26 de junho de 2008

Ivan Milanez no Clube Anhanguera esta sexta


“Qualquer criança bate um pandeiro e toca um cavaquinho/ Acompanha o canto de um passarinho sem errar o compasso/ Quem não acreditar, poderemos provar, podes crer/ Nós não somos de enganar, melodia mora lá no Prazer da Serrinha // Nós vivemos alegres a cantar/ A nossa escola é muita emoção porque ninguém jamais poderá desmoronar a nossa união” - Prazer da Serrinha (Rubens da Silva - Hélio dos Santos)

O samba adquiriu uma roupagem imperial e nobre quando surgiu o Império Serrano, o menino de 47, escola que, de cara, foi logo acabando com a supremacia da Portela e da Mangueira. De lá, surgiram nomes como Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola, Dona Ivone Lara, Mestre Fuleiro, entre outras cobras. Quem conviveu com esses bambas e hoje faz parte da Velha Guarda do Império é o sambista Ivan Milanez.

E quem estiver em São Paulo nesta próxima sexta-feira terá a oportunidade de vê-lo em ação, ao lado dos Inimigos do Batente, no Clube Anhanguera.

Segue informações sobre o evento:

Inimigos do Batente convidam Ivan Milanez

Local: Clube Anhangüera

Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP

Data: 27/06

Horário: a partir de 22h

Ingressos: R$ 10,00 + um agasalho ou alimento não-perecível para doação a entidades assistenciais do bairro

Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

Os blogs de samba

Para escrever sobre blogs de samba eu preciso, antes, contar como nasceram os meus blogs de samba. Desde a época em que fiz um trabalho de conclusão de curso sobre samba de terreiro na faculdade, eu passei a pesquisar com afinco este ritmo quente. Passei, então, a publicar algumas coisas no Idéias de Improviso, que como o próprio nome diz, reúne textos diversos. Depois de algum tempo pensei que precisava fazer um blog exclusivo de samba.

Surgiu este Couro do Cabrito. Aqui, coloco textos, sambas para ouvir, informações sobre discos, documentos históricos, vídeos e muito mais. Com o tempo, foi ganhando vida e, hoje, fico muito feliz quando comentam e elogiam seu conteúdo. Pois bem, eu já tinha o Couro, mas queria postar discos de samba completos para o povo baixar. Eis que surgiu, então, o Prato e Faca. Passei a assinar Alvarenga do Morro do Chapelão neste novo blog e comecei a postar as brasas. Hoje o blog já conta com 120 álbuns. E sou bem chato no que diz respeito ao repertório: nada de Cacique de Ramos e derivados, nada de samba comercial e nada que, particularmente, eu não goste.

Algum tempo depois, criei mais um blog, o Coisa da Antiga. Este aí é a menina dos meus olhos, apesar da freqüência de postagens não ser tão ágil. Explico por que gosto tanto dele: lá, eu disponibilizo fonogramas antigos, da época dos 78 rpm. Faço compilações de compositores desconhecidos e consagrados. Vibro quando vejo que uma porrada de gente já baixou os sambas do Caxiné, do Príncipe Pretinho, do Djalma Mafra...

Antes de criar estes blogs, entretanto, já fuçava na internet atrás de blogs de samba onde eu pudesse baixar bons discos. Primeiro conheci o Cápsula da Cultura, depois veio o Um Que Tenha e, mais tarde, o Loronix. São blogs com ótimos acervos: o Cápsula da Cultura disponibiliza discos de música popular brasileira difíceis de encontrar, assim como o Loronix, que só tem velharia. O Um Que Tenha põe até lançamento e por conta disso, tiveram um problema recentemente com a gravadora Biscoito Fino, que pediu para que eles tirassem do blog seus álbuns. O Fulano Sicrano, que assina o blog, atendeu prontamente.

Além desses citados blogs que disponibilizam brasas, ainda temos o Toque Musical, o Abracadabra e outros baús de tesouros perdidos pela rede.

Blogs com muita informação sobre samba

É importante ressaltar que, além desses blogs que disponibilizam discos, também existem blogs de samba com muita informação e histórias do samba. Desses todos, o que eu mais gosto é o Terreiro Grande, tocado pelo Renato Martins e pelo Ricardo Brigante. Lá podemos escutar várias raridades, ler muita coisa interessante e aprender cada vez mais sobre os antigos compositores do nosso samba.

No mesmo estilo deste blog, recentemente surgiu o Samba de Terreiro de Mauá, com informações sobre antigos bambas e algumas músicas para baixar. Preciso ainda citar os ótimos Em Nome do Samba, o Só Candeia, além do Vermute com Amendoim, que possui uma boa equipe de estudantes de jornalismo/ amantes do samba que atualizam o blog constantemente.

A dica é explorar todos estes blogs e, a partir deles, conhecer novos sítios. Com certeza tem muito mais coisa que não citei aqui. Segue a lista dos links:

Prato e Faca
Coisa da Antiga
Terreiro Grande
Cápsula da Cultura
Um Que Tenha
Loronix
Toque Musical
Abracadabra
Samba de Terreiro de Mauá
Vemute com Amendoim
Em Nome do Samba
Só Candeia

18 de junho de 2008

"Estão vendendo a sua cultura"

Esta entrevista de Elton Medeiros concedida ao jornalista João Bosco Rabello foi publicada no suplemento cultural de domingo do Correio Braziliense no 22 de janeiro de 1978 (outras partes da reportagem especial aqui e aqui). Na ocasião, Elton já lamentava os tristes rumos que as Escolas de Samba estavam tomando. Como podemos ver hoje, foi um caminho sem volta: as agremiações de samba tornaram-se um inescrupuloso negócio.
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Domingo, 22 de janeiro de 1978
por João Bosco Rabello

Homem de Escola de Samba, compositor e parceiro de Paulinho da Viola, Élton Medeiros é também profundo conhecedor e estudioso da cultura popular. Neste depoimento, ele faz uma comparação entre o que aconteceu com as gafieiras e o que acontece com as Escolas de Samba: a invasão do elemento estranho que quer impor seus hábitos e as conseqüências disso.

Elton Medeiros: “Estão vendendo sua cultura”

João Bosco Rabello – Elton, como você vê a situação das escolas de hoje, e principalmente a partir das modificações feitas por Fernando Pamplona?

Elton Medeiros – Olha, já em 1948, o Império Serrano introduz modificações na escola de samba. A Aprendizes de Lucas também nesta época introduziu modificações na bateria, a frigideira. Então, você identificava o som da escola pela bateria, pela frigideira e pelo prato, isso em 1948, quer dizer, antes da aparição de Fernando Pamplona. O Pamplona começa a fazer carnaval no Salgueiro mais ou menos em 1959/60. O Salgueiro introduziu modificações, mas visando à participação de elementos da comunidade da escola em que ele saiu, ou a escola para a qual ele trabalhou, que foi a Acadêmicos do Salgueiro. Então, ele teve a preocupação de fazer um carnaval barato. Se não me engano, o primeiro carnaval do Salgueiro com Pamplona foi uma homenagem aos Fuzileiros Navais. Se não foi o primeiro, foi um dos primeiros. Depois, ele veio com temas de escravidão. Esses temas como você pode notar, dão oportunidade aos carnavalescos de fazerem, criar um carnaval barato. As fantasias são tangas, fantasias de escravos, e o que ornamentam essas fantasias são os adereços, que são feitos pelos cenógrafos, hoje em dia chamados carnavalescos. Então você tem de notar influências que a escola de samba sofre em razão de modificações da vida da cidade, entende? Modificações de caráter social, e que refletiram no comportamento do sambista. Eu falei, note bem, sobre modificações feitas no Império Serrano e, essas modificações foram feitas a partir, talvez, de uma necessidade sentida pelos elementos naturais de escola de samba. Foram modificações feitas por esses elementos. As que o Pamplona fez já não foram feitas por elemento natural de uma escola de samba. Já as do Império Serrano, em 1948, foram feitas pelos elementos naturais da escola de samba, daquela comunidade. A Aprendizes de Lucas também. Outras escolas de samba devem ter feito também modificações, mas essas foram as mais marcantes. Dessas eu posso falar porque eu acompanhava os desfiles dessas escolas de samba.

JBR – Fernando Pamplona era um elemento de fora da escola. Quero que você veja as duas posições: a do desenhista Lan com relação a Portela e do Pamplona em relação ao Salgueiro. O Lan é portelense desde 1949, mais ou menos, e nunca fez um traço para a Portela; e dizia: “Não faço figurinos para a Portela porque estaria interferindo num processo que não me diz respeito”. Diante disso, como você vê a atuação de Pamplona?

EM – O que eu quero dizer a você é que a Escola de Samba, por ser comunitária, ele deve ser artesanal. Ela não deve ser uma escola de samba que sirva de estágio de acadêmicos, nem mesmo veículo de promoção pessoal. Então, o artista de TV se utiliza da escola de samba para ser apontado na rua. Dona Beki Klabin, por exemplo, há alguns anos, disse que desfilava porque gostava de ser apontada na rua. Ora, pombas, escola de samba foi criada para proporcionar um divertimento barato, coisa de pessoas marginalizadas na sociedade. Essas pessoas criaram um divertimento barato. A escola de samba sempre foi de pessoas que não tinham dinheiro para ir ao Baile do Municipal, de pessoas que não tinham dinheiro para ir ao Monte Líbano, outro qualquer baile de gala.

JBR – O que era uma escola de samba no início?

EM – Ela vem dos concubins, que eram aqueles grupos de pessoas, concubins..., cordões de velhos, ranchos... Os ranchos é o tal negócio. O rancho vem dos concubins, entendeu, os ranchos passaram por um processo de transformação que as escolas estão passando atualmente, os ranchos atraíram pessoas da classe média, e você pode ver que o Ameno Resedá era um bloco de sociedade, foi um rancho de elite, e depois do aparecimento do Ameno Resedá trouxe realmente uma satisfação visual para muita gente e, ao mesmo tempo, decretou a decadência de todos os outros, porque o que ocorre com as escolas de samba hoje em dia é o que ocorreu com as gafieiras em relação à classe média.

Ela invadiu as gafieiras e, acho que já disse isso, umas cinqüenta vezes. Foram lá. Foram assistir aquele modo característico, todo especial, de se dançar em gafieira, de elemento de gafieira. Bem, mas chegando lá os elementos de classe média ao invés de se submeterem ao regime de gafieira sem interferir no comportamento do dançarino de gafieira, do freqüentador da gafieira, eles começaram a fazer amizade com os donos das gafieiras. Ora, o dono de gafieira é um comerciante como outro qualquer. E incutiram na cabeça deles que se botassem uísque em vez de batidas de limão, de pêssego, etc, leite de onça, se eles substituíssem o sanduíche de salame por outros salgadinhos mais sofisticados, eles ganhariam mais dinheiro porque esses freqüentadores de classe média trariam outros elementos de classe média para fazer despesa. Muitos deles, é verdade, pediram empréstimos e realmente ganharam muito dinheiro. Eles investiram no negócio. E a classe média estava presente recusando o sanduíche de salame e as batatinhas. E aí o que ocorreu? Esta gente, não satisfeita em impor as sua bebidas e as suas comidas dentro daquele ambiente, os seus costumes, passaram a impor também a sua maneira de dançar. Ou se não quiseram impor, pelo menos começaram a dançar da maneira que sabiam dançar ou tentaram imitar os dançarinos de gafieira sem saber. Eles pisavam os pés dos dançarinos de gafieira. Os dançarinos de gafieira faziam aquelas filigranas, aquele bailado, sem prejudicar a dança dos companheiros. Eles não chegaram pisando os pés dos outros e os elementos naturais das gafieiras foram se afastando e chegou um momento em que a classe média se viu sozinha nas gafieiras. Então, aqueles que eram atração nas gafieiras, desapareceram, criaram novos hábitos da classe média. Então, está havendo uma inversão de comportamento. Bom, quando a classe média se viu sozinha nas gafieiras, sem o elemento de atração para ela, ela se afastou também. Então, as gafieiras foram fechando. Então, eu sou contrário à tese do Albino Pinheiro, quando ele diz que as gafieiras fecharam por causa do metrô. Não é verdade, muito antes do metrô elas já tinha desaparecido. Agora, ele como elemento da classe média...

É, meu amigo, não é nada pessoal, é uma questão de ponto de vista, que é antagônico ao dele. Não é verdade, antes do metrô as gafieiras já tinham desaparecido. O Elite ainda está aí suportando o Rio de Janeiro. Mas, a Estudantina que pegava as sobras do Zicartola, já fechou há muito tempo. O Mauá já fechou há muitos e muitos anos. A Pavuna Grande também, e outras mais aí... Aquela gafieira da Rua de Santana, chamada Cheira Vinagre, o Dragão, tudo isso foi fechado por causa da invasão do elemento de classe média que marginalizou dentro do seu próprio reduto, o elemento de gafieira.

Bom, a classe média tomou um divertimento barato. Acabou com o divertimento deles. Mas, ainda tinha a escola de samba como opção. E a classe média foi para as escolas de samba e a mesma coisa está ocorrendo com as escolas de samba. Esse processo inflacionário é o resultado. Com fantasia de custo superior a dez mil cruzeiros, coisa que o sambista salário-mínimo não suporta. Não pode suportar financeiramente. Como ele não podia tomar uísque na gafieira, como ele não pode comer salgadinhos mais caros, acostumado que estava com o sanduíche de pão francês com salame. Com batidas. A mesma coisa está ocorrendo com as escolas de samba. Algumas têm uísque para vender, mas mesmo a bebida normal do sambista está custando um preço absurdo. Uma garrafa de Leite de Onça custa tão caro que você tem a impressão que ali dentro tem ouro. Uma garrafa de cerveja a Cr$ 30,00. Então, as escolas de samba hoje, apesar de serem consideradas, até por decreto, como de utilidade pública, não é de utilidade pública coisa nenhuma. Elas são pequenas empresas. Onde é que está a utilidade pública? São empresas, não são mais de utilidades públicas. Você paga no primeiro passo que você dá dentro do terreiro, verdadeiras casas de comércio. Então, as escolas de samba estão sujeitas a influências, isso, todos nós estamos sujeitos a influências.

JBR – Bom, isso também foi dito pelo Paulinho e pelo Candeia, que ninguém tem ilusão de que as escolas voltem a ser o que eram há muitos anos. Eles acham que apesar dos compromissos com turismo, comprometimento de ordem financeira e tudo mais, a estrutura interna das escolas não deve sofrer alteração. Acontece que as escolas estão se transformando também internamente, na sua essência, lá dentro.

EM – É claro. Eu vou chegar onde você quer. O que ocorreu foi o seguinte.

JBR – Peraí, só pra acabar meu raciocínio. Eu quero dizer que, por exemplo, a Riotur interfere bastante em todo esse processo, a partir do momento em que ela mantém contratos de prestação de serviços com os sambistas, mas ela não vai lá dentro do terreiro da escola, determinando qual samba-enredo que vai representar a agremiação, ou determinar se fulano ou beltrano farão ou não parte da Ala de compositores da escola, certo? Ela não diz, por exemplo, que o samba vencedor deve ser o do Jair Amorim e do Evaldo Gouveia, entende?

EM – Certo, mas eu quero dizer pra você porque existe esse processo de permissividade dentro das escolas. Isso ocorre por causa da inflação existente hoje nas escolas. Então, um grande passista, um grande mestre-sala, um grande diretor de harmonia, descobriram que para comprarem uma fantasia cara, basta que eles trabalhem como garçons ou roleteiros nas escolas. Então, ele se evadiu do terreiro da escola de samba para a roleta, ele se transferiu do terreiro das escolas para servir nas mesas. Deixou de ser sambista para ser roleteiro, para ser garçom, pra ser cozinheiro, porque ele sabe que dentro da escola de samba ele recebe dinheiro sem se aborrecer a troco de nada, vamos dizer assim como uma troca. Uma compensação financeira. É isso exatamente, uma compensação financeira. Então, ele prefere trabalhar de garçom. Quem perde com isso? Um grande mestre-sala deixa de dançar para servir cerveja. Perde-se um grande mestre-sala e ganha-se um mau garçom, perde-se um grande tamborinista e ganha-se um péssimo roleteiro que, às vezes, trata mal o usuário, porque ele está revoltado. Nos seu subconsciente ele sabe que ali não é o seu lugar. Ele pode desconhecer as causas, ter consciência do porque de ele estar ali, mas ele, no fundo sabe que ali não é o seu lugar, ele fica revoltado.

Então, é por isso que digo que escola de samba hoje, a situação dela é muito profunda. Escola de samba hoje deve ser e pode ser objeto de estudo sociológico, político, econômico, etc. Psicológico também, porque o comportamento de um “roleteiro” desses é digno de ser estudado por um psicológico e por um sociólogo também. A inflação, o alto custo da fazenda, da fantasia, aliás, do instrumental, da bebida, porque antigamente a escola de samba foi criada para oferecer um divertimento barato. A partir do momento que esse divertimento está caro, esse elemento quer permanecer. Porque ele acha que é filho daquilo, ou acha que os avós dele foram os criadores daquilo e eles acham que o ambiente deles é aquele.

Então, eles querem permanecer ali, mas não sabem mais como permanecer ali, sentindo-se bem, então, passam a disputar um lugar de garçom e de roleteiro. E aquele que não consegue esse lugar, porque a escola não pode ter tantos garçons e tantos roleteiros, então eles passam a fazer comércio com a ala da escola. Eles vendem uma vaga na ala, vendem uma ala para outro. O cara tem uma ala que é famosa, por exemplo, a ala das marquesas, vamos dizer assim, essa ala é famosa, então, o líder da ala, vende um “título” oficial, quer dizer, sem registro de título oficial, nada disso. Vende por dez mil, acho que tá por aí o preço. Então, eles estão vendendo tudo, inclusive, a cultura deles. Estão vendendo a sua própria cultura. É o que vem ocorrendo nas escolas de samba. Então, um componente que não é iniciado em escola de samba, e nunca se dedicou ao samba, mas que muito marotamente já percebeu que samba-enredo já está sendo objeto de cobiça do comércio musical, o que ele faz? Ele também já chegou à escola de samba. Os chamados colunáveis, foram os primeiros a chegarem às escolas de samba. Porque há pessoas que não vêem seus nomes na coluna social, e para essas pessoas, a realização máxima é ter os seus nomes nas colunas sociais. Esse me parece ser o objetivo de muita gente que hoje está, por exemplo, na Portela, como é o caso do Hiram Araújo. São pessoas minhas amigas, o Hiram, Carlos Lemos, Pederneiras, são elementos que, sabe... O Hiram é médico, o outro é jornalista, o outro dentista, então eles querem se ver citados numa coluna social. E, como eles não têm o outro meio de chegar à coluna social eles se utilizam das escolas de samba para atingirem os objetivos deles. Então, o compositor que nunca se dedicou à escola de samba, percebendo que o samba-enredo hoje...

JBR – Bom, se dá destaque prum médico, dá muito mais para um compositor né?

EM – Exato. Dá porque o colunista social quando faz uma citação de uma determinada pessoa na coluna social, ele dá a entender ao leitor dele que está bem por dentro dos outros componentes das escolas de samba. Então, ele cita nomes de pessoas da comunidade, o lado desses que estão procurando promoção pessoal. Pra dizer – que está a par da vida da escola. Então, o compositor de classe média que nunca se dedicou à escola de samba, percebe que é um acordo meio de divulgação, não só pessoal como profissional. E, chega trazendo vícios dos meios de divulgação do comércio musical, a chamada caitituagem paga, que já está dentro das escolas de samba. Então, hoje, o compositor que não é de escola de samba mas que já conseguiu numa ala de compositores, paga, porque ele sabe que para cantar samba-enredo e preciso ter determinadas... Um tipo de interpretação à qual ele não está acostumado, exige sacrifício de quem canta, porque às vezes um puxador de samba fica mais de uma hora cantando um samba-enredo, então, ele paga a elementos da escola de samba para fazerem isso. É a chamada caitituagem paga, um vício do comércio musical.

JB – Depois, o próprio sambista tem de pagar aos colegas para poder cantar o seu samba. Quer dizer, o elemento natural da comunidade vê-se obrigado a entrar no esquema de caitituagem, para que, por exemplo, a bateria toque durante a apresentação de seu samba, do contrário vai cantar sozinho. É o começo da desunião, certo?

EM – Perfeito. Então, está dividindo a escola. Esses vícios de caitituagem que estão sendo trazidos para as escolas de samba estão provocando a desunião dentro da escola de samba. Tá dividindo a escola. Então, se não pagar a bateria e um determinado número de coristas para cantar o samba-enredo, o puxador de samba terá de cantar sozinho. Você está percebendo que quem tem maior poder aquisitivo é que está mandando hoje na escola de samba. Então, o sambista está em último plano. E o samba também. Fica o sambista marginalizado dentro de seu próprio ambiente. Ele hoje é garçom, varredor da sede, roleteiro, carpinteiro, só não é sambista. Tudo que ele pode fazer dentro da escola de samba para tirar proveito, ele vai fazer. Ganhar dinheiro, ele se acha no direito de tirar proveito também daquilo que ele criou. Mas, acontece que esse proveito que ele tira é muito menor do que o tirado por aqueles que se promovem através de colunas sociais, sendo citados como ilustres médicos, ilustres jornalistas, então, são pessoas que procuram chamar a atenção da sociedade de um modo geral. E, não há dúvida que isso tem reflexo na profissão deles, só traz benefícios, profissionalmente falando.

Agora, o sambista que era um excelente passista e que passou a varrer, esse não vai se promover como um grande varredor, porque isso é subemprego e subemprego é o que mais existe hoje em dia, aqui. Ser promovido como um integrante de uma classe de subemprego, isso não leva a nada. Porque até a invasão dessa turma de classe média no meio do samba, o sambista, o cenógrafo, que hoje é chamado de carnavalesco, ele dava vazão às suas tendências artísticas. Mas hoje, o elemento natural da escola de samba não faz mais o carnaval, porque o carnaval hoje é feito por um grupo de acadêmicos liderados por um professor deles, geralmente é assim, ele não faz mais samba-enredo, porque esse negócio eclodiu agora com a Portela, a tomada do samba-enredo foi oficializada agora com a Portela, então, ele não é mais destaque, porque o destaque nunca teve sentido de ostentação, que aos poucos esse sentido foi crescendo dentro da escola, e hoje o destaque...

14 de junho de 2008

Adeus Jamelão

O mangueirense José Bispo, o popular Jamelão, partiu aos 95 anos de idade nesta madrugada de sábado.
Que descanse em paz.

13 de junho de 2008

Bula da Cumbuca

Logo mais, à noite, tem uma boa roda de samba no Kabul, um agradável bar situado numa travessa da Avenida Consolação. É o Bula da Cumbuca, integrada pelos já anteriormente citados aqui Edu Batata, Paulinha Sanches, Paulinho Timor, Marcelo Homero, além do pandeirista Kaká Sorriso e do excelente Luis To Be no sete cordas.

O Kabul fica na Rua Pedro Taques nº 124. Couvert artístico: 10 reais. A roda começa lá pelas 22 horas.

10 de junho de 2008

As belas melodias de Anabela


Dona Ivone Lara foi a primeira mulher a compor um samba-enredo para uma escola de samba, o Império Serrano. Antes disso, já fazia, escondida, seus sambas de terreiro. Compunha e jogava na mão de seu primo Fuleiro, o mestre, que apresentava, sempre com grande sucesso, nas rodas de samba. Bem antes dela, Dolores Duran também fazia história ao compor suas próprias canções que interpretava.

A história de compositoras talentosas de samba no Brasil ainda é curta. A grande maioria das boas intérpretes de samba são exclusivamente cantoras e não arriscam tirar a sorte com as melodias e poesias. Recentemente tivemos a grata surpresa da Teresa Cristina, que também é compositora. Mas o melhor ainda estava por vir. E veio.

Há alguns meses atrás, tive o prazer de ouvir uma composição de Roberto Didio e Renato Martins, chamada “O mar e o amor” interpretada pela excelente cantora Anabela, do Núcleo de Samba Cupinzeiro, de Campinas. Uma beleza! Pouco tempo depois, fiquei sabendo que o CD do Cupinzeiro (do qual ainda irei me aprofundar mais em outra ocasião) estava no forno e que Anabela, além de cantar, teria algumas composições no disco.

No começo desta semana, finalmente, escutei com toda a calma do mundo o maravilhoso trabalho do Cupinzeiro. E qual não foi meu espanto ao ver que a belíssima cantora também é compositora de mão cheia. E excelente instrumentista!!!

Inerte, sentado no sofá com o encarte do álbum na mão, consegui me transportar para uma roda de samba lá em Barão Geraldo, que ainda não tive o prazer de conhecer. Refleti e senti que o espírito da roda de samba, que é o que nutre de vida e emoção o samba, está presente nas composições de Anabela.

Em “O samba chama”, ela interpreta sua composição, além de bater o surdo com muita categoria. Vale a pena escutar.

O samba chama (Anabela)

Nego, eu fui ao samba
Fui para ser a sua companheira
Porém cheguei mais tarde
Me deste uma rasteira

A dama era linda
Que graça, que beleza
Você fazia mestre sala
Exaltando as formas
Dando bandeira
Triste é saber
Que dançaste com outro alguém
Não vou lhe perdoar
Companheira de orgia
Não mais serei

Minha bandeira
Eu não vou guardar
Descobri que não sou sua
Pode acreditar
Sou do samba que sempre chama
Ele não me abandonará



3 de junho de 2008

O samba paulistano

A Paulicéia já foi chamada de “túmulo do samba” por Vinícius de Moraes, o poetinha. Até hoje, muitos cariocas não admitem (ou fingem não acreditar) que paulista saiba fazer samba. A levada é diferente, as raízes de um lugar são diferentes das raízes do outro, a melodia, a harmonia, a inspiração, tudo varia de um lugar para o outro. É preciso ir atrás, resgatar, descobrir, garimpar novos talentos do samba na cidade de São Paulo. Entretanto, quando se vive o samba em toda sua intensidade, os nomes surgem. E com eles o samba puro, autêntico, sem deturpações. Do jeito que o mestre Candeia gostaria de ver e ouvir.

Paulinha Sanches, Paulinho Timor, Marcelo Homero e Edu Batata são alguns desses nomes bons de São Paulo. Jovens, talentosos e, acima de tudo, sambistas, valorizam o que há de mais sublime no samba: a cadência, os versos ricos em melodias, a inspiração espontânea e, como não poderia deixar de ser, a harmonia, tanto aquela que vem da música quanto aquela que envolve a todos, nas rodas de samba.

Paula Sanches é uma das mais talentosas e promissoras cantoras que surgiram no meio do samba nos últimos tempos em São Paulo. Diferente das jovens cantoras de MPB que pipocam por aí (e que cantam qualquer coisa, sem uma linha específica), Paulinha é uma cantora romântica. Romântica no sentido mais puro da palavra: é uma cantora de samba porque ama o samba, porque vive o samba e porque cultua o samba. É uma sambista da linhagem de Isaurinha Garcia, Linda Batista e Carmen Miranda. Suas interpretações marcantes de sambas sincopados do passado a diferenciam das outras “sem linhagem”. No samba “Não Bula na Cumbuca” de Paulinho Timor, ela esbanja categoria. Gravando com descontração, como se estivesse numa roda de samba na “Meirinha”, Paulinha mostra pra que veio: pra continuar o legado riquíssimo do samba, para mostrar que há novas (e boas) cantoras de SAMBA surgindo e, principalmente, para tocar a sensibilidade humana com interpretações de sambas tão comoventes. Uma cantora de categoria, uma sambista de S maiúsculo.

Quem interpreta a outra composição de Paulinho Timor, “Aquela Maria” é o sambista Marcelo Homero. Cantor, ritmista dos bons e compositor, Marcelo é um dos fundadores do Projeto Nosso Samba, de Osasco, que tem como propósito resgatar e preservar o samba de terreiro autêntico e atualmente toca surdo e canta no conjunto Inimigos do Batente, além de fazer uma roda por semana com os amigos Paulinho Timor, Paulinha Sanches, Edu Batata e Kaká Sorriso no Clube Etílico Musical, o famoso bar da Meirinha, na Vila Madalena. Marcelão já acompanhou nomes como Wilson Moreira, Germano Mathias e Tantinho da Mangueira, além de outras feras do Rio e de São Paulo. Seu timbre de voz é inconfundível e sempre surpreende os apreciadores de samba mais exigentes com seu repertório de sambas “lado B”. É um monstro do samba.

O compositor destes dois sambas chama-se Paulo Leal Ferreira Vargas Netto, mas é conhecido nas rodas de samba como Paulinho Timor. Apesar da pouca idade (25 anos), tem experiência de sobra no mundo do samba. Afinal, não é qualquer um que já tocou tamborim com Monarco, versou com Wilson Moreira e comeu os quitutes da Tia Surica... Paulinho é compositor dos bons. Seus amigos mais próximos sabem cantar de cor e salteado dezenas de (bons) sambas que nunca foram gravadas, mas ficam para sempre na memória do sambista. E ficam na memória apenas porque emocionam e tocam no fundo da alma da gente. Batuqueiro nato e cavaquinista por diversão, ele também já acompanhou muitos bambas pela estrada da vida afora. Uma de suas maiores emoções foi acompanhar o mestre Roberto Silva, de quase 90 anos, numa roda memorável no bar Ó do Borogodó. Esse promete.

Por fim, falaremos do cantor, cavaquinista e compositor Eduardo Luiz Ferreira, o Edu Batata. Diretamente de Pirituba, zona oeste de São Paulo, esse mestre do cavaco comove com seus floreados e acordes divinais todos que tem o samba como ideal e paixão maior na vida. Tocando com os Inimigos do Batente, com o Samba Rahro, na roda de samba semanal da Meirinha ou com os amigos, Edu toca seu cavaco com um sorriso estampado no rosto. Sorriso esse que parece se misturar com os acordes que ressoam de seu cavaquinho e contagia a todos. Ao longo de sua carreira, já acompanhou grandes personalidades do samba como Monarco, Jair do Cavaquinho e Xangô da Mangueira. Seu coração é cheio de amor como suas composições são ricas em melodia.

Meu pinho (Edu Batata / Airton Weckerlin)

Quando abraço meu pinho e vejo um novo caminho
Pra essa dor de mudar
Pois é dentro do peito que ela quer se instalar
Mas quando te acaricio, as notas que soam vêm pra amenizar Trazendo junto a mim uma imensa alegria
Inocente, tão singular (2x)

Belos acordes e sons que até a passarada faz invejar
Miraculoso remédio que tira o tédio quando o ouvido apura
Luz que ilumina meu ser me devolve esperanças
Rica és tua melodia, claves soltas pelo ar
Agonias que somente você, ó meu pinho, pode entoar
Vou lhe render homenagens, vou lhe aclamar
Pra Rafael, Luizinho e Dino gostar

Remador de todas as marés Maurinho de Jesus / Edu Batata)

Meu samba é remador de todas as marés
Ao ver o amor que desaguou num imenso mar
Se agitou feito as ondas que a tempestade provocou
Me dá inspiração que transformo em papéis
Pois é remador de todas as marés

Meu samba não tem fronteiras
Supera barreiras, cruza continentes
Não teme as cordilheiras
Os pólos gelados, desertos mais quentes
Meu samba não se entrega
Ele forte, navega
Não vai naufragar
Num mar de tranqüilidade, espiritualidade
Ele vai ancorar

Meu samba tem seus critérios
Possui seus mistérios
Pois é divinal
Vem com as gotas de orvalho
Os pingos da chuva
Com o temporal
Vai mergulhar no oceano
Diluindo assim minha desilusão
E emergir apaixonado
Assumindo o leme dessa embarcação

Semente de Donga (Edu Batata)

Sou o brilho forte que clareia
E une um amor ao ideal
Só quem é do samba o traz na veia
Luta para o bem vencer o mal
Sou o filho dos morros e favelas
Do jongo e dos bambas imortais

Sou, sou samba raro, sim senhor
Semente que Donga plantou
Raiz que envelhece, mas não morrerá jamais
Sou o tronco que frutificou
Sou vaso ruim de se quebrar
Deixa essa cadência te levar

Senhora da Doçura (Edu Batata)

Comprei flores e rosas para lhe ofertar
E bate cabeça no congá
Com ervas me banhei, na gira não girei
mas missangas comprei pra te adorar

Velas brancas e rosas pra glorificar
vou pedir maleme a Oxalá
Nas matas me embrenhei
Mas Oxossi escutei
Salve a Mãe da Doçura e do Amor

Mãe dos Amores, ouro de lá, de além mar
Vaidosa nas cores, belo orixá (2x)

E a canção que fiz foi pra Oxum
Salve Nossa Senhora Conceição
Que nunca faltem flores para Oxum
Para não faltar amor no coração

Vou me procurar (Edu Batata)

Vou me procurar entre velhas cinzas do passado
Quem sabe, nelas remoendo, me encontre de novo
Estou perdido na poeira, desorientado
Pisando descalço em pregos, espinhos, estorvos
Tingido os olhos de vermelho, um dia eu vi
Meu rosto refletindo no espelho da dor
No peito cheio de remorso
Entre mil destroços, quase sucumbi
Sem rumo, sem riso, sem chão, sem amor

Sentindo um vento gelado batendo em meu rosto
Cortando minha face, uma lágrima cai
Tristes lembranças aumentam ainda mais meu desgosto
Rancores, tantos dissabores, amarguras não saem

Eu vivo perdido no tempo sentindo uma dor atroz
Carrego só ressentimentos
No silêncio da noite, meu grito é feroz
Minha alma reclama cansada
Meu corpo agoniza em dor
Eu sou a lâmpada apagada, pintura que perdeu a cor

Preciso me achar, vou me procurar, eu vou (2x)
Entre velhas cinzas do passado

Ficha técnica dos sambas do Edu Batata:

Voz: Edu Batata
Violão: Wesley Ferreira
Violão de 7 cordas: Wesley Ferreira
Bandolim: Getúlio Ribeiro
Percussão: Hildo Rodrigues
Participações: Samba Rahro, Rodrigo Pirituba, Kiko Dinucci, Paulinha Sanches, Paula Klein, Railídia Carvalho, Dulce Monteiro e Mara

Não bula na cumbuca (Paulinho Timor)

Toca marimba, não bula na cumbuca
Segura a moringa, não deixa cair
Se o meu bolso pegou fogo
Se eu não dei sorte no jogo
Se o canário tava rouco
O que é que eu vou fazer?
Vou ficar no meu canto
Sem nenhum espanto
Na bola de meia pra não me atrasar
Se a coisa tiver feia eu vou pra casa
Eu não sou brasa para me esquentar

E o axé vem
Vem lá da Bahia
Vem trazendo muita alegria
Nessa pegada, viro duas madrugadas
Na levada da viola que meu samba tem

Voz: Paulinha Sanches
Caixa de fósforo: Paulinho Timor
Rebolo: Marcelo Homero
Pandeiro: Kaká Sorriso
Cavaco: Edu Batata
Violão de 7 cordas: Luiz Tchubi
Clarinete: Alexandre Ribeiro

Aquela Maria (Paulinho Timor)

Vocês conhecem aquela Maria
Ai se um dia ela me quisesse bem
Faria tudo o que ela pedisse
Mesmo achando tolice
Mesmo que não me convém
Pois quando ela passa eu acho graça
Ai se ela achasse graça em mim também
Maria dos meus sonhos encantados
Fique ao meu lado que viverás muito bem

Iríamos para França, para Itália e Portugal
Para Cancún, Noronha, todo nosso litoral
Camarão, lagosta, eu mesmo cozinhava
A sobremesa ela escolhia, eu mesmo que preparava
E se ela gostasse de um belo souvenir
Eu daria mesmo tudo
Eu daria mesmo sem ela pedir
E se ela gostasse de um belo souvenir
Eu daria mesmo sem ela pedir

Voz: Marcelo Homero
Rebolo: Paulinho Timor
Pandeiro: Kaká Sorriso
Cavaco: Edu Batata
Violão de 7 cordas: Luiz Tchubi
Clarinete: Alexandre Ribeiro

28 de maio de 2008

Um ano de samba e alegria


"Mas enquanto houver samba, alegria continua... O samba tem feitiço, o samba tem magia..."

"Virá num riso de criança, ou numa lágrima de dor..."

"É preciso muito amor para suportar essa mulher...."

Esses sambas, bem conhecidos pela maioria dos leitores do Couro, são do grande compositor da Portela Oswaldo Alves Pereira, o popular Noca da Portela. Esse sambista, desconhecido da grande massa, é um dos principais expoentes do nosso ritmo mais brasileiro. Compositor de mão cheia, excelente intérprete, sambista de verdade.

É com ele que o Anhanguera dá Samba comemora 1 ano de existência. O que era mais um sonho virou realidade. Realidade que nos embriaga de felicidade a cada última sexta do mês.


O Clube Anhanguera, pra mim, representa um espaço mágico. Um espaço de samba para sambistas. Coisa cada vez mais rara na recente mercantilização das nossas boas casas de samba. Sim, no Anhanguera a cerveja não é cara, o público presente não caiu de para-quedas por lá e o samba é o elemento mais importante. Coisa fina.

Sexta-feira, então, todos no Anhanguera.


Inimigos do Batente convidam Noca da Portela

Local: Clube Anhangüera

Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP

Data: 30/05

Horário: a partir de 22h

Ingressos: R$ 10,00 + um agasalho ou alimento não-perecível para doação a entidades assistenciais do bairro

Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

24 de maio de 2008

Cartola era Flu


Na última partida do Fluminense, no Maracanã, contra o São Paulo, a torcida do Fluminense prestou uma bela homenagem ao Mestre Cartola, tricolor fanático e que completaria 100 anos neste ano. Parabéns Flu pela bela homenagem.

22 de maio de 2008

Morre Darcy da Mangueira, um baluarte de duas escolas de samba


Darcy da Mangueira era daqueles sambistas que, apesar de desconhecidos do grande público, emocionava com suas belas composições. Mangueira ele tinha no nome, mas começou mesmo na Unidos da Tijuca (foi um dos fundadores) , umas das primeiras escolas, juntamente com o Salgueiro, a levar a temática dos negros para a avenida.

Pois bem, o samba mais uma vez está de luto. Ele se foi na última segunda-feira (19). Em homenagem a sua memória, irei postar um dos mais belos sambas-enredo de todos os tempos, de sua autoria. Trata-se de O Negro na Senzala, e com ele a Unidos da Tijuca desfilou no carnaval carioca de 1958 (e alcançou apenas a 11ª colocação. A vencedora foi a Portela).


15 de maio de 2008

"Lenha na fogueira" em versão caseira

“Lenha na Fogueira” é mais uma das belas parcerias de Mauro “Bolacha” Duarte e Paulo César Pinheiro. Sua primeira gravação (com algumas incorreções na letra) se deu num disco de Walter Alfaiate em tributo a Mauro (2005). Recentemente, o samba foi regravado (com a letra original) pela Cristina Buarque e o conjunto Samba de Fato no esplendoroso disco “O samba informal de Mauro Duarte”

Esta gravação que aqui posto agora, raríssima, é do acervo particular da família do Mauro Duarte. Nela, os compositores interpretam o belíssimo samba. Agradeço ao Renato Martins, do Terreiro Grande, pelo envio do fonograma.

Deleitem-se

Lenha na fogueira (Mauro Duarte - Paulo César Pinheiro)

Apesar de te amar como és
Eu jamais cairei aos seus pés
Pois no amor tem que haver compreensão dos dois
Pra não sofrer depois
Decepções cruéis
Todo abismo de amor nasce igual
O egoísmo é o primeiro degrau
Quem espera do amor mais do que ele tem
Acaba sem ninguém na direção do mal

Aprendi que o amor é, desde o início,
Mais renúncia e sacrifício que prazeres pra quem ama
Mas sendo o amor também esta fogueira
Quem põe lenha a vida inteira
Nunca mais se apaga a chama


6 de maio de 2008

Maioria sem nenhum (Mauro Duarte - Elton Medeiros)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Cartola nunca gostou de fazer sambas de protesto, de cunho social. Para ele, samba deveria falar de sentimentos, como o amor, a saudade, etc. Mauro Duarte, pelo contrário, se especializou em fazer belos sambas cujas letras são verdadeiras hinos de resistência. "Lama", originalmente gravado por Clara Nunes, é um belo exemplo. "Maioria sem Nenhum", parceria com Elton Medeiros, também.

Gravado pela primeira vez no disco Elton Medeiros e Paulinho da Viola - Na Madrugada, em 1968, este samba tem uma letra crítica sobre a desigualdade social. Um verdadeiro manifesto em forma de samba:

Maioria sem nenhum (Mauro Duarte - Elton Medeiros)

Uns com tanto
Outros tantos com algum
Mais a maioria sem nenhum

Esta história de falar em só fazer o bem
Não convence quando o efeito não vem
Porque somente as palavras não dão solução
Aos problemas de quem vive em tamanha aflição

Uns com tanto
Outros tantos com algum
Mais a maioria sem nenhum

Há muita gente neste mundo estendendo a mão
Implorando uma migalha de pão
Eis um conselho pra quem vive por aí a esbanjar:
Dividir para todo mundo melhorar

23 de abril de 2008

Edu Batata comanda a roda no Clube Anhanguera


Grandes nomes do samba já passaram pelo Clube Anhanguera. Outros novos nomes, ainda não consagrados, ainda não reconhecidos, mas nem por isso menos talentosos, vira e mexe, também pintam por lá.
Depois de rodas memoráveis com Chico Médico e Wilson Sucena, é hora de mais uma "revelação" do samba de São Paulo dar as caras no já tradicional “clube de samba” do Bom Retiro, o Clube Anhanguera.

Edu Batata, pra quem não conhece, é um dos melhores cavaquinistas que tem por aí, nas rodas de malandragem, além de ser um exímio compositor. Ex-integrante dos Inimigos do Batente e do conjunto Samba Rahro, se prepara agora pra lançar seu primeiro disco.

A roda desta sexta-feira promete ser inesquecível. Afinal, Batata se reencontrará com os amigos “Inimigos”. E quem se lembra daquelas rodas no Espaço CUCA, com ele no comando do cavaco, sabe que o samba é fino.

Sem delongas, até sexta.

Inimigos do Batente convidam Edu Batata

Local: Clube Anhangüera

Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP

Data: 25/04

Horário: a partir de 22h

Ingressos: R$ 10,00 + um agasalho ou alimento não-perecível para doação a entidades assistenciais do bairro

Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

10 de abril de 2008

Os sebos, guardiões de nosso tesouro musical

Quem não tem uma vitrola e desconhece o processo de garimpo em sebos não sabe o que está perdendo.

O que tem de disco bom perdido por aí em sebos não é brincadeira. A maioria dos sebos têm uma seção de discos de 1 real... E é aí que se escondem as maiores jóias. Garimpar dá trabalho e exige tempo, mas vale a pena.

Sim, porque misturados com discos do Jorge Costa, Henricão, Wilson Moreira, João Nogueira, Martinho da Vila e Partido em 5, há uma infinidade de discos da Xuxa, do Julio Iglesias, da Maria Betânia, do Ray Coniff, de novelas da Globo e, claro, do rei Roberto Carlos...

Então, é necessário paciência. Muita paciência. Faça o seguinte, tire uma tarde livre e vá a um sebo, pergunte pela seção de 1 real, puxe um banquinho e comece a olhar disco por disco. Certamente encontrará alguma jóia (provavelmente sem capa e sujo). Leve para casa, dê uma boa lavada e... pronto. Lavou, ta novo.

Pra quem duvida do que estou falando, segue uma lista de discos excelentes que paguei um real.

Martinho da Vila - Nem todo crioulo é doido
Os bambas do Partido Alto
Partido em 5 vol. 1
Partido em 5 vol. 4
Olé do partido alto vol. 3
Bezerra da Silva - Partido Alto nota 10 vol. 1
Escola de Samba Portela (1964)
Arte Negra de Wilson Moreira e Nei Lopes
João Nogueira - Clube do Samba

etc...

Eis a dica... garimpem.

2 de abril de 2008

25 anos sem Clara Nunes


Lá se vão 25 anos... Na manhã do dia 2 de abril de 1983, o Brasil perdia Clara Nunes, a nossa Guerreira do Samba.

Foi ela quem quebrou o tabu de que mulher não vendia discos.

Foi ela quem conquistou o Brasil nos anos 70. Com ela o samba estava em evidência.

Quanta falta faz para nós Clara Nunes. Com ela, teríamos mais uma representante digna do samba. Não precisaríamos forjar cantoras de samba, como lamentavelmente ocorre na data presente.

Por um capricho do destino, perdemos nossa maior sambista. Sim, porque não havia e jamais haverá cantora de samba como Clara. Alguém que respirava o samba da maneira mais pura possível.

Era ela a madrinha da Velha Guarda da Portela. Era ela puxadora de sambas-enredo da Portela. Uma portelense.

Clara Nunes. Um ser de luz. A mineira guerreira.

Poderia deixar com vocês um samba cantado por ela, mas vou colocar aqui as duas belas homenagens feitas a ela.

Flor do Interior (Manacéa)

A Velha Guarda da Portela
Chorou, chorou
Até hoje ainda chora
Sua madrinha foi embora
Só a saudade que ficou

Foi triste a despedida
Da Flor Clara do interior

No calor da alegria
No mundo da fantasia
Ela sorria
Sua beleza exuberante
Não esqueço um só instante
Sua magia

Era a Guerreira do samba
Nascida em Minas Gerais
Não esqueceremos jamais






Um ser de luz (João Nogueira - Paulo César Pinheiro - Mauro Duarte)

Um dia um ser de luz nasceu
Numa cidade do interior
E o menino Deus lhe abençoou
De manto branco ao se batizar
Se transformou num sabiá
Dona dos versos de um trovador
E a rainha do seu lugar
Sua voz então ao se espalhar
Corria chão, cruzava o mar
Levada pelo ar
Onde chegava espantava a dor
Com a força do seu cantar

Mas aconteceu um dia
Foi que o menino Deus chamou
E ela foi pra cantar
Para além do luar
Onde moram as estrelas
A gente fica a lembrar
Vendo o céu clarear
Na esperança de Vê-la, sabiá

Sabiá
Que falta faz tua alegria
Sem você, meu canto agora é só
Melancolia
Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá
Adeus, meu sabiá, até um dia




28 de março de 2008

Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Este samba é a coisa mais linda do mundo. Conheci na versão do disco “Coro dos Compositores da Portela - Minha Portela Querida”, um disco de 1972 que era raro até começar a ser difundido na Internet. Na hora, fiquei impressionado com a beleza da melodia e com o belo coro de portelenses que amparavam o Paulinho.

Tempos depois, escutei a versão que fora gravada pelo próprio Paulinho um ano antes. Belíssima versão também. Porém, para mim, a versão de 72 é imbatível. Algo majestoso, sublime, inenarrável... Não dá pra explicar o que é o samba. Escutem.

Um certo dia para 21 (Paulinho da Viola)

Foram para mim, horas diferentes
Quando eu me senti em plena liberdade
Tudo que eu trazia no meu pensamento
Era ter você só por um momento
E muito mais você me deu
E me fez passar um tempo precioso esquecido
E eu só andava pelas noites mais escuras
Me escondendo do perigo

Só depois quando acordei
Aí que eu me lembrei que era o 21
E andava procurado, tinha meu nome marcado
Não era um homem comum
Mas ficou aquele dia que me deu tanta alegria
Me marcando muito mais que a ferro e fogo
Às vezes, meu amor, fico pensando
Se a vida não tivessse me dado esse jogo




Este samba é dedicado ao Martinho das Perdizes, o Menino de 87.

Samba bom no Bom Retiro hoje

Pra quem tiver na Paulicéia hoje e estiver a fim de ouvir um samba bom, a dica é a roda de samba com os Inimigos do Batente e Wilson Sucena no Projeto Anhanguera dá Samba.
Mais uma vez, a roda promete levantar poeira...
Segue informações sobre o evento:

Inimigos do Batente convidam Wilson Sucena

Local: Clube Anhangüera

Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP

Data: 28/03

Horário: a partir de 22h

Ingressos: R$ 10,00 + um agasalho ou alimento não-perecível para doação a entidades assistenciais do bairro

Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

21 de março de 2008

Imperatriz do Samba (Pindonga - Iracy Serra)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Houve um tempo em que existiam três escolas de samba diferentes no Morro do Salgueiro: a Depois eu Digo, a Unidos do Salgueiro e a Azul e Branco. Nos anos 50 elas se fundiram e surgiu os Acadêmicos do Salgueiro, que logo mostrou força e começou a ganhar vários títulos.

Os sambistas Pindonga e Iracy Serra eram da Depois eu Digo e, em 1938, fizeram um samba em homenagem a Carmen Miranda para desfilar no Carnaval. Chama-se Imperatriz do Samba e fala sobre o sucesso da Pequena Notável nos EUA. Em 1938, ela ainda não tinha se firmado lá fora, mas já fazia suas turnês com o Bando da Lua.

Esta gravação foi feita pelo próprio Pindonga no disco do Salgueiro que a gravadora Marcus Pereira Discos lançou em 1974.

Imperatriz do samba (Pindonga - Iracy Serra)

Homenageamos a nossa imperatriz do samba
E rapaziada do Bando da Lua
Que fizeram aquela gente civilizada compreender
A nossa música sentimental
Samba é a glória de um carnaval

Abraçaram a nossa melodia
Com muita alegria
E com prazer vamos cantar
Devemos homenagear


Este samba é dedicado ao meu parceiro Bigode

6 de março de 2008

Martinho da Vila e seus convidados - Nem todo crioulo é doido (1978)

NA VITROLA
Existem dois tipos de sebos. Os sebos que cobram caro pelas jóias que possuem e os sebos que se desfazem de raridades por miséria, já que não noção do valor das bolachas que tem em mãos.

Nesse segundo tipo de sebo, já levei muita raridade pra casa a preço de banana. Recentemente, fuçando naquela seção “Sambistas” (que os caras colocam Art Popular, Fundo de Quintal e Aniceto do Império no mesmo balaio), achei um disco do Martinho que me chamou atenção.

O nome do álbum era “Martinho da Vila e convidados - Nem todo crioulo é doido” e eu nunca tinha ouvido falar dele. Comecei a ler a contra-capa e vi que os convidados eram todos feras: Zuzuca, Cabana, Darcy da Mangueira... Entre os compositores dos sambas, só bambas: Walter Rosa, Tolito, Aurinho da Ilha, Silas de Oliveira... Fiquei louco!

Perguntei o valor. “1 real”. Ri a toa. Levei a raridade pra casa. Quando a agulha tocou a cera, estupefação total: uma cuíca roncava lindamente na primeira faixa do lado A (a única composição do Martinho), “Pra que dinheiro”. Era uma versão totalmente diferente daquelas conhecidas. Uma maravilha.

Todos os sambas eram bons. Alguns, como “Só Deus”, de Walter Rosa e Jorginho, espetaculares. Fiquei pensando comigo: “Se o cara que me vendeu isso soubesse do valor deste álbum... ele me cobraria os olhos da cara!”.

Vou reproduzir aqui o texto da contra-capa, assinado pelo próprio Martinho (mantive os erros de grafia dele). Desfrutem do belo disco.


nem todo crioulo é doido

MARTINHO DA VILA

e seus convidados

Papo firme:

Com SAMBA DE CRIOULO o morro desce colorido todo ano e vai para a Cidade alegrar o povo. Digo alegrar o povo, porque o ritmo contagiante do samba toma o lugar das tristezas da população no período de momo, e, pro sambista verdadeiro, desfile oficial é compromisso sério. Êle desce o morro em fevereiro como se fôsse pruma guerra, só que a sua luta é de côres, de beleza, de arte, de cultura, pois - O sambista é um soldado/ Que defende as suas côres/ Com amor no coração/ Cada Ala é uma tropa/ Bateria é a banda/ e a Escola é um batalhão/ Sua farda é a fantasia/ A Avenida é o campo de batalha/ Seus tanques são as Alegorias/ E o samba é a sua metralha/ É uma guerra de beleza/ Da qual se participa com satisfação/ Quem perde fica com muita tristeza/ Mas quem ganha também chora de emoção.

Luto pelo samba desde menino. Vi nascer os Aprendizes da Bôca do Mato, que é a melhor Escola de Samba do mundo, apesar de atualmente estar desfilando na Praça Onze. Na Bôca eu fui Ritmista, Passista e Diretor de Harmonia; lá eu aprendi a ser partideiro e foi lá que eu fiz os meus melhores Sambas-de-Terreiro e quase montei uma História de Samba, particular, só na base do Samba-Enrêdo: “CARLOS GOMES - TAMANDARÉ - MACHADO DE ASSIS - RUI BARBOSA - VULTOS DA INDEPENDÊNCIA - FONTES DE RIQUEZA e CONSTRUTORES DO PROGRESSO”.

Vila Isabel, que agora é a minha Escola de coração, também desceu colorida com minha música nos dois últimos anos: “CARNAVAL DE ILUSÕES” (de parceria com o Gemeu) e “QUATRO SÉCULOS DE MODAS E COSTUMES”.

Ouvir o meu samba na avenida, no dominfo de carnaval, me dá uma emoção tão grande que eu fico “desligado”, “rindo à toa”, mas não dá pra ser chamado de “Crioulo Doido”, pois a higiene mental é feita nos terreiros de ensaios, onde se ouve samba puro, independente dos esquemas dos enrêdos, como os incluídos neste LP que só tem SAMBA DE CRIOULO, gravado na base da viola (Darcy da Mangueira), cavaquinho (J. Araújo) e ritmo (Conjunto Brasil Ritmo 67, com Beterlau no agogô, Neném na cuíca, Pelado no pandeiro, Orvalho no tamborim, Baldo no surdo e Arthur na tambora), além do meu amigo José Garcia que deu uma fôrça no tamborim e no pandeiro.

A minha Mana está sendo lançada aqui com a sua voz diferente (ainda vai ser a maior cantora do Brasil) e o côro foi improvisado pelos próprios compositores, reforçado pelas vozes das minhas meninas (Nélia e Erenice).

O único defeito dêste disco é só ter 12 faixas, pois, por falta de espaço, grandes cobras do sambão ficaram de fora: Mano Décio, Anescarzinho, Bidi, João Laurindo, Pelado, Osório, Leléo, Paulo Brazão e muitos outros.

É um disco feito pra sambista, pra quem freqüenta os terreiros das Escolas e pra quem gosta de SAMBA DE CRIOULO.

LADO 1

1) PRA QUE DINHEIRO. (Martinho da Vila)
MARTINHO DA VILA

2) DEIXA SERENAR. (Sidney da Conceição/ Castelo)
MARTINHO DA VILA

3) SE EU ERREI. (Tolito)
MARTINHO DA VILA

4) QUERER É PODER. (Picolino/ Colombo/ Noca)
MARTINHO DA VILA

5) DE FEVEREIRO A FEVEREIRO. (M. Pereira/ J. Galvão)
MARIO

6) SÓ DEUS. (Walter Rosa/ Jorginho)
ANÁLIA

LADO 2

1) TRISTEZA DE MALANDRO. (Zuzuca/ Bala)
ZUZUCA

2) NEM TODO CRIOULO É DOIDO. (Cabana)
CABANA

3) SOU DE OPINIÃO. (Darcy da Mangueira)
DARCY DA MANGUEIRA

4) QUEM LHE DISSE. (Antonio Grande)
ANTONIO GRANDE

5) SINFONIA DO MOSQUITO. (Aurinho da Ilha)
ANTONIO

6) BERÇO DO SAMBA. (Silas de Oliveira/ Edgard Cardoso)
ANÁLIA

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3 de março de 2008

Heitor dos Prazeres - Antonio Carlos da Fontoura


Heitor dos Prazeres honrou o nome. Como sambista, deixou seu nome na história. Como pintor, foi um dos maiores expoentes da arte naïf (arte primitiva).

Neste documentário de 1965, essas duas facetas desse artista popular foram brilhantemente registradas (e eternizadas) pelas câmeras do diretor Antonio Carlos da Fontoura. Um belo documentário.

Assiste aqui
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