
Do couro do cabrito, do boi, do bode, do gato é que o bom malandro faz samba. Jacarandá, massaranduba, embaúba, pinho e aço, mas sem embaraço, vai logo pra debaixo do braço de algum tocador. Com algum tira-gosto, cerveja e cachaça, a graça no rosto de todos se espalha... Com a palha na cabeça, mas por favor, não se esqueça: o samba é de todos!
26 de fevereiro de 2008
Baluarte da Mangueira se apresenta no Clube Anhanguera

22 de fevereiro de 2008
Portela na Avenida (Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)
Sempre gostei do samba “Portela na Avenida”, de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro. Mesmo antes de escutar a maravilhosa gravação da Clara Nunes, já conhecia a música das rodas de samba. É um samba forte, carregado de emoção, contagiante.
Recentemente, lendo a biografia da Clara Nunes (muito bem escrita por Vagner Fernandes), travei conhecimento de como se deu a composição da obra-prima. Para quem não sabe, Paulo César Pinheiro, o maior letrista da história da MPB, era casado com a Clara.
Segue o depoimento do PC Pinheiro para o biógrafo a respeito do samba:
“Em 1970 estourou um samba do Paulinho da Viola, o ‘Foi um rio que passou em minha vida’. Depois disso, ninguém fez samba falando da Portela. E ela era doida pra gravar um que falasse. Aí ela me pediu:
— Não dava pra você fazer um samba falando da Portela?
— Mas eu não sou Portela, eu sou Mangueira.
— Mas você sabe fazer. E depois que o Paulinho fez aquele samba, ninguém faz mais. Eu já pedi a outros compositores da Portela e ninguém fez. Não dá pra você fazer pra mim?
— Posso tentar. Não te prometo, mas posso tentar.
Aí falei com o Mauro Duarte, que era portelense:
— Mauro, a Clara pediu um samba pra Portela. Então, você que é portelense e meu parceiro me ajuda nessa. Mas eu não tenho idéia não. Até porque o samba do Paulinho é definitivo. É difícil fazer um samba para a escola depois desse.
Dias depois, o Mauro veio com uma idéia musical, um pedacinho:
— Isso aqui é algo que pode ser o tal samba
— Canta aí
Eu gravei e fiquei pensando naquilo. Um dia, andando na sala, me deparei com a imagem do Espírito Santo, acima do altar. A Clara gostava muito de coisas antigas. Por onde passava comprava algo antigo. Em uma dessas, trouxe um nicho de 200 anos, uma espécie de oratório. Dentro dele, você abria a porta e tinha Nossa Senhora Aparecida, com um monte de orixás misturados. Eu ficava andando e pensando como fazer o samba. E na hora em que bati o olho na Nossa Senhora, linda, eu vi o manto azul e branco, que são as cores da Portela. Quando veio isso na minha cabeça, resolvi misturar o religioso com o profano, que era o estilo dela. A pomba do Espírito Santo virou a águia da Portela, o manto de Nossa Senhora virou bandeira, e por aí eu fui. O samba virou sucesso da noite pro dia. Mas quando o compus quis mostrar, na verdade, o que era a Clara. Uma cantora que estava na rua, em um bloco, na igreja, no terreiro, no kardecismo (...)”
Pois bem, esta semana, fuçando nos meus discos, encontrei a versão de “Portela na Avenida” gravada no disco “Cristina Buarque e Mauro Duarte”. Fiquei arrepiado com a cadência, com o lindo coro desta gravação. Eu sei que o samba consagrado foi feito pra Clara cantar e sei que a versão original é a mais clássica, mas vou colocar aqui a versão posterior, porque acho mais bela.
Portela na Avenida (Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)
Portela
Eu nunca vi coisa mais bela
Quando ela pisa a passarela
E vai entrando na avenida
Parece
A maravilha de aquarela que surgiu
O manto azul da padroeira do Brasil
Nossa Senhora Aparecida
Que vai se arrastando
E o povo na rua cantando
É feito uma reza, um ritual
É a procissão do samba abençoando
A festa do divino carnaval
Portela
É a Deusa do samba, o passado revela
E tem a velha guarda como sentinela
E é por isso que eu ouço essa voz que me chama
Portela
Sobre a tua bandeira, esse divino manto
Tua águia altaneira é o Espírito Santo
No templo do samba
As pastoras e os pastores
Vêm chegando da cidade, da favela
Para defender as tuas cores
Como fiéis na santa missa da capela
Salve o samba, salve a santa, salve ela
Salve o manto azul e branco da Portela
Desfilando triunfal sobre o altar do carnaval
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15 de fevereiro de 2008
Fiz por você o que pude (Cartola)
Vira e mexe, a crítica especializada em música faz suas listas de melhores discos, melhores músicas, melhores cantores... É aquela eterna disputa pra ver quem é melhor. Como no samba não existe melhor, e apenas diferente, vou inaugurar aqui uma série denominada Grandes Brasas da História.
Guerreei na juventude, fiz por você o que pude, Mangueira
Continuam nossas lutas, podam-se os galhos
Colhem-se as frutas e outra vez se semeia
E no fim desse labor, surge outro compositor,
Com o mesmo sangue nas veias
Sonhava desde menino, tinha um desejo felino
De contar toda tua história
Este sonho realizei, um dia a lira empunhei
Perdoa-me a comparação, mas fiz uma transfusão
Eis que Jesus me premeia
Surge outro compositor, jovem de grande valor
Com mo mesmo sangue nas veias
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13 de fevereiro de 2008
Leão Caolho homenageia Cartola
O Bloco Carnavalesco Leão Caolho, que desfila pela primeira vez, fará uma homenagem ao mestre Cartola no próximo sábado (16). O trovador do samba completaria 100 anos em outubro de 2008 e, já que a Verde Rosa não fez um enredo para ele, o Azul e Amarelo das Perdizes fez.
A concentração será as 14 horas no Bar Geribá, esquina da Rua João Ramalho com a Avenida Sumaré. Salve o Mestre Cartola e vida longa ao Leão Caolho!!
2 de fevereiro de 2008
Gravação rara de samba do Candeia
Curiosamente, a Chefia também esta presente nesta rara gravação. Segue a pérola:
(Ó vem então)
De madrugada vem surgindo
E o samba se despedindo
Até pro ano que vem, Carnaval
Vou sambar na Portela em plena avenida (ôoôo)
Libertar a alegria oprimida da vida
Pois o samba reflete a paz e a existência
Enaltece a nobreza do mundo, é ciência
Agradeço a Deus, pois antes de morrer (ôoôo)
Vi no globo terrestre a Portela vencer (Obrigado, senhor)
Agradeço a Deus, pois antes de morrer (ôoôo)
Vi no globo terrestre a Portela vencer
Portela é perfume da flor, é aroma no ar
Para sentir, só basta saber respirar
Seu azul é além do céu
Seu branco é amor e paz
Divino é seu pavilhão
Vem pra Portela, Iaiá
Vem pra Portela. Ioô
Terás no céu, amor e paz no coração (ó vem, Iaiá)
Vem pra Portela, Iaiá
Vem pra Portela. Ioô
Terás no céu, amor e paz no coração (ó vem, então)

O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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