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3 de setembro de 2013

Lembranças de uma roda de samba em homenagem a Wilson Baptista

Foi assim que se desenrolou a tarde do dia 13 de julho, um sábado ensolarado, em Belo Horizonte.
Uma linda homenagem a Wilson Baptista, celebrando seu centenário, foi realizada nesta data. Em ação, os sambistas da Roda de Samba Brasil 41, com convidados de todo o Brasil.

 
 
 

19 de julho de 2013

Centenário de Wilson Baptista, por Brasil 41

Nos idos de 1952, quando Jorge Goulart gravou o clássico samba Mundo de Zinco, parceria com Nássara, Wilson Baptista legou a todos seu anseio. O desejo era que, tal qual aconteceu com Noel Rosa, ilustre companheiro de polêmica, seu nome entrasse para o livro de ouro do samba. "Mas deixo o nome na história, o samba foi minha glória / E sei que muita cabrocha vai chorar por mim".

Dezesseis anos depois, de fato, muita cabrocha chorou por ele. Mas o seu nome, naquele momento, não entraria de imediato para história. Corria o ano de 1968, época de revoltas, de manifestações populares, de mudanças sociais profundas e - triste lembrança -  do famigerado Ato Institucional nº 5, que reduziu ainda mais as liberdades civis da população brasileira naqueles tempos sombrios de ditadura militar. Tamanha convulsão fez com que a morte de Wilson Baptista passasse batida. Morreu pobre e esquecido.

Mais de quatro décadas após seu desaparecimento, inúmeros clássicos de sua autoria seguem celebrados, como Emília (com Haroldo Lobo), Bonde de São Januário, Oh Seu Oscar (ambos com Ataulfo Alves) e Meu mundo é hoje (com José Batista), ainda que muitos ignorem que Wilson seja o autor de tais pérolas. Fato é que a genialidade do compositor é inversamente proporcional a seu reconhecimento para com as gerações que se sucederam após sua morte.

Poucos se dedicaram a estudar a vida e a obra de Wilson Baptista. Em 1985, a Funarte lançou um disco (com Joyce e Roberto Silva) e um livro (Wilson Batista e sua época, escrito por Breno Ferreira Gomes) em sua memória. Em 1996, Luís Fernando Vieira e Luís Pimentel publicaram Wilson Batista na corda bamba do samba, pela editora Relume Dumará. Quatro anos depois, Cristina Buarque gravou um Cd todo dedicado ao bamba, Ganha-se pouco, mas é divertido. Finalmente, nos últimos anos, o pesquisador Rodrigo Alzuguir dedicou ao mestre um espetáculo musical, um CD duplo (ambos batizados de O samba carioca de Wilson Baptista), um livro de partituras (Wilson Baptista - Cancioneiro Comentado, recém-lançado), além de se preparar para lançar, nos próximos meses, a mais completa biografia já realizada sobre o sambista, Wilson Baptista - O samba foi sua glória.

Com a exceção dos trabalhos desenvolvidos por Alzuguir, no entanto, o centenário de Wilson Baptista teve pouco destaque na mídia e quase nenhuma homenagem foi feita em seu nome - diferentemente do que ocorreu com Noel Rosa, Cartola, Adoniran Barbosa, Nelson Cavaquinho, Herivelto Martins e Assis Valente, nos últimos anos. Mas uma grandiosa celebração haveria de ser feita.

De Herivelto Martins a Wilson Baptista

Ano passado, sambistas de Belo Horizonte, da Roda de Samba Brasil 41, protagonizaram um dos espetáculos mais belos dedicados a um compositor brasileiro. Era o ano do centenário de Herivelto Martins e uma grande roda de samba foi formada, no acanhado bar situado na Avenida Brasil, nº 41 (daí o nome da "agremiação"). Dezenas de sambas de Herivelto, dos mais clássicos aos mais desconhecidos, foram cantados com fervor pelos jovens sambistas, tão dispostos a valorizar a cultura popular brasileira. Findada a homenagem, ficou no ar uma vontade de seguir exaltando estes nomes tão distintos de nossa música. Ali, no calor da emoção, decidiu-se: 2013 é ano de celebrar o centenário de Wilson Baptista.

A data escolhida para a celebração foi 13 de julho, um sábado. Neste dia, a capital do samba foi Belo Horizonte. Eu digo e não tenho medo de errar.

Belo Horizonte recebeu, nesta ocasião, sambistas de Uberlândia, Rio de Janeiro e São Paulo. O time estava entrosado, o Brasil 41 ensaiou o ano inteiro. Receber ritmistas, violonistas e cavaquinistas de outras paragens para sentar à roda naquele dia, sem ensaios prévios... Haveria de dar algo errado? Não, pois todos ali falavam a mesma língua. Se fosse um time, todos jogariam por música, praticando o mais legítimo futebol-arte. Bastaria o samba começar para todos saberem o que fazer. E foi assim que aconteceu.

Antes de tentar exprimir em palavras uma das rodas de samba mais emocionantes que já presenciei, cabe ressaltar a extrema dedicação destes mineiros que tomaram frente ao maravilhoso projeto de homenagear Wilson Baptista, os sambistas do Brasil 41: Daniel Capu, Vinícius Terror, Mateusão, Bernard, Arthurzinho, Ciro, Adriano, as pastoras e todos os outros integrantes desta agremiação, que tanto faz pelo samba. Aos que vieram de fora, Tuco, Alfredão, Julião Pinheiro, João Camarero, Léo Careca, Fábio Lomba, Thiago Belisário, Fernando Paiva, Galego, Carica, Fabrício, e tantos outros mais, também, um salve! Aos que não citei, mas que estiveram presentes (e ao Artur de Bem, que ajudou na pesquisa de repertório, mas não foi a BH), obrigado! E vamos ao que interessa, a inesquecível homenagem.

Pode perguntar se era assim

A harmonia dos violões e cavaquinhos falava alto. Então, entoaram-se os versos do samba Não era assim, parceria de Wilson com Haroldo Lobo, gravado inicialmente por Déo, em 1945, e regravado por Cristina Buarque, em 2000.

Não era assim que a bateria falava, não era assim
As cabrochas não sambavam assim
Você vai lá em São Carlos, Mangueira, Salgueiro, Matriz, todo morro, enfim
Pode perguntar se era assim

Não havia bateria, era tudo diferente 
As cabrochas não sambavam esse ritmo tão quente 
Pergunte ao João da Baiana, que vai responder por mim
Se era, se o samba era assim...

Quando o samba voltou para a "cabeça", entrou a bateria. Falando alto, mostrando que era assim que ela falava, nos bons tempos de João da Baiana. Pode perguntar se era assim. A emoção do momento fez com que lágrimas brotassem, discretas, dos meus olhos. Há tempos não sentia tal sensação em uma roda de samba. Um momento sublime. E era apenas o início de uma tarde magistral.

Se o samba que abriu a homenagem foi regravado por Cristina Buarque, muitos outros que se sucederam no repertório não tiveram o mesmo destino, permanecendo escondidos em velhos acetatos e em acervos particulares, sobrevivendo a traças e gerações alienadas da obra do genial sambista. E a bateria avançava - fogo! -, celebrando a Miss de Mangueira, o botequim, o carnaval. As cabrochas sambavam até a sandália furar e toda a plateia ficou maluca depois de ouvir o samba do Brasil 41.

Wilson Baptista, que se preocupou tanto em deixar um legado e partiu sem ter seu nome devidamente exaltado, certamente estaria feliz em ver tamanha celebração. Heróis são aqueles que cantaram, que sambaram por nós. E que herói foi este grande bamba!

E o Brasil inteiro vai cantar depois o samba de Wilson Baptista

O repertório era repleto de sambas "lado B", mas para aqueles sambistas que entoavam, com louvor, melodias e versos de Wilson, estava tudo na ponta da língua. Aos que não conheciam as composições garimpadas, tal qual pepitas de ouro, pelos esmerados pesquisadores, um caderninho - com todas as letras, a ordem de apresentação dos sambas e um precioso texto, escrito por Sérgio Moraleida - servia de apoio.

Ao ouvir a roda de samba cantando com gosto os sambas desconhecidos de Wilson, a impressão era que tais composições eram clássicos absolutos da música popular brasileira, já que todos cantavam em alto e bom som, em um coro afinado. Foi assim que o povo cantou os contagiantes Quando dei adeus (com Ataulfo Alves), Sempre Mangueira (com Nássara e Jorge de Castro), A voz do sangue (com Valfrido Silva), entre tantos outros.

Outras composições, resgatadas por Cristina Buarque em Ganha-se pouco, mas é divertido, também tiveram espaço: Sambei 24 horas, Cabo Laurindo, Rosalina (todas com Haroldo Lobo), Comício em Mangueira (com Germano Augusto) e Lá vem o Ipanema (com Roberto Roberti e Arlindo Marques Júnior) foram cantadas pelos presentes. Da pesquisa feita por Rodrigo Alzuguir para o disco O samba carioca de Wilson Baptista, lançado em 2011, entraram Louca alegria e Transplante de coração (último samba composto pelo mestre).

O sincopado Mania da falecida (mais uma parceria com Ataulfo Alves) e sua primeira composição, Por favor vai embora (com Osvaldo Silva e Benedito Lacerda) - um samba híbrido, um tanto rural, um tanto urbano - também foram cantados, a despeito da diferença de andamento destas duas composições para as outras destacadas na homenagem.

Cronista musical que foi, Wilson Baptista explorou, como poucos, as diversas temáticas que compunham a vida social do Rio de Janeiro da primeira metade do século passado. E neste lindo tributo dedicado a ele, um variado leque de crônicas em forma de samba fez-se presente: a mulher que abandona o marido para cair no samba, os bairros e morros (Lapa, Salgueiro, Mangueira e Favela), os personagens emblemáticos (se faltou Emília e Seu Oscar, estiveram ali Guiomar, Elza, Rosalina e Etelvina), toda esta aquarela musical esteve presente no Galpão Cultural, no bairro belo-horizontino de São Gabriel.

A nossa homenagem é sincera...

Em 1945, Aracy de Almeida gravou o samba Parabéns para você, uma parceria de Wilson Baptista com o bamba Roberto Martins. A bela composição, por anos, foi cantada em aniversários de sambistas - até ser suplantada pela composição homônima, versão brasileira de uma canção estadunidense de letra e melodia um tanto aquém a rica tradição musical brasileira.

A cada primavera, os sambistas entoavam o belo samba:

Parabéns para você
Pelo seu aniversário
Que Deus o faça feliz
Bem feliz junto aos seus
São os meus ardentes voto
Com toda sinceridade
Parabéns para você
E muita felicidade

A minha homenagem é sincera
Pois hoje você passa mais uma primavera
Aceite um forte abraço
Deste alguém que tanto lhe ama
Parabéns para você
Segue nesse telegrama

No aniversário de 100 anos de Wilson Baptista, não haveria composição mais emblemática para homenageá-lo. E foi este o derradeiro samba da celebração. Parabéns, mestre! Os sambistas agradecem e exaltam, nesta data histórica, sua genial obra. 

Wilson Baptista segue vivo e grandioso. Afinal, como diz um trecho de seu último samba: "o sambista quando é grande demais, não deve desaparecer".

Avaliação: ***** (excelente)

11 de julho de 2013

Roda de Samba Brasil 41 homenageia Wilson Baptista




Homenagem a Wilson Baptista - 100 anos (com Brasil 41)
Local: Galpão Cultural
Endereço: Rua Coronel Eugênio Thibau, 252 - São Gabriel - Belo Horizonte/MG
Data: 13 de julho (sábado)
Horário: 14h
Valor: Gratuito

3 de julho de 2013

Centenário de Wilson Baptista

No dia 3 de julho de 1913, nascia um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos. Wilson Baptista foi um dos grandes, gigantes do samba. Compositor autêntico, ajudou, ao lado de Geraldo Pereira e Ciro de Souza, a desenvolver o chamado "samba de bossa", mais desprendido da limitação de métricas e rimas e ideal para a interpretação de orquestras de gafieira, muito popular nos anos 40. 

Como letrista, abordou temas sociais, até mesmo políticos e, a despeito da composição de "Emília" (lembrado por gerações a fio como um samba machista), pintou a mulher com tintas libertárias, sendo um dos primeiros sambistas a valorizar o papel feminino como protagonista da sociedade, dotada de direitos e apta a desfrutar de lazeres até então restritos ao homem, como sambar até a sandália furar e cair na orgia até cansar. 

Wilson morreu em 1968, sem ter desfrutado da revalorização de sambistas, iniciada naquela década e que culminou nos anos 70, quando antigos compositores, que por décadas amargaram o ostracismo, voltaram a ter destaque - Adoniran Barbosa, Cartola, Nelson Cavaquinho e Carlos Cachaça gravaram seus primeiros álbuns apenas nesta década, todos com mais de 60 anos de idade.

Em homenagem aos 100 anos deste grande mestre do samba, O Couro do Cabrito preparou uma seleção de sambas pouco conhecidos dele. Desfrute sem moderação!

Estás no meu caderno (Benedito Lacerda - Osvaldo Silva - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1934 na VICTOR - canta: Mario Reis

Não durmo em paz (Geraldo Augusto - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1936 na ODEON - canta: Carmen Miranda 1936

Meu último cigarro (Wilson Baptista) - Samba gravado em 1937 na COLUMBIA - canta: Déo

Não sei dar adeus (Ataulfo Alves - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1939 na ODEON - canta: Déo

Mania da falecida (Ataulfo Alves - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1939 na VICTOR - canta: Ciro Monteiro

Quando dei adeus (Ataulfo Alves - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1939 na VICTOR - canta: Odete Amaral

Carta verde (Valfrido Silva - Wilson Baptista - Armando Lima) - Samba gravado em 1940 na COLUMBIA - canta: Zila Fonseca

Brigamos outra vez (Marino Pinto - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1940 na VICTOR - canta: Aracy de Almeida

Depois da discussão (Marino Pinto - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1940 na VICTOR - canta: Odete Amaral

É mato (Alvaiade - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1941 na ODEON - canta: Odete Amaral

A voz do sangue (Valfrido Silva - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1941 na ODEON - canta: Newton Teixeira

A mulher que eu gosto (Ciro de Souza - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1941 na VICTOR - canta: Ciro Monteiro

Hildebrando (Haroldo Lobo - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1941 na VICTOR - canta: Ciro Monteiro

Essa mulher tem qualquer coisa na cabeça (Cristóvão de Alencar - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1942 na VICTOR - canta: Ciro Monteiro

O Juca do Pandeiro (Augusto Garcez - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1943 na ODEON - canta: Aracy de Almeida

Gosto mais do Salgueiro (Geraldo Augusto - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1943 na ODEON - canta: Aracy de Almeida

Como se faz uma cuíca (Haroldo Lobo - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1944 na VICTOR - canta: Anjos do inferno

Apaguei o nome dela (Haroldo Lobo - Wilson Baptista - Jorge de Castro) - Samba gravada em 1944 na CONTINENTAL - canta: Arnaldo Amaral

Benedito não é de briga (Geraldo Augusto - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1945 na ODEON - canta: Quarteto Ases e Um Coringa

Outras mulheres (Wilson Baptista - Jorge de Castro) - Samba gravado em 1945 na RCA VICTOR - canta: Carlos Galhardo

Memórias de um torcedor (Geraldo Gomes - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1946 na ODEON - canta: Aracy de Almeida

Filomena, cadê o meu? (Wilson Baptista - Antônio Almeida) - Samba gravado em 1949 na RCA VICTOR - canta: Anjos do Inferno


Olhos vermelhos (Roberto Martins - Wilson Baptista) - Samba gravado em 1951 na RCA VICTOR - canta: Anjos do Inferno


12 de março de 2013

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Quando dois geniais compositores se juntam em uma parceria, o resultado só pode ser a criação de uma pérola. Wilson Batista e Ataulfo Alves, dois dos maiores nomes do samba, compuseram várias, entre elas, os clássicos absolutos do carnaval - e da música popular brasileira - Oh, Seu Oscar e O Bonde de São Januário.

Porém, é nos sambas "lado B" da dupla que fui buscar esta belíssima composição. Não sei dar adeus foi gravado pela primeira vez em 1939, por Déo, e permanceu sem receber uma regravação até 2011, quando Marcos Sacramento registrou a composição no CD-tributo O samba carioca de Wilson Baptista, um projeto de Rodrigo Alzuguir.

Uma joia rara, que merece o pedestal dado aos grandes sucessos da dupla.

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves)


Eu não sei dar adeus a ninguém
Sem meu pranto cair
Eu não sei iludir o meu coração
Com sorriso em vão
Eu tentei me conter
Mas quando ela
Disse adeus eu chorei

Falo alto até grito: “eu chorei!”
Pois de fato eu acho até bonito
Chorar por seu bem querer
Num verso de um poeta consagrado
Eu li muito bem:
“Chorar por seu amor
Não envergonha ninguém”
Pois eu chorei
Porque muito amei

Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves) - Déo (1939)
Não sei dar adeus (Wilson Batista - Ataulfo Alves) - Marcos Sacramento (2011)



Samba dedicado a Maria Pinheiro, meu amor, que tanto gosta dos sambas do Ataulfo e, especialmente, desta composição.

4 de janeiro de 2013

O samba carioca de Wilson Baptista

Dando início às homenagens ao centenário de Wilson Batista, celebrado neste ano de 2013, reproduzo aqui uma resenha sobre o disco "O Samba Carioca de Wilson Baptista", publicada em julho de 2011 na revista Carta Capital. Segue o texto na íntegra, sem cortes.

Garimpo, em tempo

Wilson Batista, autor de clássicos do carnaval (do samba e da MPB) como “Emília”, “Bonde São Januário” e “Oh, Seu Oscar”, teve o primeiro samba gravado, “Por favor vai embora”, há 79 anos. Desde então, dezenas de intérpretes de várias gerações registraram suas canções. Mas faltava um trabalho de “garimpo” em sua obra à altura de sua importância para a música brasileira.

O Samba Carioca de Wilson Baptista, esmerado projeto de pesquisa de Rodrigo Alzaguir, homenageia o sambista com um álbum-tributo (duplo), trazendo composições inéditas (nove), registros caseiros raros (dois) e um musical (na íntegra). São crônicas, que retratam o Rio Antigo, o samba, a malandragem, o trabalho e as mulheres. Um resumo da biografia do artista.

O álbum é dividido em duas partes. O Disco Um é a “Reserva Especial”, que traz uma seleção de músicas raras, inéditas ou jamais regravadas. Participam das gravações: Cristina Buarque, Elza Soares, Wilson das Neves, Samba de Fato, Nina Becker, Rosa Passos, Marcos Sacramento, Tantinho da Mangueira, Teresa Cristina, Céu, Mart'nália, Zélia Duncan, Cláudia Ventura, Rodrigo Alzuguir e Roberto Silva (que conviveu com Wilson Batista e agora, nonagenário, regrava alguns sambas). Destaques para “Não sei dar adeus” (gravada em 1939), parceria com Ataulfo Alves, interpretada por Marcos Sacramento e a marcha-rancho inédita “Nelson Cavaquinho”, por Teresa Cristina.

O segundo disco é o “Espetáculo”. Trata-se da trilha sonora do espetáculo “O samba carioca de Wilson Baptista”, encenado e cantado por Rodrigo Alzuguir e Cláudia Ventura em uma aplaudida temporada nos teatros do Rio. O musical traz passagens da vida de Wilson Batista, seus principais personagens (como Etelvina, Emília, Seu Oscar e Chico Brito), a famosa polêmica com Noel e vários sucessos. 

O Samba Carioca de Wilson Baptista é um disco que foge do óbvio. Ao resgatar a obra, ilumina a biografia do sambista. Resgatando o passado, ilumina o presente, preparando terreno para as futuras gerações de sambistas.


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