30 de abril de 2010

Caso de amor (Luis Carlos - Miro)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Samba gravado no disco "A voz do samba", de 1969. Interpretado por Silvinho, legendário intérprete da Portela.

Caso de Amor (Luis Carlos - Miro)

Eu por um caso de amor chorei
E passei um mal pedaço
Até que a vida te trouxe sorrindo
E meu coração já não sofre mais

Hoje tudo é sorrir
Não vale mais chorar
Um novo mundo encontrei em teus braços
E meu coração já não sofre mais



Esse samba é dedicado ao Fernandinho, do Projeto Resgate (RS), grande parceiro.

29 de abril de 2010

Agenda Cultural - De 29 de abril a 5 de maio

Local: Clube Anhangüera
Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP
Data: 30 de abril (sexta-feira)
Horário: a partir de 22h
Valor: R$ 10,00

Encontro de Velhas Guardas / Debate: A importância da Velha Guarda para a história e a memória do samba no Brasil
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 30 de abril (sexta-feira)
Horário: 20h
Valor: Grátis

Encontro de Velhas Guardas / Roda de Entrevistas - Velhas Guardas
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 1º de maio (sábado)
Horário: 14h
Valor: Grátis

Encontro de Velhas Guardas / Show Apoteótico
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 1º de maio (sábado) e 2 de maio (domingo)
Horário: 21h (sábado) e 19h30 (domingo)
Valor: de 4 a 16 reais

“Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia” / Lançamento Nacional do CD em Belo Horizonte
Local: CentoeQuatro
Endereço: Praça Rui Barbosa, 104 - Centro - Belo Horizonte/MG
Data: 1º de maio (sábado)
Horário: a partir das 15h
Valor: 20 reais

Local: Galeria Dois Pontos
Endereço: Rua Cel Genuíno, 226 - Centro - Porto Alegre/RS
Data: 01 de maio (sábado)
Horário: a partir das 17h
Valor: Grátis

Projeto Resgate canta o Império Serrano

O Projeto Resgate, agremiação de ótimos sambistas do Rio Grande do Sul rende tributo ao Império Serrano neste sábado na Galeria Dois Pontos. Excelente oportunidade para quem for de Porto Alegre e quiser escutar uma excelente roda de samba.

SERVIÇO:

Projeto Resgate homenageia a Império Serrano
Local: Galeria Dois Pontos
Endereço: Rua Coronel Genuíno, 226 - Centro - Porto Alegre/RS
Data: 01 de maio (sábado)
Horário: a partir das 17h
Valor: Grátis

Encontro de Velhas Guardas

Importante encontro será realizado neste próximo fim-de-semana no Sesc Santana. As Velhas Guardas da Camisa Verde e Branco (São Paulo), Império Serrano (Rio de Janeiro), Protegidos da Princesa (Florianópolis) e Tabajara (Uberlândia) se reunirão para apresentações, debates e rodadas de entrevistas.

Na sexta, às 20h, será exibido o documentário “Carnaval paulistano na voz da Velha Guarda” (35min) e na sequencia haverá um debate sobre a importância da Velha Guarda na formação cultural do Samba no Brasil. Presentes no encontro: Dr. Juarez Tadeu, Sr. Carlão da Peruche, Sr. Fernando Penteado, Sr.Monarco, Mestre Bolinho e Sr. Bonassis Francisco.

No sábado (21h) e no domingo (19h30), os senhores sambistas das quatro agremiações se apresentarão num encontro inédito. Ainda no sábado, às 14h, haverá uma roda de entrevistas onde os sambistas contarão um pouco de suas histórias.

SERVIÇO:

Encontro de Velhas Guardas / Debate: A importância da Velha Guarda para a história e a memória do samba no Brasil
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 30 de abril (sexta-feira)
Horário: 20h
Valor: Grátis

Encontro de Velhas Guardas / Roda de Entrevistas - Velhas Guardas
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 1º de maio (sábado)
Horário: 14h
Valor: Grátis

Encontro de Velhas Guardas / Show Apoteótico
Local: SESC Santana
Endereço: Avenida Luiz Dumont Villares, 579 - Santana - São Paulo/SP
Data: 1º de maio (sábado) e 2 de maio (domingo)
Horário: 21h (sábado) e 19h30 (domingo)
Valor: de 4 a 16 reais

Douglas Germano: A bola da vez no Anhangüera dá Samba

Douglas Germano é um importante compositor da Paulicéia. Criado como sambista na Ala de Compositores da tradicional Escola de Samba Nenê da Vila Matilde, foi também fundador do Mutirão do Samba, projeto de valorização do samba pioneiro na cidade.

Nesta sexta-feira, será ele o convidado dos Inimigos do Batente no Projeto Anhangüera (sempre com trema) dá Samba. Para quem ainda não o conhece e quiser sentir o chumbo grosso que vem pela frente, segue um vídeo de seu excelente samba "Lama".



SERVIÇO:

Inimigos do Batente convidam Douglas Germano
Local: Clube Anhangüera
Endereço: Rua dos Italianos nº1261 – Bom Retiro – São Paulo - SP
Data: 30 de abril (sexta-feira)
Horário: a partir de 22h
Valor: R$ 10,00
Como chegar: Marginal Tietê (sentido Penha), passando a Ponte da Casa Verde, terceira rua à direita, primeira à esquerda e novamente primeira à esquerda.

Terreiro Grande nas Minas Gerais

Após o apoteótico lançamento do disco-tributo à Candeia no Bar do Alemão, Tatuapé, São Paulo, eis que agora o Terreiro Grande lança o excelente disco em terras mineiras. O evento será realizado no CentoeQuatro e será em forma de roda de samba, onde eles se sentem mais à vontade e podem mostrar de maneira legítima os sambas do mestre Candeia.

Às 15h30, será exibido o documentário “Terreiro Grande”, de Zeca Buarque Ferreira, e em seguida a pancadaria irá rolar solta na roda de samba de primeira categoria que eles sempre promovem. Pelo que dizem as más línguas, vai haver uma degustação da premiada cachaça mineira “Áurea Custódio” na entrada. O ingresso é de 20 reais e será vendido no local do samba a partir das 10h.

SERVIÇO:

“Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia” / Lançamento Nacional do CD em Belo Horizonte
Local: CentoeQuatro
Endereço: Praça Rui Barbosa, 104 - Centro - Belo Horizonte/MG
Data: 1º de maio (sábado)
Horário: a partir das 15h
Valor: 20 reais

28 de abril de 2010

Os primeiros sambas de Adoniran


Adoniran Barbosa, um dos maiores gênios da música popular brasileira e representante maior do samba paulista, sempre sonhou em ser artista, algo que nos idos de 1930 era quase um eufemismo para vagabundo.

Ele que, desde menino teve que pegar firme no batente (quando não dava seus migués), não queria saber muito de trabalhar, não. Sua meta era entrar para rádio, para poder flautear a vontade e ter a vida sempre pediu a Deus - beber a vontade com os amigos, fazer samba e vadiar.

Após algumas portas fechadas (a mais dolorosa foi quando ouviu: "sua voz é boa para acompanhar defunto"), ele, muito cara-de-pau, insistiu tanto que foi arranjando seu espaço.

Seu estilo paulistano-italiano-caipira ainda não estava desenvolvido e ele imitava mesmo os cariocas. Foi se arrumando e conseguiu emplacar algumas gravações. Duas delas, feitas pelo cantor carioca Déo, grande cartaz da época, no ano de 1936: "Um amor que já passou", parceira com Eratóstenes Frazão e "Chega", parceria com José Marcílio, foram registradas na Columbia.

Vale a pena conferir:

27 de abril de 2010

Raphael Rabello na Rádio Alambique

Hoje, na programação da Rádio Alambique, tocada pelo meu amigo Ary Marcos, teremos somente músicas interpretadas pelo gênio das cordas Raphael Rabello, que nos deixou precocemente há exatos 15 anos.


Parabéns Ary, você é resistência!!

Roberto Seresteiro canta Noel e Adoniran

Hoje, na Casa de Francisca (Rua José Maria Lisboa 190 - Jardim Paulista - São Paulo/SP), o ótimo cantor Roberto Seresteiro renderá um justo tributo a Noel Rosa e Adoniran Barbosa, os dois gênios da música brasileira que completariam 100 anos neste 2010.

Ele será acompanhado pelos grandes cartazes Alfredo Castro (percussão), João Camarero (violão de 7) e Lucas Arantes (cavaco). O espetáculo tem início às 21h30 e o valor de entrada é 19 reais.

26 de abril de 2010

A Velha Guarda de São Paulo

Há muito tempo, as escolas de samba deixaram de ser o verdadeiro lar dos sambistas e ingressaram num profissionalismo selvagem que exterminou a espontaneidade musical e artística daqueles que realmente cultuam o samba. Verdadeiros baluartes das Escolas e aqueles que mantêm a tradição de um tempo o samba era o que movia a Escola, os sambistas da Velha Guarda estão cada vez mais deixados de lado nas agremiações. Em São Paulo, surgiu em 2006 um movimento para barrar este processo degeneratório: a Associação Independente Cultural Velha Guarda do Samba do Estado de São Paulo. Na última terça-feira, dia 20 de abril de 2010, tomou posse a segunda diretoria, tendo à frente, na presidência, o senhor Carlos Alberto Caetano, o lendário Carlão do Peruche, um dos maiores do samba paulista e brasileiro.

A solenidade se deu no salão nobre da Câmara Municipal de São Paulo, num ambiente suntuoso que em nada lembrava os porões e malocas que os antigos sambistas da Paulicéia sambavam. Os pavilhões das Velhas Guardas de diversas agremiações estavam bem postadas no canto direito da sala. Era uma grande reunião de velhos bambas, todos elegantemente trajados com ternos das cores de suas Escolas. Tal evento contou com o apoio dos vereadores Jamil Murad e Netinho de Paula, ambos do PC do B. Além deles, outras “autoridades” estavam presentes. Mas quem era autoridade de verdade mesmo ali eram os sambistas.

Há um provérbio africano que diz que quando um idoso morre, leva com ele uma biblioteca de conhecimentos. Ontem havia muito mais do que várias bibliotecas. Com tamanha reunião de bambas, quantas horas de samba inéditos e espetaculares poderíamos ouvir? A Velha Guarda é a resistência.

O hino nacional foi executado ao som da bateria-mirim da Peruche, com cavaquinho e violão. Pela primeira vez, vi os brasileiros balançando o corpo no momento da execução de nosso tão belo hino. Duda Ribeiro, uma das embaixatrizes do samba paulista e lendária pastora da Camisa Verde e Branco, discursou e clamou: “Bereré!!!!”, que em iorubá significa “paz, saúde, amizade, energia”.

Carlão do Peruche, esta lenda viva do samba, ao receber seu diploma de presidente da Associação, fez duras críticas ao atual formato do carnaval e às diretorias das Escolas de Samba. “O Carnaval que eu conheci era do povo. As pessoas se fantasiavam, brincavam. Hoje é tudo negócio e as diretorias dão cada vez menos valor para nós da Velha Guarda”. De fato, há muito que se fazer para valorizar estes senhores e a criação da Associação vem para mudar este quadro.

Era chegada a hora de toda a nova diretoria tomar posse. Enfileiraram-se os pavilhões para que os bambas pudessem passar por este corredor e então receber o diploma de posse. A nova diretoria tem como principais nomes:

Presidente: Carlão do Peruche (Unidos do Peruche)
Vice-presidente: Humberto Bonfim (Vai-Vai)
1ª Secretária: Maria Cristina Nunes Martins (Unidos do Peruche)
2ª Secretária: Maria de Lourdes Ribeiro (Barroca Zona Sul)
1º Tesoureiro: Paulo Santana Vangrelino (Vai-Vai)
2ª Tesoureira: Maria Helena Rosalino (Camisa Verde e Branco)

Após a cerimônia de posse, a bateria mirim da Peruche e os sambistas presentes cantaram o “Tributo a Velha Guarda”, belíssimo samba de Fernando Penteado. Um momento mágico, a consagração do samba num palco pra lá de nobre.



Tributo a Velha Guarda (Fernando Penteado)

Quem é?
Que guarda a memória do Samba?
Quem é?
Que faz do Samba o seu viver?
Quem é?
Que o Samba é seu sobrenome?
Quem faz o Samba germinar?
Quem é? Quem é? Quem é?

É a Velha Guarda seu moço
É a Velha Guarda seu moço
É a Velha Guarda seu moço
É a Velha Guarda

São sambistas de primeira
Relicário seu igual
Essência da nossa cultura
Patrimônio nacional

Essa é a nossa Velha Guarda
A quem devemos respeitar
Graças a estes baluartes
O Samba e o mais alto patamar
(oi quem é...)!

Findada a cerimônia, conversei com Humberto Bonfim, da Velha Guarda da Vai-Vai, que me disse quais são os principais objetivos da Associação. “Buscamos valorizar a Velha Guarda. Precisamos de um espaço VIP no Sambódromo, pois nossos integrantes não têm condições de poder acompanhar os desfiles das Escolas sem uma ajuda de custo. Queremos fazer um carnaval da Velha Guarda na Avenida São João, um “avant premiere”, como se fazia antigamente, para o povo poder novamente brincar. E principalmente, buscamos um maior respeito por parte das diretorias das nossas Escolas que não nos tratam com o devido respeito”.

Fica a bronca e a esperança de que dias melhores venham para estes senhores sambistas.

22 de abril de 2010

Agenda Cultural - De 22 a 29 de abril

Núcleo de Sambistas Jequitibá
Local: Bar do Roque
Endereço: Avenida General Ataliba Leonel, 2422 - Santana - São Paulo/SP
Data: 24 de abril (sábado)
Horário: a partir das 15h
Valor: Grátis

Samba da Ouvidor em Paquetá
Local: Bar do Paulão
Endereço: Rua Doutor Lacerda, 18 - Paquetá - Rio de Janeiro/RJ
Data: 25 de abril (domingo)
Horário: a partir das 14h
Valor: Grátis

Núcleo de Samba Cupinzeiro
Local: Barracão Teatro
Endereço: Rua Eduardo Modesto, 128 - Santa Izabel - Campinas/SP
Data: 25 de abril (domingo)
Horário: 18h
Valor: Grátis

Instituto Brasilidades - Projeto Compondo a História (homenagem a Dona Ivone Lara)
Local: Boteco do Paulista
Endereço: esquina da General Salustiano com a Riachuelo, em frente ao Gasômetro
Data: 25 de abril (domingo)
Horário: 18h
Valor: Grátis

Roberto Seresteiro canta Adoniran e Noel
Local: Casa de Francisca
Endereço: Rua José Maria Lisboa 190 - Jardim Paulista - São Paulo/SP
Data: 27 de abril (terça)
Horário: 21h30
Valor: 19 reais

20 de abril de 2010

19 de abril de 2010

Tristeza de um sambista (Oswaldo Arouche - Walter Pinho)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Geraldo Filme lançou apenas um disco solo em sua carreira, em 1980. Repleto de jóias, a grande maioria dos sambas é de sua autoria. Tristeza de um sambista, uma crítica social pesada e muito pertinente, no entanto, é a única faixa que o sambista não assina a composição. Oswaldo Arouche e Walter Pinho foram os responsáveis por este belíssimo samba.

Tristeza de um sambista (Oswaldo Arouche - Walter Pinho)

Felicidade hoje é fantasia
E o povo canta mesmo sem saber
Que a favela virou poesia
Na boca de quem nunca soube o que é sofrer

Quando sopra o vento no mês de Fevereiro
A nega me pergunta: "o que fazer?"
O zinco tremulando é um pesadelo
Só rezo e peço a Deus para nos proteger

Todos cantam todos falam, mas esquecem o principal
A tristeza do sambista é não ter no carnaval
Sua própria fantasia e um barraco em condição
Para não ver a realidade no desfile da ilusão

15 de abril de 2010

Agenda Cultural - De 15 a 21 de abril

Samba na Serralheria
Local: Serralheria
Endereço: Rua Guaicurus, 857 - Lapa - São Paulo/SP
Data: 16 de abril (sexta)
Horário: a partir das 21h
Valor: R$ 12,00

Samba da Ouvidor
Endereço: Esquina da Rua da Ouvidor com a Rua do Mercado - Rio de Janeiro/RJ
Data: 17 de abril (sábado)
Horário: a partir das 15h
Valor: Grátis

Teresa Cristina
Local: SESC Pinheiros
Endereço: Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo/SP
Data: 17 e18 de abril (sábado e domingo)
Horário: 21h e 18h respectivamente
Valor: de R$ 5,00 a R$ 20,00
Contato: (11) 3095 9400

Projeto Resgate e Central do Samba
Local: Afrosul Odomodê
Endereço: Av. Ipiranga, 3850 - Porto Alegre/RS
Data: 18 de abril (domingo)
Horário: a partir das 17hs
Valor: Grátis

Virgínia Rosa / Baita Negão (tributo a Monsueto)
Local: SESC Carmo
Endereço: Rua do Carmo, 147 - Centro - São Paulo/SP
Data: 19 de abril (segunda)
Horário: 19h
Valor: de R$ 4,00 a R$16,00

14 de abril de 2010

Regresso (Candeia)

GRANDES BRASAS DA HISTÓRIA

Maravilhoso samba de Candeia, um dos meus preferidos, interpretado pelo próprio autor em 1971 e por Clara Nunes, no ano seguinte. Na versão do Candeia, reparem na cuíca do Mestre Marçal e no repique de anel do Dotô. Incrível!!!

Regresso (Candeia)

Canto, canto com alegria
Hoje a nostalgia está triste
Sentindo o cantar
Que em meu coração bate
Tão forte e contente
Dizendo a toda gente
Que voltaste ao meu lar

Não sabia que voltavas tão meiga assim
Parte, amor, já é noite
Mas traga de novo o calor
Dos teus beijos pra mim
Que eu sei dar valor ao regresso
Juro, jamais te peço
Pra ficares, amor

13 de abril de 2010

Samba sexta na Serralheria


Nesta sexta, dia 16, mais uma vez teremos uma excelente roda de samba na Lapa paulistana. As deliciosas vozes de Paulinha Sanches, Flora Poppovic e Mari Furquim acariciarão nossos ouvidos madrugada adentro no pagode que irá se formar na Serralheria.

Na estréia da roda, no último dia 12 de março, as meninas estavam entrosadas com os excelentes músicos que as acompanharam, todos cobras da madrugada, sambistas de roda de samba. Desta vez certamente não será diferente e teremos uma excelente noite.

Samba na Serralheria

Local: Serralheria
Endereço: Rua Guaicurus, 857 - Lapa - São Paulo/SP
Data: 16 de abril (sexta)
Horário: a partir das 21h
Valor: R$ 12,00

Abaixo, algumas fotos da última roda. O fotógrafo é Antonio Brasiliano.

O Morro e o asfalto no Rio de Noel Rosa (João Máximo)


No tempo de Noel Rosa, o Rio era um outro Rio. Tanto no asfalto como no morro, o ritmo e as condições de vida eram diferentes. Noel, nos seus curtos 26 anos de vida, esteve intensamente presente nestes dois ambientes. Nascido, criado e tendo falecido na mesma casa em Vila Isabel, ele frequentava os cafés e a Lapa boemia, mas não hesitava em subir o morro para fazer samba com seus amigos (Cartola era um dos mais próximos). Em uma edição luxuosa da Editora Aprazível, com texto do biógrafo de Noel, João Máximo, e repleto de fotos do Rio antigo, o livro “O Morro e o Asfalto no Rio de Noel Rosa”, nos remete a uma cidade, então Capital Federal, que era o lar de Noel. Sim, porque sua vida se dava fora de sua casa em Vila Isabel, nas ruas, nos botequins e nos morros.

Mesclando curiosidades históricas de sambas e vivências do poeta da Vila, com fotografias temáticas à esses assuntos específicos, temos neste livro um grande documento histórico do Rio. A Lapa com seus cabarés, o carnaval, os morros, os cafés, a Vila Isabel, os teatros de revista, as rádios, as grandes orquestras, tudo isso fez parte da vida de Noel. E João Máximo escreve sobre isso com tanta propriedade sobre isso que podemos reviver esta época mesmo sem ter vivido. Dá até saudade de um tempo que não vivi.

No trecho onde explica a origem do samba, o autor é extremamente feliz. Ele relata que o samba antigo, amaxixado, proveniente da Cidade Nova (ou “Pequena África”) era fruto de uma criação coletiva e histórica dos negros iorubás, que vieram para o Rio provenientes da Bahia, em meados do século XIX, antes da abolição. Já os negros do Estácio de Sá e de outras elevações como o Morro do Pinto, do Castelo, dos Macacos e da Favela, eram bantos e vieram do Vale do Paraíba, após o fim da escravidão. Pobres, praticamente miseráveis, desenvolveram um “samba duro”, sem cordas, que acabou resultando no formato mais difundido e tocado até hoje, um samba para desfilar no carnaval, e não bailar.

Quando relata a Lapa boemia, dos cabarés, novamente João Máximo vai muito bem (e as fotos das meretrizes da época são interessantíssimas), assim como quando fala dos cafés - nomes pomposos para os verdadeiros botequins.

O carnaval da época com os seguidos sucessos de Noel nas disputas de sambas carnavalescos, as parcerias do compositor com os sambistas do morro, a sua investida no teatro de revista, tudo isso vem fartamente detalhado e ricamente ilustrado. Para completar, a excelente publicação traz um cd com alguns sambas do Mestre Noel. Uma verdadeira jóia.

Em seu centenário, Noel Rosa, que já foi tão estudado e biografado, ganha um excelente tributo. As músicas, as histórias e as fotos nos remetem à Vila Isabel, à Lapa e aos morros. Era o “rolê” do jovem compositor, que a tuberculose levou, mas que o tempo e o samba consagraram nos anais da História do Brasil.

Avaliação: ***** (excelente)

O Morro e o asfalto no Rio de Noel Rosa
Autor: João Máximo
Editora: Aprazível
Ano: 2010
Preço sugerido: R$ 140,00

12 de abril de 2010

Terreiro Grande e Cristina Buarque cantam Candeia (2010)


A espera foi longa, mas valeu a pena. Em fevereiro de 2009, Terreiro Grande e Cristina Buarque realizaram um grande espetáculo em homenagem a Candeia, no Teatro FECAP. Na ocasião, foi relançada a biografia do sambista, assinada por João Batista M. Vargens, que conviveu vários anos com o portelense e pôde escrever com propriedade sobre o assunto. O show apresentado na época, belíissimo, foi gravado para virar, posteriormente, um CD. E neste último fim de semana, finalmente o disco foi lançado, e no melhor espaço possível, a casa dos sambistas, o Bar do Alemão, local de encontro deles e quase uma “sede” do Terreiro Grande.

Grandes amantes do samba e alunos estudiosos que buscam aprender cada vez mais com os ensinamentos deixados pelos grandes mestres, os sambistas do Terreiro Grande mais uma vez fizeram história. Sempre contando com o luxuoso auxílio de Cristina Buarque, preparam um repertório irretocável, mesclando grandes clássicos da obra de Antônio Candeia Filho, com algumas inéditas que não poderiam ficar na obscuridade de maneira alguma. São sambas de terreiro, sambas enredo e partidos que demonstram bem o que foi o compositor portelense: um dos maiores compositores de toda a música popular brasileira e um grande defensor da arte negra e das manifestações culturais populares e espontâneas.

Neste sábado, 10 de abril de 2010, Candeia, onde quer que ele esteja, sorriu. Um trabalho tão caprichado, feito por pessoas que tanto valorizam e dignificam o samba, é algo a ser exaltado. Na fria tarde de outono, até o sol resolveu dar a sua graça e brindar os presentes com seu calor e fulgor. A roda estava completa e podemos todos festejar um momento tão especial para o samba.

O disco é mais do que um lançamento musical, é um documento histórico, um tributo mais do que merecido à aquele que tanto lutou pelo samba e deixou plantada a semente, que estes rapazes cultivaram e cultivam há tantos anos. Agora, já colhem frutos saborosos.

São dez faixas, cada uma contendo mais de um samba, naquele esquema de put-purri que tão bem demonstra o espírito de roda de samba que eles levam para a “cera”. Mais uma vez, o forte coro é o que dá a tônica dos arranjos, inspirados nos sambas de terreiro da antiga. Cristina Buarque, presença mais do que ilustra, gosta de samba assim e se sente bem cantando dessa maneira. Todos estão tocando e cantando muito bem no disco.

Na faixa 5, com uma arranjo de regional mais enxuto, podemos notar a maestria de Edinho, no cavaco e os maravilhosos bordões de Cardoso e Lelo. O pandeiro de Luizinho é algo único nos dias de hoje (e o que dizer de sua potente voz?).

Nas outras faixas, o “peso”, característica principal do samba do Terreiro Grande, é o que dá a tônica. E em todo o disco, podemos notar a excelência dos sambistas: Tuco canta cada vez melhor, assim como Alfredão, Renato, Marcelo Cabeça, Bocão, Jorge, Eri, Lelo, Cardoso e Miséria, que também atuam como solistas no primoroso álbum. Roberto Didio é quem faz a marcação, coração do samba. Neco, Pereira, Careca, Buião completam o escrete, tão entrosado que até lembra o Brasil da Copa de 70.

Para matar a curiosidade dos leitores, segue a faixa 7:



Miragens do deserto (Candeia) - solista: Tuco
Ilusão perdida (Candeia e Casquinha) - solista: Luizinho
Já sou feliz (Candeia)
Não é bem assim (Candeia) - solista: Marcelo Cabeça

Marcelo Cabeça garrafa Renato Martins agogô Luizinho pandeiro Roberto Didio surdo Tuco cavaquinho Lelo violão 6 Edinho cavaquinho Cardoso violão 7 Neco reco-reco Miséria prato e faca Eri caixinha de fósforo Alfredo Castro tamborim e cuíca Pereira tamborim Jorge Luiz Garcia tamborim Careca tamborim
Todos + Cristina, Buião e Bocão coro


Também vale a pena descrever aqui o texto de João Batista M. Vargens, contido no encarte do disco:

Existem artistas cujos tentáculos de Chronos são incapazes de contê-los. Perpassam anos, décadas, séculos e suas obras continuam sensibilizando as novas gerações, desafiando o tempo. A cada releitura, descobre-se algo novo, em sintonia com o momento, e, desse modo, tem-se a certeza de que a perenidade, de fato, é a grande marca da modernidade.

Entre os seletos compositores da Música Popular Brasileira, está, sem dúvida, Antônio Candeia Filho. Versátil, Candeia explora, com maestria, as três grandes vertentes da música das escolas de samba do Rio de Janeiro: o partido-alto, o samba de terreiro e o samba-enredo, além de enveredar, com reconhecida competência, por outras searas de matizes afro-brasileiros, como o jongo, o caxambu, o maculelê, o afoxé, o samba-de-roda e por aí afora.

Em boa hora, a inesgotável Cristina Buarque e o Terreiro Grande subiram ao palco do FECAP, em São Paulo, e, por três noites de fevereiro de 2009, tranformaram a ribalta da Liberdade na varanda da rua Marependi, rua circular (como muitos rituais africanos) de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde residiu Candeia nos últimos anos de sua curta trajetória. Na ocasião, tive o prazer de lançar a 3ª edição de “Candeia, luz da inspiração” editora Almádena, aumentada e contendo um CD com mais de duas dezenas de músicas inéditas. Foram apresentações memoráveis! De tal forma que se percebiam resfôlegos de prazer em cada rosto, à saída do teatro. Para fixar aquele momento instante mágico, Zeca Ferreira, filho da cantora, brinda-nos com este CD, em que as músicas até então inéditas somam-se ao repertório gravado e nos apresentam, com fidelidade, com espontaneidade, um Candeia verdadeiro. Os atores (cantores e músicos) manejam rimas e ritmos com despojamento e alegria. Há de se ressaltar, também, a cadência, a “levada” dos sambas, bem ao gosto do homenageado.

Parabéns, Cristina! Parabéns, Terreiro Grande! De tão grandes, vocês embarcaram nas asas da Águia e transpuseram o subúrbio de Oswaldo Cruz, aconchegante ninho da Portela, para qualquer lugar do planeta.

João Batista M. Vargens

Ficha técnica show

Direção artística
Homero Ferreira
Direção de produção
Américo Marques da Costa
Produção executiva
Thyago Braulio
David Alexandre
Som
Alberti Ranelucci
Vanderley Quintino
Carlos Rocha
Rafael Valim
Luz
Silvestre Jr.
Carol Autran

Ficha técnica CD

Produção
Zeca Buarque Ferreira
Transcrição
Alberto Ranellucci
Mixagem e masterização
Mario Gil/ Home Studio
Projeto gráfico
Paulo Emílio
Fotos
Marina Fraga
Foto capa
Walter Firmo
Tratamento de imagem
Maya Zalt

Parabéns, Terreiro Grande e Cristina! Vocês são brasa!!!! A existência de você engrandece o samba.


Avaliação: ***** (espetacular)

9 de abril de 2010

Falso rebolado da falsa baiana

E quando quem não é do samba cai no samba, como é que fica? Por melhor que seja a intenção, o resultado quase sempre é desastroso. Pra colocar as cadeiras pra sambar tem que ter o samba correndo nas veias, caso contrário, é papelão na certa.

Jorge Costa e Venâncio, na voz de Germano Mathias e Geraldo Pereira, na voz de Ciro Monteiro, captaram bem isso nos sambas Falso rebolado e Falsa baiana.

Falso Rebolado (Jorge Costa - Venâncio)



O seu requebrado é falsificado
Ritmo que é bom você também não tem
Dá paralisia toda vez que vai ao samba
Fica de perna bamba e não convence ninguém
Já presenciei você fazer um teste
Nesse mesmo teste você não aprovou
Foi uma desilusão
Fez a cara do "papai" cair no chão

É um pecado mortal
Você dizer que saiu de porta-bandeira
Em quatro escolas de samba
Favela, Portela, Império, Mangueira
Os moradores do morro
O seu caso têm comentado
Até já lhe puseram o apelido de
Sebastiana do falso rebolado

Falsa baiana (Geraldo Pereira)

Baiana que entra no samba e só fica parada
Não samba, não dança, não bole nem nada
Não sabe deixar a mocidade louca
Baiana é aquela que entra no samba de qualquer maneira
Que mexe, remexe, dá nó nas cadeiras
Deixando a moçada com água na boca

A falsa baiana quando entra no samba
Ninguém se incomoda, ninguém bate palma
Ninguém abre a roda, ninguém grita “ôba”
“Salve a bahia, senhor”
Mas a gente gosta quando uma baiana
Samba direitinho, de cima embaixo
Revira os olhinhos dizendo
Eu sou filha de São Salvador


8 de abril de 2010

Agenda Cultural - De 8 a 14 de abril

Henrique Cazes
Local: SESC São João do Meriti
Endereço: Av. Automóvel Clube, 66 - São João do Meriti/RJ
Data: 8 de abril (quinta)
Horário: 20h
Valor: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Contato: (21) 2755 7070

Salve o Compositor / Célia canta Adoniran Barbosa
Local: SESC Pinheiros
Endereço: Rua Paes Leme, 195 - Pinheiros - São Paulo/SP
Data: 8 de abril (quinta)
Horário: 20h
Valor: de R$ 3,00 a R$ 12,00
Contato: (11) 3095 9400


João Macacão
Local: Galeria Olido
Endereço: Avenida São João, 473 - Centro - São Paulo/SP
Horário: 17h
Valor: Grátis
Contato: (11) 3331 8399

Nossa língua, nossa música / Fabiana Cozza
Local: CCBB - Brasília
Endereço: SCES, Trecho 2, lote 22 - Brasília/DF
Data: 10 de abril (sábado)
Horário: 21h
Valor: de R$ 7,50 a R$ 15,00
Contato: (61) 3310-7087

Lançamento do Livro-CD “Colorado - A primeira Escola de Samba de Curitiba”/ Samba com Maé e seus batuqueiros + participações
Local: Sociedade 13 de maio
Endereço: Rua Clotário Portugal, 274 - São Francisco - Curitiba/PR
Data: 10 de abril (sábado)
Horário: das 15h às 19h
Valor: Grátis
Contato: (41) 9936 9636

Osvaldinho da Cuíca - 70 anos
Local: SESC Ipiranga
Endereço: Rua Bom Pastor, 822 - Ipiranga - São Paulo/SP
Data: 10 de abril (sábado)
Horário: 18h
Valor: Grátis
Contato: (11) 3340 2000

Terreiro Grande / Pré-lançamento do disco-tributo à Candeia
Local: Bar do Alemão
Endereço: Rua Jarinú, 591 - Tatuapé - São Paulo/SP
Data: 10 de abril (sábado)
Horário: 16h
Valor: Grátis (é no boteco mesmo)

7 de abril de 2010

Martin Cererê (Imperatriz Leopoldinense 1972)

OS MAIORES SAMBAS ENREDO DE TODOS OS TEMPOS

Esse espetacular samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense de 1972, composto por Zé Katimba e Gibi, repercutiu bem além da avenida. Foi trilha sonora de novela da Globo e ganhou muitas regravações. No Carnaval, atingiu o 4º lugar, atrás apenas do Império, Mangueira e Portela e à frente do Salgueiro, as quatro grandes à época.

A primeira versão apresentada é do disco oficial das Escolas de Samba de 1972 e a segunda faz parte do disco “História das Escolas de Samba”, de 1974.

Martin Cererê (Zé Katimba - Gibi) Imperatriz Leopoldinense 1972

Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê

Vem cá, Brasil
Deixa eu ler a sua mão, menino
Que grande destino reservaram pra você
Fala Martim Cererê

Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê

Tudo era dia
O índio deu a terra grande
O negro trouxe a noite na cor
O branco, a galhardia
E todos traziam amor
Tinham encontro marcado
Pra fazer uma nação
E o Brasil cresceu tanto
Que virou interjeição

Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê
Lá lá lá lá lauê
Fala Martim Cererê

Gigante pra frente a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir
Laiá laiá laiá
Gigante pra frente a evoluir
Laiá laiá
Milhões de gigantes a construir

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O Couro do Cabrito by André Carvalho is licensed under a Creative Commons Atribuição-Uso Não-Comercial-Vedada a Criação de Obras Derivadas 3.0 Brasil License.
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