem sem tamanho. Vamos tocar um Nei Lopes, um Cartola, um Candeia, mas vamos tocar também um Zeca Pagodinho, um Bezerra e até mesmo um Dudu Nobre, por que não?

Oicram Somar disse...

Que BLOG. Isso dá samba e do bom. Eu que nem sou de roda de samba, moro em São Paulo e nunca tive oportunidade de vivenciar o samba de Verdade assim ao vivo conocordo plenamente, é que eu gosto do samba entende? Ouço desde criança, graças ao meu avô, que me iniciou. A midia manda a galera comer merda dizendo que é a melhor coisa do mundo, neguinho vai lá, come e repete. essa gente vai acordar quando? Bem, mas gosto é gosto...

Anônimo disse...

quando se falar de samba de raiz numca se esqueçar de falar do fundo do nosso quintal moror, irmao sou marido do samba porque amante do samba e coisa de mulher senvergonha valeu...................

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