Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom malandro faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!
31 de março de 2010
Um outro blog de samba
30 de março de 2010
Samba inédito de Babaú da Mangueira
29 de março de 2010
Ri melhor quem ri no fim (José Ernesto Aguiar - Noel Rosa de Oliveira - Raimundo Ferreira Lima)
Depois de três meses de ausência
Volta a implorar clemência
Você esqueceu que me fez penar
E o nosso amor morreu
Quem não lhe quer sou eu
Por favor me deixe em paz
No meu lar você não volta mais
Foi você que me abandonou
Por isso meu perdão eu não lhe dou
Este mundo é mesmo assim
Ri melhor é quem ri no fim
28 de março de 2010
Samba de Terreiro de Mauá em homenagem às mulheres
Local: Bar do Buiú
Endereço: Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá/SP
Data: 28 de março (domingo)
Valor: Grátis
26 de março de 2010
Ao povo em forma de arte (Quilombo 1978)
25 de março de 2010
Agenda Cultural - De 25 a 31 de março
Local: SESC Pompéia
Endereço: Rua Clélia, 93 - Pompéia - São Paulo/SP
Data: 26 de março (sexta)
Horário: 21h
Valor: de R$ 4,00 a R$ 16,00
Projeto Anhangüera dá Samba/ Inimigos do Batente convidam Bira da Vila
Local: Clube Anhangüera
Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo/SP
Data: 26 de março (sexta)
Horário: 22h
Valor: R$ 10,00
Terra Brasileira
Local: Escola Nova Cultura
Endereço: Rua Valdemar Dória, 163 - Belenzinho - São Paulo/SP
Data: 27 de março (sábado)
Valor: Grátis
Ilcéi Mirian canta Clara Nunes
Local: Sesc Ipiranga
Data: 27 de março (sábado)
Local: Bar do Buiú
Endereço: Rua San Juan, 121 - Parque das Américas - Mauá/SP
Data: 28 de março (domingo)
Valor: Grátis
Movimento Cultural Projeto Nosso Samba
Local: Casa de Cultura Afro-Brasileira - Casa de Angola
Endereço: Av. Visconde de Nova Granada, 513 – Km 18 - Osasco/SP
Data: 28 de março (domingo)
Valor: Grátis
Roda de samba com Adriana Moreira e Verônica Ferriani
Local: Galeria Olido
Endereço: Av. São João, 473 - Centro - São Paulo/SP
Data: 30 de março (terça)
Horário: 19h
Valor: Grátis
24 de março de 2010
Nomes de Favela (Paulo César Pinheiro)
23 de março de 2010
Ataulfo Alves em 78 rpm (Odeon - 12.106-a - 1942)
78 rpm
Na biografia de Ataulfo Alves, Sérgio Cabral conta que quando o clássico samba “Ai que saudade de Amélia” - parceria com Mario Lago - nasceu, pouca gente gostou e quase ninguém queria gravar. Ele resolveu, então, gravar seu samba e saiu à cata de alguns instrumentistas na rua da gravadora para fazer o registro. Encontrou Jacob do Bandolim, que pegou um cavaquinho emprestado e foi gravar. O resultado foi que “Ai que saudade de Amélia” se transformou num grande clássico da música popular brasilieira.
O que poucos sabem, no entanto, é que o lado B do disco de 78 rpm continha uma parceria Cartola/Bide que seria regravada pelo Divino décadas mais tarde. Trata-se de “Não posso viver sem ela”, cuja primeira parte, de Cartola, fora cantada pela Mangueira em um carnaval nos anos 30.
Segue, então, o áudio destes dois bons sambas, com o ótimo cavaquinho de Jacob do Bandolim.
Odeon - 12.106-a (1942)
Lado A - Ai que saudades de Amélia (Ataulfo Alves - Mario Lago) - Samba
Lado B - Não posso viver sem ela (Cartola - Bide) - Samba
22 de março de 2010
Barrado
Já há algum tempo, tenho dedicado algum espaço aqui no Couro do Cabrito para cobrir shows e outros eventos relacionados a samba. Com o passar do tempo, adquiri um ótimo relacionamento com assessorias de imprensa e produtoras que promovem estes espetáculos. Como foi de ciência de muitos de vocês, neste último sábado ocorreu o show do Paulinho da Viola (Acústico) no Credicard Hall, e eu me pautei para cobrir este evento, certamente de grande interesse do meu público.
Infelizmente, fui sumariamente desprezado pela assessoria do estabelecimento e lamentavelmente tive que deixar meus leitores na mão. No entanto, vou expor nestas linhas a falta de consideração e total desdém ao qual o Couro do Cabrito, veículo de resistência da cultura popular - que não compactua com tradicionais coberturas à base de jabá e troca de favores - foi submetido.
O Credicard Hall, ao contrário de ótimos teatros e estabelecimentos culturais onde se realizam shows, é um lugar “para ver e ser visto”. Um lugar onde, à preços exorbitantes, você pode ficar papeando à vontade, tomando sua dose de whisky escocês, sem dar atenção e respeito ao artista. Não é um local onde o sambista poderá se apresentar ao seu público. Tanto é que este veículo especializado em samba não pôde entrar no estabelecimento.
Ao tentar efetuar o credenciamento para a cobertura do show não esperava ser vítima de preconceito. Preconceito pelo fato deste veículo ser um blog, preconceito pelo fato de não ser um repórter da grande mídia e preconceito - talvez - pelo fato de ser um jornalista de samba e não um repórter de colunas sociais, muito mais bem ambientados num local onde reina a “pagação”. O assessor de imprensa sequer analisou o conteúdo do blog e sequer teve a preocupação de me retornar, avisando que eu estava fora da festa.
Espero que da próxima vez haja bom senso e a produção de lendários e divinais sambistas como Mestre Paulinho não repitam o erro de se apresentar em locais onde os sambistas tenham de ficar de fora, com isso privando seus leitores de uma resenha crítica do evento.
18 de março de 2010
Agenda Cultural - De 18 a 24 de março
Local: SESC São Gonçalo
Endereço: Av. Pres. Kennedy, 755 - São Gonçalo/RJ
Data: 19 de março (sexta)
Horário: 20h
Valor: de R$3,00 a R$12,00
Pensamentos Contados com Nelson Sargento e Agenor de Oliveira
Local: SESC Engenho de Dentro
Endereço: Avenida Amaro Cavalcanti, 1661 - Engenho de Dentro - Rio de Janeiro/RJ
Data: 20 de março (sábado)
Horário: 19h
Valor: de R$3,00 a R$12,00
Contato: (21) 3822-4830/3822-4842
17 de março de 2010
Samba de Enredo - História e Arte (Luiz Antônio Simas e Alberto Mussa)

16 de março de 2010
Madrugada (Zé Keti)
Que eu não tenho hora pra chegar
Sou boêmio, tenho que beber
Nunca estou em casa pra jantar
Ela diz que qualquer dia vou morrer
Sou da noite, a noite é toda minha
Tenho um compromisso com a lua
Minha vida é andar na rua
A cantar para os amigos meus
Na esquina ou no butequim
Até Deus Nosso Senhor lembrar de mim
Madrugada é a minha companheira
Amanhece eu estou na brincadeira
Vou pra casa, vou dormir, vou descansar
A noite chega, me pede pra voltar
15 de março de 2010
Grêmio Recreativo Escola de Samba da Portela (1972)

Você pode baixar este disco no Prato e Faca.
11 de março de 2010
Agenda Cultural - De 11 a 17 de março
9 de março de 2010
Samba na Serralheira ou Nossas meninas estão de volta

A primeira roda de samba de samba da vida, a gente nunca esquece. Aquele ambiente informal, regado a muita cajibrina e deliciosos quitutes com bons sambistas castigando o couro... Quem não se lembra da primeira vez? E o que dizer quando estes bons amigos, aqueles mesmos que um dia te mostraram todo o encanto e a magia do samba, se organizam novamente para armar a remandiola? Pois é com esta imensa alegria, carregada de boas lembranças, que escrevo estas linhas para divulgar o renascimento de uma das melhores rodas de samba da Paulicéia.
Aprendi muito samba vendo estas meninas cantando: Paulinha Sanches, Mariana Furquim e Flora Poppovic, três cantoras de diferentes timbres e influências, devidamente entrosadas pela escola “roda de samba”. E também aprendi muito de batucada vendo Paulinho Timor, André Barba, Cacá Sorriso e Luana Ozzeti “Barba", craques de primeira ordem. Novamente este time estará junto, envolto pela harmonia de Luis “To Be” e Hélio Guadalupe.
Ao longo destes últimos anos, tive o prazer de participar de inúmeras rodas de samba com estas figuras citadas acima. Mas há tempos eles não se reuniam para se apresentar ao público. Nesta próxima sexta-feira, dia 12, esta injustiça histórica será corrigida e esta digníssima roda de samba se apresentará na Serralheira, na Lapa paulistana (quem disse que na nossa Lapa não tem samba?). Convido a todos vocês que já conhecem estas personalidades a comparecerem. E aqueles que ainda não conhecem, taí uma oportunidade de ouro! Seguem algumas informações importantes:
8 de março de 2010
A mulher no samba
6 de março de 2010
Projeto Sambando Por Aí
2 de março de 2010
Biografia de Adoniran revisada e ampliada
ENSAIO - Walter Alfaiate
1 de março de 2010
Tuco e Batalhão de Sambistas em um final de semana histórico

Era grande a expectativa que cercava as duas apresentações de Tuco e seu Batalhão de Sambistas no Centro Cultural São Paulo, neste último fim de semana. Primeiro porque se tratava de uma reunião de ótimos e jovens sambistas com alguns nomes que fizeram e ainda fazem a história do samba: os convidados Nelson Sargento e Monarco, além das ilustríssimas presenças de Cristina Buarque e Francinete, que integraram o coro feminino. Segundo porque seria gravado, nestes dois dias de samba, o cd Peso é Peso. E toda esta expectativa - justificadamente alta, graças à alta qualidade musical do Tuco (que a cada dia canta melhor) e de seus acompanhantes - foi devidamente correspondida. Duas apresentações históricas, registradas para um posterior e também histórico álbum.
No sábado, dia de estréia, me acomodei na primeira fila da aconchegante Sala Adoniran Barbosa, e fiquei aguardando o início, pensando: “Qual será o repertório? Com certeza serei surpreendido com inéditas e raras...”. Sob aplausos, logo foram todos entrando no palco. Tuco à frente, puxando seu batalhão. Jorge Garcia e Alfredo Castro (grandes amigos!), ambos também integrantes do Terreiro Grande, comandaram a cozinha com uma dupla de tamborins que há muito não se via. Como há muito não se via também uma dupla de pandeiros como a de Rafael Toledo e Beto Amaral, este último integrante do Cupinzeiro. Na marcação do surdo, que é o coração de uma roda de samba, Donga, antigo companheiro de Tuco do Morro das Pedras, mostrou-se impecável. Os “arames”, a harmonia, que deu toda a sustentação melódica para esta batucada pesada, foi magistralmente composta por Lucas Arantes (cavaco), Junior Pita (violão) e João Camareiro (violão de 7). Os três demonstraram um entrosamento digno dos grandes regionais do passado. E ainda havia espaço pra mais gente: Loré, Fernando Paiva e Janderson formaram o coro masculino, enquanto as já citadas Francinete e Cristina Buarque integravam a “pastoragem”, ao lado de Keila Santos.
Foi com este escrete que Tuco cantou um samba (inédito) de Paulo da Portela, composto em 1937, após ter sido eleito Cidadão Samba. Na sequência, brasa em cima brasa. Em meio a muitos inéditos (a maioria) alguns sambas já gravados, mas pouco conhecidos: Na floresta (Cartola e Silvio Caldas), Ri por último quem ri melhor (Noel Rosa de Oliveira), Ironia (Ismael Silva - Nilton Bastos- Francisco Alves) entre outras. Destaque para a interpretação deste samba-choro de Ismael em que os músicos repetiram o arranjo original. Espetacular. (Confira a versão original destes três sambas abaixo, interpretados por Silvio Caldas, Albertinho Fortuna e Francisco Alves, respectivamente).
Para esta primeira apresentação, Nelson Sargento foi o convidado especial. Entre alguns sambas mais conhecidos de sua obra, como Falso amor sincero e Homenagem ao Mestre Cartola, e outros nem tanto (como a parceria com Marreta, Quando Xangô pegar o apito), o legendário sambista de Mangueira cantou um inédito samba-resposta ao clássico Fiz por você o que pude, de Cartola. Nelson Sargento assim falou sobre o samba: “Quando Cartola fez o samba Fiz por você o que pude, ele disse: ‘e no fim deste labor, surge outro compositor, com o mesmo sangue nas veias’. Eu e o meu parceiro Marreta resolvemos fazer uma resposta. E no samba falamos: ‘Talvez eu seja o valor que o amigo citou com o mesmo sangue nas veias’.” De fato, neste samba os dois compositores da Mangueira mostraram que eram aptos a seguir os passos do mestre. Hoje, o meste é Nelson Sargento e Tuco é o “jovem valor, com o mesmo sangue nas veias”. Mais alguns sambas foram apresentados e encerrou-se a primeira apresentação.
Após aquele tradicional momento de cumprimentos e felicitações aos músicos, encontrei com a Cristina Buarque, que falou sobre o Tuco, o resgate de sambas antigos e a nova geração de sambistas. “Tuco é um grande talento que resolveu seguir a carreira e eu torço muito por ele”, disse, enquanto terminava de fumar um cigarro no camarim. Chefia, como é carinhosamente chamada por seus amigos de Terreiro Grande, avalia como muito importante o trabalho de resgate de sambas de terreiro da antiga. “Tem um monte de samba que só o Monarco conhecia e que hoje foi cantado aqui, será registrado e muitos poderão conhecer. O Tuco gosta dessas velharias, né?”. Por fim, ela se mostrou muito satisfeita com a nova geração. “Hoje sou eu quem aprende muito com eles, também”, disparou.
No dia seguinte, retornei para acompanhar o desempenho do grande mestre Monarco. Ele que, num bate-papo informal que tivemos ano passado disse: “Tem um rapaz de São Paulo, o Tuco, que é muito bom...” Mestre e discípulo dividiriam o mesmo palco. E naquele final de tarde de domingo, todos os sambistas estavam mais à vontade, sem a natural pressão de uma estréia. O repertório foi quase o mesmo do dia anterior: muitos sambas em meio a um maxixe do Mano Edgar, do Estácio de Sá e uma inusitada uma marcha-rancho de Paulo da Portela.
Pouco antes de Monarco entrar em cena, Tuco disse, emocionado, que há catorze anos atrás assistira pela primeira vez uma apresentação do sambista da Portela e que estava tendo a honra de, naquele momento, dividir a cena com ele. Monarco, não deixou por menos e após duas cantar duas músicas afirmou, feliz, sentindo que estava diante de um ótimo cantor: “Esse menino tem futuro!”.
Quando os dois decidiram cantar Secretário da Escola, parceria do convidado da noite com Picolino, Monarco revelou: “Este samba tem uma história engraçada. Eu compus há muitos anos com o Picolino, mas foi o Tuco quem me ensinou”. Notava-se aí o grande empenho de Tuco para resgatar e “pescar”, como ele próprio definiu, os bons sambas do passado.
A apresentação caminhava para o fim. Mas havia tempo para algumas surpresas. Primeiro foi Cristina, que a pedido de Monarco, cantou Quantas Lágrimas, de Manacéa, seu maior sucesso. Depois foi a vez de Francinete, ex-integrante do conjunto As Gatas, cantar Tal dia é o batizado de Cabana, samba gravado por ela própria no disco Viva o samba, de 1967 e muito cantado nas rodas de samba da Paulicéia. (confira a gravação abaixo, com acompanhamento da Portela).
E quando findou o samba, foi hora de comemorar. Então foram todos para o bar da frente. Eu, o pessoal do Samba de Mauá, da Vila Prudente, os Amigos do Samba, Alfredão, Tuco, Junior Pita, que com seu violão tocou alguns sambas para as (ótimas) Adriana Moreira e Ilessi cantarem, Lucas Arantes, Donga, Loré, Barão do Pandeiro (com sua indefectível gravata borboleta) e muito mais gente que estava ali, na Sala Adoniran Barbosa, presenciando um momento histórico, e depois foi molhar as palavras no primeiro boteco.
A lembrança do grande espetáculo que se passou ainda está fresca na memória. Mas logo teremos o disco e daí então teremos a certeza de que o samba viveu, neste final de fevereiro de 2010, um grande momento. Tratado com respeito e louvor, como foi ensinado pelos mestres.
Avaliação: ***** (espetacular)
Fotos: Marcelo Martins
Confira o Myspace do Tuco & Batalhão de Sambistas

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